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'Anselotchi' e a sobrevivência

Apr 3, 2026 IDOPRESS

Carlo Ancelotti no comando da seleção brasileira em amistoso contra a França,em Boston — Foto: FRANCK FIFE / AFP

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GERADO EM: 03/04/2026 - 00:27

Carlo Ancelotti Revitaliza Seleção Brasileira Rumo à Copa do Mundo

Carlo Ancelotti,renomado técnico italiano,encontrou renovação ao assumir a seleção brasileira,um desafio que reacendeu sua paixão pelo futebol após considerar a aposentadoria. Apesar da derrota recente contra a França,Ancelotti mantém o foco em revitalizar a equipe a poucos meses da Copa do Mundo. Enfrentando críticas e a pressão de liderar um time em crise,ele busca não apenas sobreviver,mas também trazer de volta o espírito competitivo ao Brasil.

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Bem-vindo ao Brasil,mister! Depois de quase um ano nos braços do povo,Carlo Ancelotti finalmente teve a oportunidade provar um pouco dos sabores verdadeiros servidos na mesa de quem é técnico da seleção brasileira.

Até porque,convenhamos,todos sabíamos que a lua de mel um dia ia acabar. Era compreensível tal euforia nas boas-vindas,já que estamos falando do treinador mais vitorioso da história do futebol de clubes. Mas Ancelotti é técnico,não é mago,e pegou um pepino imenso com essa seleção brasileira em crise profunda a menos de um ano de uma Copa do Mundo.

Foi meio que um sonho bom num cochilo de domingo. Mas a derrota contra a França fez a mídia e o torcedores brasileiros caírem da cama e perceberem,de repente,que estamos a menos de três meses pra Copa.

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E o resultado foi uma avalanche de críticas,muitas vezes insanas,onde pouco se considerou o fato de que em campo estava um mistão brasileiro contra o time titular francês,o mesmo que chegou à final das últimas duas edições do torneio e tem o mesmo treinador há três ciclos mundialistas.

Ouvi até um comentarista dizer que “Anselotchi vive de grife” e que o trabalho dele no Real Madrid nos últimos anos não tinha sido lá estas coisas.

Essa pronúncia abrasileirada do nome do treinador italiano virou curiosidade descontraída e bem-humorada na Itália e nos círculos mais próximos ao treinador quando ele chegou ao Rio,há quase um ano. Uma das muitas histórias divertidas de uma lua de mel longa mas muito necessária para um treinador que acaba de entrar na quarta década da carreira e que já tinha flertado publicamente com a aposentadoria durante sua segunda etapa,tão vitoriosa quanto exaustiva,no Real Madrid.

Chegando aos 65 anos,a última temporada do italiano na capital espanhola foi frustrante,principalmente depois de ter ganhado a Champions League com uma campanha heroica,improvisando Jude Bellingham de atacante e com vários titulares machucados. A chegada de Mbappé,a aposentadoria de Kroos,o renascimento do Barcelona com Hansi Flick e outros fatores acabaram deixando uma sensação estranha de fim de ciclo. Uma situação que,sem a seleção brasileira no contexto,certamente teria acabado em aposentadoria. Afinal de contas,Carletto não tinha mais nada a conquistar como treinador de clubes. Ninguém venceu mais do que ele.

O desafio de treinar o Brasil a um ano da Copa criou uma motivação nova,mas a ideia inicial era só essa. Um ano. Mal sabia Carlo que o que ele encontraria seria algo tão estimulante,inspirador e envolvente que mudaria mais uma vez seus planos. Que o fariam encontrar a alegria e estímulo que há tempos ele não sentia. O brilho nos olhos e a paixão de quem vive uma nova juventude. Por isso avançaram os papos para sua renovação. Ele quer treinar a seleção num ciclo completo de Copa do Mundo.

Se engana quem acha que o revés vivido nessa contra a Franca vai mudar as coisas pra ele. Um cara que foi técnico de Real Madrid,Milan e Bayern de Munique sabe muito bem como lidar com a pressão.

O que a gente precisa entender é que ninguém muda um time de um dia pro outro,e pegar uma seleção desfigurada a um ano de uma Copa é como chegar a um time ameaçado de rebaixamento faltando cinco rodadas pra acabar o campeonato. É inevitável: se for,terá que ser no talento e na raça. Parece clichê,mas é a realidade de um time que era um barco à deriva e que,primeiro de tudo,precisa não afundar.

A situação não dá margem pra instalar sistema,buscar entrosamento ou fazer testes. Exige dos jogadores sacrifício,jogar com dores,fora de posição e suar sangue durante os 10 dias de preparação e as cinco semanas do torneio.

Vai exigir do treinador sangue-frio,flexibilidade,autocrítica e sensibilidade pra entender quem aguenta o rojão. Pra ler onde há química,o que dá liga,e humildade pra não insistir no erro. Além de personalidade para tomar decisões difíceis. Haverá tempo para começar um trabalho para 2030 a partir de agosto. Mas agora,nesses oito jogos,a ordem é sobreviver.