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O BC no meio do redemoinho

May 21, 2026 IDOPRESS

Os prédios do BRB e do Banco Central em Brasília — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

RESUMO

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GERADO EM: 20/05/2026 - 20:50

Crise no BRB: Banco Central sob pressão e sem solução à vista

O Banco Central enfrenta intensa pressão devido à crise do Banco de Brasília (BRB),que ainda não tem solução viável. A resistência à venda de partes do BRB e a hesitação do governo federal em intervir complicam a situação. O Banco Central já liquidou 13 instituições desde 2025 e está sob escrutínio político,especialmente após a liquidação do Banco Master. A estabilidade do BRB é crucial,pois o banco gerencia serviços e fundos relevantes para o setor público,mas não apresenta riscos sistêmicos. A instituição se defende de acusações políticas e mantém foco na estabilidade financeira.

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O problema do Banco de Brasília (BRB) não está resolvido. Longe disso. O controlador resiste à venda de algum pedaço relevante da instituição que poderia ajudar a enfrentar a crise. Desde o fim de março,o BRB já está pagando multa diária pela não publicação do balanço. A cada solução apresentada,a governadora Celina Leão faz uma pesquisa com a Câmara Distrital e sondagens de opinião pública para ver como a proposta impactaria sua popularidade. Se houver uma queda brusca de liquidez,será difícil evitar o pior.

O governo federal não quer ajudar,porque seria abraçar um desgaste que não foi criado por ele,pelo contrário,foi obra do centrão e do ex-governador bolsonarista,Ibaneis Rocha. O governo do Distrito Federal tem insinuado que,se acontecer algum incidente,terá sido porque a União não ajudou.

Desde 2025,o Banco Central já liquidou 13 instituições: Master,Master BI,Letsbank,Master DTVM,Reag,Advanced Corretora de Câmbio,Will Bank,Pleno,Pleno DTVM,Dank SCD,Entrepay IP,Creditag Cooperativa e Frente Corretora de Câmbio. Se o pior cenário se confirmar em relação ao BRB haverá um grande impacto porque há desdobramentos delicados. O BRB não representa um risco sistêmico,mas pode gerar um problema sistêmico para o poder público. Presta mais de 35 serviços e projetos para o DF e tem em depósitos o dinheiro dos Tribunais de Justiça de vários estados. É mais significativo para os governos do que para o mercado financeiro.

Ao impedir a compra do Master pelo BRB e,em seguida,liquidá-lo,o Banco Central enfrentou todo o tipo de pressão. Ainda enfrenta. Foi acusado de ter demorado a agir,e também de ter se precipitado. Enfrentou ameaças e pressões do Congresso,do Tribunal de Contas da União e do Supremo quando a relatoria do caso estava com o ministro Dias Toffoli. No dia em que apareceu uma proposta sendo votada,de emergência,que dava poderes ao Congresso de demitir o presidente e os diretores da autoridade monetária,o Banco Central não só não se intimidou como liquidou o banco de Daniel Vorcaro no dia seguinte.

Esta semana,na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado houve mais uma batalha. O senador Renan Calheiros quis acusar o Banco Central de conivência com o Master e de estar cometendo com o BRB o mesmo erro que teria cometido com o Master. Indiretamente estava dizendo que o BC está atrasando a liquidação. O Banco Central não pode deixar de agir quando um banco entra em quadro de crise irreversível,nem pode fechar um banco por pressão política.

O senador Renan Calheiros tenta a reeleição em Alagoas,enfrentando os deputados Alfredo Gaspar e Arthur Lira numa disputa acirrada. Renan tem razão de dizer que o Centrão pressionou o Banco Central. O ministro do Tribunal de Contas da União Jhonatan de Jesus,que ameaçou o BC,é do Centrão e indicado por Arthur Lira. Mas Renan acusou Gabriel Galípolo de não ter reagido às pressões,o que não faz sentido. O que o presidente da instituição explicou no debate é que o BC não pode entrar na briga política,nem na disputa de redes sociais. Tem que preservar sua missão que é garantir a estabilidade do sistema financeiro,a estabilidade da moeda e tomar decisões técnicas e na hora certa. No debate acalorado,Galípolo respondeu.

– O Banco Central está respondendo até agora ao Tribunal de Contas da União uma acusação por não ter autorizado ( a compra do Master). O Banco Central e seus servidores foram expostos e caluniados sistematicamente porque não toparam. Coincidentemente,na semana em que o Banco Central rejeitou a compra pelo BRB foi colocada uma proposta de voto para mandar embora o presidente do Banco Central e os diretores. O Banco Central não tem que ir para a televisão,gravar Instagram ou Tik Tok. Não é palanque. Toma a decisão correta independentemente de quem está jogando pedra ou fazendo barulho.

Galípolo disse que,nos bancos que foram liquidados na década de 1990,a técnica foi separar o “banco bom” do “banco ruim” e vender o que era viável. No caso do Master,disse ele,“não havia banco bom”.

O Banco Central se defende de ataques de lados diferentes,fiscaliza um mercado no qual ainda há pelo menos um banco em situação de fragilidade,mantém o aperto monetário contra inflação crescente e continua tentando aprovar uma PEC que possa fortalecer seu quadro de servidores. O projeto que trata do assunto foi novamente adiado.