
Pessoas relaxam ao sol na praia de Brighton,na costa sul da Inglaterra — Foto: BEN STANSALL / AFP
GERADO EM: 27/05/2026 - 11:55
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A Europa entrou no fim da primavera sob uma onda de calor incomum para maio,com temperaturas históricas registradas simultaneamente em países como Reino Unido,França,Espanha e Portugal. Impulsionado por uma forte “cúpula de calor” — sistema de alta pressão que aprisiona o ar quente sobre o continente — o fenômeno elevou os termômetros a níveis até 15°C acima da média e colocou autoridades em alerta para riscos à saúde,incêndios e sobrecarga nos serviços públicos.
‘Cúpula de calor’,recordes de temperatura e mortes: por que a Europa está 'fritando' antes do verãoMeteoroilumina céu ao lado de vulcão em atividade nas Filipinas; vídeo
Nesta terça-feira,o Reino Unido registrou o dia de maio mais quente desde o início das medições meteorológicas. Segundo o Met Office,Londres chegou aos 35°C,superando recordes históricos para o mês. Na França,Nantes registrou entre 34°C e 35°C,enquanto Paris deve ultrapassar os 32°C nos próximos dias. Espanha e Portugal também enfrentam temperaturas próximas dos 40°C.
O episódio reforça um alerta que preocupa cientistas há anos: a Europa é hoje o continente que aquece mais rapidamente no planeta.
Dados do serviço climático europeu Copernicus mostram que a temperatura média europeia já subiu cerca de 2,5°C desde o período pré-industrial. No restante do mundo,o aquecimento médio está em torno de 1,4°C.
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Parte da explicação está na proximidade do continente com o Ártico,região que aquece mais rapidamente do que qualquer outra no planeta. Com o derretimento acelerado do gelo e da neve,menos radiação solar é refletida de volta para a atmosfera e mais calor passa a ser absorvido pela superfície.
Esse efeito também acontece dentro da própria Europa. A redução da neve durante o inverno faz o continente reter mais calor ao longo do ano,intensificando o aumento das temperaturas.
Outro fator importante é a mudança na circulação atmosférica. Segundo cientistas europeus,sistemas de alta pressão têm permanecido por mais tempo sobre o continente,funcionando como uma “tampa” que prende o ar quente e favorece ondas de calor mais longas e intensas — exatamente o cenário visto nesta semana.
Meteorologistas também apontam um efeito indireto das políticas ambientais europeias. Desde os anos 1980,países do continente reduziram fortemente a poluição atmosférica. Com menos partículas suspensas no ar para refletir parte da radiação solar,mais calor consegue atingir a superfície.
— Sabemos,sem qualquer dúvida,que ondas de calor como esta se tornaram mais prováveis e mais severas por causa das mudanças climáticas — afirmou Peter Thorne,diretor do Centro de Pesquisa Climática Icarus,da Universidade Maynooth,na Irlanda.
Os impactos já aparecem nos dados oficiais. Relatórios do Copernicus apontam aumento da frequência de secas,incêndios florestais,enchentes e ondas de calor extremas na Europa. Segundo pesquisadores europeus,mais de 62 mil pessoas morreram por causas relacionadas ao calor no continente em 2024,o ano mais quente já registrado globalmente.