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As dúvidas de Ancelotti na reta final do ciclo

Jun 1, 2026 IDOPRESS

Igor Thiago é festejado por companheiros em vitória brasileira por 6 a 2 sobre o Panamá — Foto: Alexandre Cassiano

RESUMO

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GERADO EM: 31/05/2026 - 23:44

Dúvidas e Desafios: Brasil de Ancelotti Após Amistoso com Panamá

O ciclo final de Ancelotti na seleção brasileira levanta dúvidas,especialmente após um amistoso contra o Panamá expor fragilidades no sistema ofensivo. Com mudanças táticas,o Brasil melhorou no segundo tempo,mas a ausência de Neymar continua a ser um ponto de discussão. A liderança de Marquinhos e o debate sobre controle de jogo no PSG x Arsenal também são destacados. A questão do comportamento dos jogadores frente a ofensas da torcida é criticada.

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Quando se tem uma preparação longa para uma Copa do Mundo,é natural que guinadas aconteçam ao longo do percurso. Acontece com qualquer time de futebol. No caso da seleção brasileira,que decidiu jogar fora mais da metade do ciclo,o que seria um amistoso para consolidar um jeito de jogar,virou uma fonte de dúvidas às vésperas do Mundial. Porque o sistema com quatro homens muito ofensivos,ideia que Ancelotti tentava implantar em sua curta gestão,mostrou enormes vulnerabilidades,expostas não por uma potência internacional,mas pelo Panamá.

Como se não bastasse a exibição problemática da primeira etapa,veio um segundo tempo de um Brasil com um meio-campista a mais,melhor capacidade de pressão e mais articulação no centro do campo. Pulou dos 48% de posse na primeira etapa para 60% na segunda,das oito para 11 finalizações,e de dois para quatro gols. Tudo isso somado a exibições de jogadores que pedem passagem,como Lucas Paquetá e Danilo. Mas até que ponto estes jogadores encontraram um Panamá um tanto entregue após sofrer o 3 a 1,com sete minutos de segundo tempo? Difícil precisar. O fato é que,na véspera do embarque para os Estados Unidos e a 13 dias da estreia,a ideia central da comissão técnica ficou sob questionamento.

Por falar em busca por respostas,havia uma dúvida sobre como o nome de Neymar iria pairar sobre o Maracanã. E o estádio confirmou que,mesmo sem jogar,ele será uma das ausências mais presentes na caminhada do Brasil. Seu nome foi gritado antes,durante e depois do jogo,a ponto de permitir o debate sobre qual seria o ambiente caso Ancelotti não o tivesse convocado,especialmente nos momentos de futebol mais pobre da seleção no primeiro tempo. Neymar é,de fato,uma bagagem extra que o Brasil leva à Copa,para o bem e para o mal,participe ou não dos jogos.

Em campo,o Brasil que não brilhou nos 45 minutos iniciais tinha ainda mais problemas para defender do que para atacar —com o devido desconto de um time quase inteiro no fim de temporada europeia. A proposta era um 4-4-2 sem bola,com Raphinha e Vinícius mais soltos na frente,para desobrigar o atacante do Real Madrid de grandes esforços defensivos. Ocorre que a pressão dos atacantes era ruim,deixando Casemiro e Bruno Guimarães sempre em desvantagem no centro do campo,onde Barcenas,um dos volantes do Panamá,ditava o jogo. Estivesse um time melhor do outro lado,a seleção teria saído para o intervalo perdendo.

Com bola,Vinícius virava o ponta pela esquerda e Matheus Cunha passava a compor o centro do campo num trio com Casemiro e Bruno Guimarães. Mas a seleção parecia condicionada a acelerar o jogo,lançar bolas longas,tinha pouco trabalho de passes curtos para ter por mais tempo as rédeas do jogo. Foi muito fraco o primeiro tempo.

As dez substituições do intervalo mudaram nomes e características. Taticamente,o Brasil ainda se estruturava no 4-3-3 para atacar e no 4-4-2 para defender,mas Danilo e Paquetá atuavam como construtores,tendo Fabinho por trás deles. O Brasil ganhou trabalho de bola,simbolizado no quinto gol,em bela obra dos meias de Flamengo e Botafogo. E,quando precisava pressionar,ganhou homens mais ativos com Igor Thiago,Endrick e Rayan,autor de belo gol surgido justamente numa recuperação ofensiva.

É fato que o Panamá já competia menos e,pouco a pouco,colocava seus suplentes. E tampouco se imagina,a esta altura,uma revolução completa no time,ainda que o Maracanã,fértil na produção de ironias,gritasse “bota o time reserva”. Mas o grande fato da despedida da seleção do Brasil é que a base sobre a qual se construía a equipe parece sob ameaça.

O líder

Quem quiser ilustrar o verbete “liderança” em um dicionário,pode usar a imagem de Marquinhos,instantes após vencer a Liga dos Campeões pelo PSG. No lugar de correr para festejar,consolou Gabriel Magalhães,do Arsenal,que perdera o pênalti fatal. Ali estava,ao mesmo tempo,o capitão do campeão europeu,mas também o capitão da seleção,cuidando de seu futuro companheiro de Copa do Mundo. Líderes enxergam à frente dos demais.

Duelo de ideias

O que é controlar um jogo? O PSG x Arsenal que decidiu a Champions alimentou o debate. Por muito tempo,o time francês teve mais de 70% da posse e mais finalizações,mas raras sensações de gol. A defesa montada por Arteta tirava efeito das trocas de posição do PSG e impedia chances claras. Fazia o jogo ocorrer quase à sua forma,salvo pelo fato de raramente contragolpear. Até a combinação curta de Dembélé e Kvaratskhelia romper o cadeado.

Falta de educação

Não é razoável que jogadores sejam obrigados a aceitar com resignação que o trabalho deles inclui ouvir ofensas de todo tipo da arquibancada,apenas porque o sujeito que está ali sentado pagou ingresso. Mas a melhor forma de solucionar a questão não é um gesto obsceno como o de Gabigol. Aliás,a conduta virou epidemia. Não surpreende. O futebol é um ambiente tomado por um excesso de testosterona,vigora a lei do mais valente,da falsa macheza.