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Julgamento mais longo do Rio: Relembre a morte do menino Henry Borel

Jun 4, 2026 IDOPRESS

Manifestação pela condenação dos acusados da morte do menino Henry Borel — Foto: Gabriel de Paiva 23/03/2026

RESUMO

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GERADO EM: 04/06/2026 - 05:22

Caso Henry Borel: Julgamento Se Arrasta com Acusações Graves

O caso do menino Henry Borel,morto em 8 de março de 2021,tem sido um dos julgamentos mais longos do Rio. A necropsia revelou 23 lesões,incluindo hemorragia interna e laceração hepática. A mãe,Monique Medeiros,e o padrasto,Dr. Jairinho,são acusados de violência doméstica. As evidências apontam para agressões dentro do apartamento. O laudo descarta a hipótese de acidente doméstico,indicando um padrão de brutalidade.

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Henry Borel morreu no dia 8 de março de 2021,no apartamento onde vivia com a mãe,e o então padrasto,o médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior,o Dr. Jairinho,na Barra da Tijuca,na Zona Sudoeste do Rio. O menino,de 4 anos,deu entrada no Hospital Barra D’Or,com múltiplas lesões internas e em parada cardiorrespiratória. Confira a seguir,a cronologia dos fatos:

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Por volta das 3h30 Monique e o então namorado dela,Jairinho levam o filho dela,Henry para a emergência do Barra D’Or. Eles disseram que encontraram o menino caído no chão do quarto,com mãos e pés gelados e olhos revirados. Às 5h42 as pediatras da unidade de saúde atestam a morte do menino. Em depoimento,elas garantiram que ele já chegou morto ao hospital,mas foi submetido a tentativas de manobras de reanimação.

No começo da tarde,às 12h18,um registro de ocorrência de remoção para verificação de óbito é feito na 16ª DP (Barra da Tijuca). O delegado Henrique Damasceno determina ainda que uma perícia no apartamento 203 do bloco I do bloco I do condomínio Majestic seja feita pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE).

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Em seguida,às 12h42,o engenheiro Leniel Borel de Almeida,pai de Henry,presta depoimento na delegacia. Ele contou ter recebido uma ligação de sua ex-companheira,Monique,por volta de 4h30. Ela teria dito que o filho deles estava “sem respirar” e foi levado ao hospital. Ao chegar ao local e encontrá-la,na companhia de Jairinho,foi informado de que a criança havia feito um “barulho estranho” enquanto dormia. Os dois contaram que,no quarto do menino,encontraram-no com os “olhos virados” e com dificuldade respiratória.

Às 14h o corpo de Henry é levado para o Instituto Médico-Legal (IML),no Centro do Rio. No começo da noite,às 18h24,o perito legista Leonardo Huber concluiu o exame de necropsia e aponta que o menino sofreu hemorragia interna e laceração hepática,provocada por ação contundente,e que seu corpo apresentava equimoses,hematomas,edemas e contusões. O laudo da necropsia revelava que o menino tinha 23 lesões e que o óbito ocorreu em um intervalo de quatro horas após sofrer hemorragia interna provocada por lesão hepática. O corpo de Henry foi enterrado no cemitério do Murundu,em Realengo,no dia 9.

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Em depoimento prestado na delegacia,na noite de 17 de março,Monique contou que estava assistindo a uma série na televisão com Jairinho quando,às 3h30,teria levantado e encontrado Henry caído no chão,com mãos e pés gelados,olhos revirados e sem responder ao seu chamado. A professora disse ter gritado pelo namorado,que foi imediatamente ao cômodo. Eles teriam se arrumado rapidamente e se dirigido para o Barra D’Or.

No caminho,a professora diz ter feito uma respiração boca a boca na criança,depois de orientação do ex-vereador. Ao chegar à unidade,ela contou ter gritado pedindo ajuda,tendo recebido atendimento de várias pessoas imediatamente. Questionada se havia lido o laudo com a causa da morte de Henry,Monique disse aos policiais,na ocasião,acreditar que ele possa ter acordado,ficado em pé sobre a cama,se desequilibrado ou até tropeçado no encosto da poltrona e caído no chão.

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Horas depois,Jairinho também concluiu seu termo de declaração realizado na 16ª DP. O ex-vereador confirmou todas as informações dadas pela então namorada. Ele contou ter dormido após tomar três medicações que fazia uso havia cerca de 10 anos e,ao ser acordado por ela,foi urinar. Com os gritos dela,disse ter caminhado até o quarto. No local,o vereador diz ter colocado a mão no braço de Henry e notado que o menino estava com temperatura bem abaixo do normal e com a boca aberta,parecendo respirar mal.

Jairinho contou para os policiais ter acreditado que Henry havia bronco-aspirado,mas seu quadro evoluía mal,já que no caminho para o hospital não respondeu à respiração boca a boca nem aos estímulos feitos por Monique. Ele disse também que,apesar de ter formação em Medicina,nunca exerceu a profissão e a última massagem cardíaca que realizou foi em um boneco,durante a graduação.

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O que diz o laudo anexado ao processo

De acordo com o laudo,anexado ao processo que foi julgado pelo 2º Tribunal do Júri da Capital,nos últimos dez dias,as agressões encontradas no corpo do menino ocorreram no interior do apartamento onde vivia o então casal Monique e Jairinho. A análise técnica aponta que todas as evidências médico-legais,periciais e circunstanciais convergem para a ocorrência dos fatos no imóvel.

Ainda segundo os peritos,o conjunto de lesões externas e internas,junto da cronologia dos acontecimentos descritos em depoimentos e prontuários médicos,sustenta que Henry foi submetido a violência no ambiente doméstico.

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Uma das principais conclusões do laudo é que a causa da morte de Henry foi laceração hepática com consequente hemorragia interna,produzida por ação contundente. O laudo ressalta que esse tipo de lesão não provoca morte imediata,podendo levar de duas a quatro horas até o óbito,intervalo considerado compatível com a dinâmica dos fatos descrita no processo.

O laudo estima que a morte ocorreu entre duas e três horas antes da entrada do Henry no Hospital Barra D'Or,na Zona Sudoeste,isto é,entre 1h30 e 2h30 da madrugada do dia 8 de março de 2021. Ele já teria chegado sem vida à unidade de saúde,por volta das 4h30,apresentando sinais iniciais de rigidez cadavérica — que costuma surgir entre uma e duas horas após a morte. Além disso,a temperatura corporal registrada seria de 34ºC,três graus abaixo dos 37 considerados para o corpo humano.

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No texto,os peritos afirmam que a temperatura corporal tem queda de um grau Celsius a cada hora. Assim,segundo os peritos,a combinação desses fatores é compatível com um intervalo máximo de três horas desde o óbito no momento do atendimento hospitalar.

Durante o atendimento médico,ainda foram observadas múltiplas equimoses — manchas causadas geralmente após um trauma — em diversas partes do corpo de Henry. Para os peritos,a multiplicidade de lesões descarta a versão de queda da cama.

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O laudo mostra um panorama de diversas lesões distribuídas em várias regiões do corpo. Elas apresentam características morfológicas compatíveis com a ação de instrumentos ou superfícies contundentes. A natureza e a disposição dos traumatismos indicam que as injúrias não decorreram de um evento só,mas de uma série de ações.

A gravidade e a extensão dos achados demonstram a aplicação de força significativa e repetida,o que configura em um padrão de brutalidade na dinâmica dos eventos traumáticos. De acordo com o laudo,a vítima foi submetida a um episódio de violência intensa e generalizada,incompatível com a narrativa de acidente doméstico.

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O exame cadavérico e os laudos complementares descrevem equimoses arredondadas com cerca de 10 milímetros,de coloração vermelho-violácea,localizadas em diversas partes do corpo. Ao todo,foram identificadas ao menos 13 lesões externas distribuídas por membros superiores,inferiores e costas. Outro ponto que chamou atenção dos peritos foi o agrupamento de seis lesões na região toracolombar direita,compatível com ação contundente sequencial ou com o uso de objeto com múltiplas pontas.

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Os peritos criminais analisaram o atendimento hospitalar e a perícia realizada no apartamento onde vivia Henry. Medições realizadas no local indicam que a altura da cama,da poltrona encostrada a ela e de outros móveis não seria capaz de produzir múltiplas lesões externas e internas espalhadas pelo corpo da criança.

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