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Quem politizou o comércio exterior

Jun 4, 2026 IDOPRESS

O presidente dos EUA,Donald Trump — Foto: Kent Nishimura/AFP

RESUMO

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GERADO EM: 03/06/2026 - 21:07

Tarifas de Trump afetam economia brasileira sob influência Bolsonaro

A nova guerra tarifária entre Brasil e EUA está ligada à família Bolsonaro e ao lobby político. Trump,influenciado pelos Bolsonaro,impôs tarifas de 37,5% aos produtos brasileiros. A medida afeta severamente a economia brasileira,reduzindo exportações e afetando empregos. Apesar das tentativas do governo brasileiro em responder às acusações e negociar,o impacto permanece significativo.

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A sucessão dos eventos deixa claro que essa nova guerra tarifária está vinculada à família Bolsonaro e ao lobby feito por eles. O presidente Donald Trump,antes de anunciar o primeiro ataque,em julho do ano passado,acusou o Brasil de estar fazendo uma suposta “caça às bruxas” contra Jair Bolsonaro. Na época,Eduardo Bolsonaro poescreveu em rede social: “Obrigado presidente Donald J. Trump”. Nesta semana,entre o primeiro e o segundo anúncio de sanções contra o Brasil,Trump postou a foto do encontro com Flávio Bolsonaro. Há muitas digitais. O candidato do PL tenta,em vão,se desvencilhar.

Esta semana foram feitos dois anúncios de possíveis tarifas. Os percentuais se somam. Na investigação da seção 301 em que o resultado preliminar foi anunciado na terça-feira,os setores econômicos brasileiros serão taxados em 25%. Na de quarta-feira,uma cobrança de 12,5%. Em resumo,as duas medidas ficam em 37,5%. Como a Justiça considerou ilegais as tarifas do ano passado,Trump quer recriar o muro tarifário,mas agora através da Lei do Comércio.

Os negociadores brasileiros relatam que nos doze meses,desde que a primeira investigação começou,até agora,já foram feitas inúmeras reuniões,consultas e apelos. O governo apresentou resposta para cada uma das alegações. Desmatamento está em queda para o menor nível em 38 anos,as tarifas do etanol podem ser negociadas,a pirataria está sendo combatida,a corrupção vem sendo enfrentada com muitas operações da Polícia Federal e outros órgãos de controle. Sobre o Pix,a resposta é que se trata de uma inovação financeira. No ponto sobre acordos de preferência,o Brasil respondeu que o comércio com a Índia é bem pequeno e,com o México,o grande acordo envolve preferências no comércio de automóveis,inclusive de empresas dos Estados Unidos instaladas naquele país.

Ontem,veio o resultado de mais uma investigação,só que agora atinge 60 países. A acusação é a de que não há no país legislação eficiente para impedir a importação de produtos que tenham sido fabricados em outros países com o uso do trabalho forçado. O Brasil mostrou que tem aqui uma legislação forte com a qual tem tentado eliminar o problema. Há,sim,trabalho forçado,mas o país tem sido citado como exemplo no combate a este problema. Neste caso,estamos com outros 58 países e mais a União Europeia. Entre os que respondem a essa investigação estão a Noruega e o Japão. Uma acusação tão genérica,a tantos países,não é séria.

A economia brasileira tem sido afetada por esta tempestade tarifária trumpista. Setores deixam de exportar,perdem mercado,nossas exportações encolhem,empresas têm dificuldades,empregos não são criados. O que tem amenizado é a grande competência com que setores e empresas têm atuado para procurar outros mercados e negociar com seus clientes nos Estados Unidos. No ano passado,o comércio entre os dois países diminuiu e,de janeiro a maio deste ano,comparado com o mesmo período de 2025,as vendas para os norte-americanos caíram 16%.

Há muitas irracionalidades. O setor de máquinas e equipamentos,que não está na lista de exceções,terá que pagar 25% a mais para entrar nos Estados Unidos se for confirmada a tarifa anunciada na terça-feira. O presidente da Abimaq,José Velloso,explicou à jornalista Ana Carolina Diniz que 82% das exportações brasileiras para os Estados Unidos são negócios intercompany. “Ou seja,empresas americanas que investiram no Brasil,ou empresas brasileiras que investiram nos Estados Unidos,não faz sentido (a taxação)”,disse Velloso. Não faz mesmo sentido algum.

As tarifas contra o Brasil foram,desde o ano passado,uma reivindicação dos filhos de Jair Bolsonaro,na suposição de que o governo Lula estaria sendo punido. É preciso poucos neurônios para entender que isso afeta o país,a economia,as empresas e os empregos. Um ano depois da primeira onda,começa a segunda onda tarifária e desta vez Flávio Bolsonaro diz que ele pediu que “as empresas não fossem tarifadas”. Agora é tarde para alegar isso. Os outros pré-candidatos da direita,Ronaldo Caiado e Romeu Zema,culpam o governo Lula. Segundo Caiado,o Itamaraty não está trabalhando bem. É falso,o Ministério das Relações Exteriores tem atuado intensamente para reverter os estragos dessa lamentável politização do comércio exterior por parte do presidente Donald Trump.