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Quase 7 em cada 10 brasileiros usam IA no dia a dia, mas maioria ainda desconfia da tecnologia

Jun 9, 2026 IDOPRESS

Uso da IA vai de cálculo de calorias a montagem de treino,passando por 'diagnóstico' veterinário — Foto: Magnific

RESUMO

Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você

GERADO EM: 08/06/2026 - 19:01

Uso de IA cresce no Brasil,mas desconfiança e medo persistem

Uma pesquisa revela que 68% dos brasileiros usam IA no cotidiano,mas 59% ainda desconfiam das informações geradas. Jovens como Nathalia Sahione,estudante de Medicina,e Fábio Augusto,de Administração,destacam a utilidade prática da IA,embora reconheçam uma certa dependência. A preocupação com a privacidade e a substituição de empregos também é significativa,com 38% dos trabalhadores temendo perder espaço para a tecnologia. O Brasil,com 49,8 pontos no IA Index,está abaixo da média global,refletindo uma relação complexa e crítica com a IA.

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A jovem Nathalia Sahione,de 20 anos,aluna do 7º período de Medicina,diz já diz que já não sabe mais como é viver sem inteligência artificial. Ela usa a ferramenta para resumir textos,treinar questões e entender cálculos da faculdade. Como responsável pela atlética do curso,também recorre à IA para criar artes e sugerir conteúdos para as redes sociais. O uso vai além: a estudante conta que já pediu para a tecnologia calcular as calorias de três balas,montar um treino antes de contratar um personal trainer e até avaliar a gravidade dos sintomas de sua cachorra,que estava passando mal. Após receber a resposta,decidiu levá-la ao veterinário.

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— A inteligência artificial me ajuda em praticamente tudo. Na faculdade,uso para resumir textos,treinar questões e entender cálculos. Na atlética,também já recorri à ferramenta para criar artes e conteúdos para as redes sociais. Quando a gente aprende a usar,a IA vira uma companheira. Não sou dependente,mas posso dizer que faz diferença — afirma.

Assim como Nathalia,68% dos brasileiros utilizam ferramentas de inteligência artificial no cotidiano,segundo pesquisa do instituto Market Analysis. De acordo com o levantamento,entre os usuários de IA no país,56% afirmam que as ferramentas são acessíveis e fáceis de usar,enquanto 52% dizem que a tecnologia contribui para aumentar a produtividade e a eficiência no dia a dia.

Apesar da popularização da tecnologia,59% da população brasileira ainda afirma não confiar nas informações geradas pela tecnologia. O cenário é ainda mais negativo em relação à percepção de aceitação social da IA: apenas 40% dos entrevistados dizem perceber receptividade ao uso da ferramenta em seus círculos de convivência.

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Para Evelin Cardoso Gomes,professora da Universidade Federal do Pará (UFPA) e pesquisadora do INCT IAmazônia,a IA traz muitos benefícios,mas seu uso precisa ser responsável:

— A Inteligência Artificial veio para ampliar as capacidades humanas,não substituí-las. A discussão hoje já não é mais se iremos adotar IA,mas de que maneira isso será feito. E é justamente aí que está o ponto essencial: adotar essa tecnologia sem critério pode ser tão prejudicial quanto não adotá-la. Por isso,mais do que abraçar os benefícios que a IA oferece,precisamos garantir que esse uso aconteça de forma organizada,ética e,acima de tudo,responsável. Porque a tecnologia,por si só,não define seu impacto. Quem define somos nós,pela forma como escolhemos utilizá-la — diz.

Acender e apagar a luz do quarto,pedir para tocar música e controlar a temperatura do ar: essas são algumas das funções que a inteligência artificial desempenha na rotina do estudante de Administração Fábio Augusto de Jesus,de 22 anos,que afirma confiar na tecnologia e tratá-la como parceira. Ele conta que utiliza o recurso para planejar e organizar cronogramas de eventos realizados na igreja que frequenta,onde atua como líder dos adolescentes.

Os acessórios de Fábio também são tecnológicos. O fone de ouvido tem cancelamento ativo de ruído,comandos por voz e integração com assistentes virtuais. Já o smartwatch (relógio inteligente) conta passos,gera métricas para musculação,recebe notificações e permite atender ligações. Na área da saúde,o aparelho mede a frequência cardíaca,emite alertas sobre batimentos irregulares e,inclusive,ajudou o estudante a descobrir que sofre de apneia do sono. Fábio pegou o relatório de qualidade do sono gerado pelo relógio,pediu a uma IA que analisasse os dados e,diante da suspeita apontada pela ferramenta,procurou um médico. Após consulta com um otorrinolaringologista e realização de exames,o distúrbio foi confirmado.

O jovem afirma que a IA tem grande importância em sua vida,mas admite que a relação com a tecnologia hoje é de dependência,algo que o incomoda.

— Hoje,e isso me incomoda,digo que sou dependente. Já estou acostumado a dar comandos de voz,acabo entrando em uma zona de conforto e já não sou tão criativo — fala.

Além do receio de desenvolver dependência,a inteligência artificial desperta outros temores entre os brasileiros. De acordo com a pesquisa,dois em cada três entrevistados relatam algum nível de medo ao utilizar IA. As principais preocupações estão relacionadas à privacidade de dados,à disseminação de informações falsas e à substituição de humanos pela tecnologia.

Receio no mercado de trabalho

No mercado de trabalho,38% dos brasileiros empregados afirmam temer perder espaço para a IA. O percentual está próximo da média global,de 36%,e abaixo dos registrados em países como Peru (64%) e Equador (60%). A preocupação é mais intensa entre trabalhadores das classes D e E (40%),pessoas de 35 a 54 anos (41%) e mulheres (41%).

Engenheiro e sócio de uma empresa especializada em agentes de IA,Marc Chevallier afirma não temer ser substituído pela tecnologia e diz utilizá-la diariamente para analisar contratos,notas fiscais e licitações. Para ele,os agentes de IA — sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma,sem depender de comandos constantes — representam uma revolução dentro do próprio universo tecnológico.

— A inteligência artificial hoje é indispensável. Mas o que realmente transforma o mercado são os agentes: eles fazem apresentações,realizam compras,reservas e até respondem mensagens. Há alguns anos,isso parecia impensável — afirma.

Diferentemente das ferramentas tradicionais,que apenas respondem perguntas ou geram conteúdo,os agentes interpretam objetivos,planejam etapas e agem de forma independente,automatizando desde agendas até processos inteiros dentro de empresas.

Brasil fica abaixo da média mundial

Hoje,o Brasil marca 49,indicador que mede o nível de relação da população com a inteligência artificial em uma escala de 0 a 100. Com o resultado,o país aparece abaixo da média global,de 54,5 pontos,ocupando a 30ª posição entre 44 países,embora tenha registrado avanço de dois pontos em relação a 2025.

Responsável pelo levantamento,a Market Analysis define a pesquisa como uma “oportunidade única de posicionar o Brasil em um debate global que vai muito além da tecnologia”. Segundo o instituto,os dados revelam que os brasileiros mantêm uma relação mais complexa e madura com a inteligência artificial do que o senso comum sugere: ao mesmo tempo em que utilizam e reconhecem os benefícios da tecnologia,também demonstram olhar crítico em relação aos riscos. Para a instituição,o equilíbrio entre adoção e ceticismo é,um dado relevante para empresas,formuladores de políticas públicas e para a sociedade como um todo.

*Estagiário sob supervisão de Daniela Dariano