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Argentina desafia intensidade do futebol moderno e preserva identidade que favorece Messi na Copa do Mundo

Jul 12, 2026 IDOPRESS

Argentina conta com o talento dos seus jogadores no meio para liderar as estatísticas de passes certos e liberar Messi para atuar mais na frente no Mundial — Foto: JUAN MABROMATA / AFP

RESUMO

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GERADO EM: 10/07/2026 - 21:10

Argentina Equilibra Ritmo e Intensidade no Estilo de Jogo da Copa

A Argentina desafia o futebol moderno ao manter um estilo de jogo menos intenso,focando no controle do ritmo com talento no meio-campo,favorecendo Messi. A equipe lidera em passes certos e tem o segundo melhor ataque na Copa do Mundo,mas enfrenta o dilema entre ritmo e intensidade. A estratégia de Lionel Scaloni destaca talentos como Enzo Fernández e De Paul,enquanto a Suíça busca neutralizar Messi nas quartas de final.

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“A Argentina não joga com tanta intensidade”,afirmou Carlo Ancelotti antes do início da Copa do Mundo. A declaração do treinador italiano está correta: a atual campeã tem a menor distância percorrida (76,1 km) e é a penúltima em número de sprints (63,2) por partida neste Mundial. Mas o técnico Lionel Scaloni prefere desafiar a lógica do futebol moderno para preservar a identidade argentina em campo.

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Com meias e praticamente sem pontas,esse estilo peculiar é a base do segundo melhor ataque (14 gols — oito de Messi) e da liderança em passes certos (611) da competição. É com esse retrospecto que Messi e companhia enfrentam a Suíça hoje,às 22h (de Brasília),em Kansas City,nos EUA,pelas quartas de final.

Se as transições rápidas e a pressão na saída de bola são cada vez mais comuns na Europa,a Argentina tenta vencer essa batalha tática de uma forma diferente: ditando o ritmo do próprio jogo. Para que a estratégia de Scaloni funcione,a sincronia no meio-campo é praticamente inegociável. Não à toa,é justamente nesse setor que a equipe concentra uma fartura de talentos: Enzo Fernández,De Paul,Mac Allister,Paredes,Almada...

— Me parece que o Scaloni olhou para essa geração antes de 2022 e pensou: “vou montar um time assim porque meus melhores jogadores estão no meio-campo”. São atletas de muita qualidade para um jogo de posse de bola,associação e controle das ações — afirma Rodrigo Coutinho,comentarista do Grupo Globo. —Desde os anos 80,a Argentina costuma revelar jogadores com essas características,como Riquelme,Gago,Gallardo: um camisa 5 de bom passe,visão de jogo e posicionamento,ao lado de um camisa 10 cerebral e habilidoso.

Quem mais se beneficia desse esquema é justamente Messi,que não precisa recuar para participar da armação das jogadas,o que poderia desgastá-lo fisicamente aos 39 anos. Pelo contrário: o camisa 10 atua da intermediária para a frente,onde usa sua genialidade para se posicionar da melhor forma,encontrar espaços e gerar desequilíbrio na defesa adversária.

O atacante argentino número 10,Lionel Messi,e o zagueiro egípcio número 15,Karim Hafez,disputam a bola durante a partida — Foto: ODD ANDERSEN / AFP

Apesar de colher frutos com um estilo de jogo mais cadenciado,a Argentina já convive com o dilema entre intensidade e ritmo. Os últimos jogos,contra Cabo Verde e Egito,evidenciaram que o sistema de Scaloni também tem lacunas a serem corrigidas.

— Dependendo do adversário,é preciso ser mais intenso na defesa e no ataque,com circulação de bola mais rápida e mais movimentos de ruptura,algo que a Argentina não tem tanto quanto outras seleções,como a França. Para compensar,a equipe controla o ritmo da partida. Raramente acelera o jogo ou recorre à ligação direta. A ideia é sair jogando com passes curtos e avançar aos poucos até o campo de ataque — analisa Coutinho.

'Temos nossas estratégias'

Se Messi é “Deus” nesta seleção,Enzo Fernández é uma espécie de curinga na formação em 4-4-2. O meia do Chelsea,da Inglaterra,pode atuar em praticamente todas as posições na faixa central do campo e se destaca pelas infiltrações na área,como no gol de cabeça que garantiu a virada por 3 a 2 sobre o Egito. Já De Paul faz o trabalho “sujo” no corredor direito,além do jogo associativo. Se pode faltar intensidade,a entrega na defesa se reflete nos números: é a segunda seleção com mais desarmes por jogo (20,8).

O meio-campista argentino número 24,Enzo Fernández,comemora após marcar o terceiro gol — Foto: ODD ANDERSEN / AFP

Consciente do tamanho da montanha que terá que escalar para seguir na Copa,o técnico da Suíça,Murat Yakin,aposta em seu meio-campo e na intensidade para impedir que a Argentina jogue em seu próprio ritmo.

— Certamente existem soluções. Estamos tentando ajustar a equipe e atuar como um coletivo em campo. Precisamos pressionar os jogadores que fazem a bola circular e manter a intensidade contra. Podemos falar muito,mas,no fim,tudo se resolve dentro de campo. Temos nossas estratégias para neutralizar Messi — garantiu Yakin.