
Camisas 10 em tons opostos,Messi e Bellingham lideram Argentina e Inglaterra — Foto: Chandan Khanna / AFP; ROBERTO SCHMIDT / AFP
GERADO EM: 14/07/2026 - 20:47
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A semifinal da Copa do Mundo 2026 entre Inglaterra e Argentina,que define a partir das 16h de hoje o adversário da Espanha na decisão do próximo domingo,coloca frente a frente dois protagonistas que conduzem suas seleções com forma quase opostas de dominar uma partida. De um lado,está Lionel Messi,um craque veterano que adaptou seu estilo com a passagem do tempo mas ainda consegue ser o centro das atenções na atual campeã mundial. Do outro,surge Jude Bellingham,um jovem que usa o vigor para ser a cara da campanha de um time versátil.
A seleção da Argentina sofreu uma revolução na própria história quando passou de vez a girar em torno de Messi — e o craque finalmente correspondeu. Aos 39 anos,um dos melhores nomes de todos os tempos no futebol aprendeu a conciliar o tempo com um jogo que faz parecer que ele está parado em campo,mas na verdade pensa nas melhores escolhas para finalizar ou municiar os companheiros. Não à toa,tem suportado atuar em partidas completas mesmo com duas prorrogações,como na segunda fase (Cabo Verde) e nas quartas de final (Suíça).
O ídolo argentino não tem a mesma condição de correr e buscar as jogadas como em outros tempos,por isso costuma aparecer mais em áreas avançadas,sem deixar de ser uma ameaça constante aos adversários. São oito gols e duas assistências na Copa,entre lances de bola rolando e parada,sendo sempre um ponto de busca dos demais jogadores.
Dados do site Opta mostram que Messi tem 54 participações em finalizações da Argentina na Copa,sendo 33 em chutes próprios e 21 em chances criadas. Tamanha produção é inversamente proporcional ao quanto ele corre.

Messi comemora após dar assistência para Mac Allister — Foto: Kevin C. Cox / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
Segundo estatísticas da Fifa,ele acumulou 46 km até agora em 608 minutos. Até o início da semifinal,a distância ocupava apenas a 85ª posição entre todos os jogadores do torneio,enquanto a velocidade média de 4,55 km/h o colocava no 580º lugar.
Uma relação que muitas vezes pode se confundir com dependência tem explicação ao se observar a Albiceleste em campo. A equipe de Lionel Scaloni passou a ser uma equipe muito mais cadenciada — e até aparentemente lenta — para encaixar Messi adequadamente ao esquema. O clichê que versa que a bola procurar o craque virou a tônica de um time que pauta seu jogo muito em cima dele,mas também conta com nomes capazes de brilhar nos momentos decisivos,como Julián Álvarez,autor de um golaço contra os suíços na prorrogação do último sábado.
O protagonista da Inglaterra na primeira parte da campanha foi Karry Kane,mas,nos triunfos mais recentes,contra México (oitavas) e Noruega (quartas),Jude Bellingham assumiu as rédeas. O meia do Real Madrid se tornou mais flecha do que arco e chegou a seis gols nesta Copa,mesma marca do companheiro centroavante,e dois abaixo de Kylian Mbappé,derrotado ontem,e de Messi.
O perfil goleador que marcou sua primeira temporada no clube espanhol voltou a florescer quando marcou dois gols em dois minutos contra os mexicanos,e repetiu a dose ao construir a virada sobre os noruegueses no último sábado,inclusive com um gol de oportunismo na prorrogação,após romper linhas da defesa adversária na grande área.
Porém,o comportamento em campo explica muito mais as atuações completas do que as bolas na rede. Aos 23 anos,Bellingham está em grande forma física e consegue desenvolver um jogo que parte desde o próprio campo e chega muito à área adversária. O treinador Thomas Tuchel levantou diversos debates quando não convocou estrelas como Phil Foden e Cole Palmer. Porém,ter um time mais voluntarioso ajudou a potencializar sua dupla de craques.

O meio-campista #10 da Inglaterra,Jude Bellingham,comemora depois de marcar o segundo gol de sua equipe durante a partida das quartas de final do torneio de futebol da Copa do Mundo de 2026 entre Noruega e Inglaterra — Foto: ROBERTO SCHMIDT /AFP
Bellingham costuma cair mais pela esquerda na seleção inglesa,e as presenças do ponta Anthony Gordon e do lateral Nico O’Reilly defendendo pelo mesmo lado têm sido um auxílio de luxo. O camisa 10 passou a ter mais liberdade para percorrer o meio-campo e,por vezes,aparecer como elemento surpresa com muita velocidade. Este papel faz com que ele pareça mais um segundo atacante por trás de Kane do que um criador de jogadas.
Isso tudo sem deixar de participar do jogo sem bola. Intenso no esquema de Tuchel,Bellingham está entre os líderes em arrancadas neste Mundial,com cerca de 55 sprints por partida,segundo dados do NetSI Sport. Em um desses,ele estava no lugar e hora certos quando o goleiro norueguês Nyland deixou escapar um rebote após chute de Morgan Rogers.
No último treino antes da semifinal,o meia argentino Rodrigo De Paul garantiu a jornalistas que este setor da equipe é recheado de líderes para sustentar o modelo de jogo.
— Esses torneios são definidos por detalhes. Acho que temos meias de muita liderança,os melhores do mundo. Ganhamos respeito no futebol porque somos campeões do mundo,e demonstramos valentia e coragem. E,além disso,queremos muito (vencer novamente) — declarou De Paul.
Já Kane projetou o confronto rasgando elogios a Messi,mas também ao coletivo:
— O jogo é contra a Argentina,não contra Messi. Sabemos que muita coisa gira em torno dele e que os companheiros confiam plenamente no que ele pode fazer com a bola. Será mais um desafio que teremos de superar — disse o atacante em entrevista à emissora britânica ITV.