Oceano

Calor extremo deixa mortos no Japão e na Coreia do Norte enquanto El Niño amplia alerta para o Sudeste Asiático

Aug 5, 2026 IDOPRESS

Em 4 de agosto de 2026,pessoas se protegem do calor com guarda-chuvas em Seul — Foto: GREG BAKER / AFP

Enquanto o calor extremo bate recordes e espalha seus impactos pelo Leste Asiático — deixando mortos na Coreia do Sul,agravando a situação das vítimas do terremoto no Japão e levando a Coreia do Norte a emitir alertas à população —,meteorologistas já fazem um novo alerta para o Sudeste Asiático. A expectativa é que a região,segundo o Centro Meteorológico Especializado da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean),enfrente condições mais quentes e secas do que o normal entre agosto e outubro,à medida que o El Niño se intensifica,elevando o risco de incêndios florestais de grandes proporções e de perdas nas colheitas.

Contexto: Onda de calor mata 16 pessoas na Coreia do Sul e leva Seul a emitir alerta máximo42,5°C: Coreia do Sul registra maior temperatura da história e manda população interromper atividades ao ar livre

Partes da região,incluindo grandes extensões da Indonésia,têm alta probabilidade de receber chuvas abaixo da média,de acordo com a análise de diversos modelos climáticos do órgão. As temperaturas também devem ficar acima da média para a região durante o período,completou o órgão.

Calor intenso se espalha pelo mundo — Foto: Editoria de Arte / O Globo

A previsão mais recente surge em meio a uma temporada de temperaturas recordes em regiões da Ásia. Entre 15 de maio e 3 de agosto,o calor intenso já provocou 19 mortes na Coreia do Sul,segundo a Agência Coreana de Controle e Prevenção de Doenças,acrescentando que 2.221 pessoas precisaram de atendimento por doenças relacionadas às altas temperaturas.

O país também bateu o recorde de calor três vezes na última semana. No domingo,foi registrada a temperatura mais alta de todos os tempos: 42,5°C na cidade de Yangsan. Nesta terça-feira,toda a capital Seul estava sob o nível máximo de alerta para uma "onda de calor severa",já que as previsões indicavam que as temperaturas chegariam novamente a 40°C.

Onda de calor mata 16 pessoas na Coreia do Sul e leva Seul a emitir alerta máximo — Foto: AFP

Diante do quadro,o presidente Lee Jae Myung classificou a onda de calor como um "desastre nacional" nesta terça-feira e pediu às autoridades que aumentem o apoio às pessoas afetadas. A categoria de "alerta de onda de calor severa" foi introduzida na Coreia do Sul neste ano,seguindo o exemplo de outras categorias semelhantes adotadas por outros países.

— Precisamos envidar esforços para uma revisão fundamental do sistema nacional de crises,uma vez que este clima extremo está se tornando normal — disse ele em uma reunião de gabinete nesta terça.

A onda de calor também expôs as desigualdades sociais na Coreia do Sul. Enquanto moradores de condomínios de luxo em Gangnam enfrentam as altas temperaturas em ambientes climatizados,habitantes da favela de Guryong vivem em barracos precários,muitas vezes sem acesso regular à eletricidade.

— Está tão quente que mal conseguimos respirar — relatou à AFP uma moradora de Guryong.

Na segunda-feira,os pedestres que se deslocavam para o trabalho na capital serpenteavam por entre trechos de sombra,evitando a luz solar direta mesmo nas primeiras horas da manhã,quando o clima ainda estava mais ameno. Alguns idosos,segundo a AFP,passaram a dormir ao ar livre para fugir do calor,enquanto autoridades abriram abrigos temporários e distribuíram equipamentos de refrigeração a famílias vulneráveis.

Incêndios,secas,calor extremo e fome: África sofre impacto desproporcional da crise climática e teme super El Niño

Por sua vez,na vizinha Coreia do Norte,a imprensa estatal orientou a população a evitar atividades ao ar livre e recomendou que agricultores adotem medidas para proteger as plantações do calor intenso. Segundo as autoridades,foram registradas temperaturas próximas de 40°C em partes da Coreia do Norte e uma sequência de noites "tropicais" em Pyongyang,mas não foram divulgados dados sobre mortes ou problemas de saúde relacionados ao calor.

Leoas mortas

Já no Japão,o calor extremo dificultou as operações de socorro após o terremoto de magnitude 7,1 que atingiu a província de Kumamoto,em 28 de julho. Com temperaturas acima de 38°C,mais de 46 mil famílias continuam sem abastecimento de água,enquanto milhares de pessoas seguem em abrigos ou dormem em carros por medo de novos tremores.

No domingo,autoridades japonesas confirmaram a morte de uma mulher de 70 anos,aparentemente por insolação,enquanto se abrigava em um carro,elevando para 38 o total de mortes relacionadas ao terremoto. O caso levou o governador de Kumamoto,Takashi Kimura,a pedir que os desalojados mantenham o ar-condicionado ligado nos veículos ou procurem centros de evacuação climatizados.

Terremoto: Polícia do Japão relata explosão em shopping center e pessoas presas sob piso desabado

Cerca de 18.600 pessoas foram levadas ao hospital devido a insolação entre 20 e 26 de julho,sendo que 45 delas foram declaradas mortas ao chegarem,de acordo com a agência de gestão de incêndios e desastres.

O Japão registra cerca de 1.300 mortes relacionadas ao calor anualmente e pretende reduzir esse número pela metade até 2030.

Alerta: El Niño vai se intensificar 'de forma constante' nos próximos três meses

O calor também tem afetado animais no país,levando à morte de três leoas por doenças relacionadas ao calor no Zoológico de Tama,em Tóquio. Chamadas Mugi,Ichigo e Ruena,as leoas morreram com cinco dias de diferença,segundo um comunicado divulgado pela instituição nesta segunda-feira.

Em meados de julho,os leões do zoológico começaram a apresentar sintomas de perda de apetite e redução da atividade física — possíveis sintomas de insolação. Em 22 de julho,10 dos 16 leões do local apresentavam sintomas tão graves que precisaram de tratamento.

As leos Mugi,Luena e Ichigo,que morreram em zoológico de Tóquio — Foto: Divulgação / Tama Zoological Park

O zoológico afirmou ser muito cedo para determinar a causa exata da morte das leoas,mas que os resultados iniciais da autópsia indicaram que as três sofreram de desidratação sistêmica e falência múltipla de órgãos. "Acreditamos que o estresse térmico foi um fator contribuinte",disseram em comunicado.

O parque também informou que o recinto dos leões,onde os visitantes normalmente podem passear em ônibus "safári" com estampa de zebra,está fechado ao público até novo aviso.

— Embora se acredite que os leões sejam resistentes ao calor,os tratadores de zoológicos têm reforçado as medidas para lidar com o calor do verão japonês nos últimos anos. O calor aqui vem acompanhado de alta umidade; isso é diferente do calor com ar seco na África — disse uma porta-voz à AFP.

Clima mortal: Sem medidas de adaptação eficazes,Europa aquece em ritmo superior à média global

A porta-voz disse que o calor "chegou de repente" neste verão,após o fim da estação chuvosa no final de julho.

— Estamos reforçando ainda mais as medidas contra o calor,aspergindo água,melhorando a ventilação e instalando aparelhos de ar condicionado pontuais — disse ela,acrescentando que vários leões ainda estão recebendo tratamento.

Em todo o país,outros zoológicos tiveram de intervir nas últimas semanas para proteger seus animais do calor escaldante. No zoológico do Parque Inokashira,também em Tóquio,a equipe suspendeu o programa de interação com porquinhos-da-índia ao ar livre até setembro,devido ao risco de altas temperaturas.

O zoológico de Ueno,também na capital,informou que disponibilizou uma piscina e instalou ventiladores e sistemas de nebulização para refrescar os animais. Em uma foto compartilhada no Instagram durante o calor do mês passado,pinguins do zoológico podiam ser vistos se refrescando sob jatos de água. E na ilha de Hokkaido,no norte do país,o zoológico de Asahiyama ofereceu blocos de gelo com mel e frutas para pandas e macacos.

O cenário na Ásia se soma a uma sequência de eventos extremos registrada neste verão no Hemisfério Norte. Nas últimas semanas,ondas de calor favoreceram grandes incêndios na Europa — na Grécia,Espanha e França —,na América do Norte e no norte da África,com milhares de pessoas obrigadas a deixar suas casas e equipes de emergência mobilizadas para conter as chamas.

Com agências internacionais.