
Kelly doou o útero para a irmã,Lauren — Foto: Reprodução | Youtube
Lauren Fowler acreditava que nunca poderia ser mãe. Nascida sem útero em razão da síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (MRKH),uma rara condição congênita que afeta o desenvolvimento do aparelho reprodutor,ela agora está grávida de 26 semanas após receber o útero da própria irmã,Kelly Jagga,em um transplante realizado em maio de 2025,no Reino Unido.
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Lauren e Kelly contaram a história nesta segunda-feira,dia 17,durante participação no programa britânico This Morning,da ITV. Lauren estava acompanhada do noivo,David Funnell. O casal espera um menino,que deverá nascer por cesariana por volta de outubro. Como a gestação é considerada de alto risco,ela passa por exames a cada duas semanas.
Lauren tem o tipo 1 da síndrome MRKH,o que significa que ela possui ovários e trompas de falópio funcionais,mas nasceu sem útero,colo do útero e parte superior da vagina. A ausência do útero impede a menstruação e a gestação.
A descoberta aconteceu quando Lauren tinha 15 anos e procurou atendimento médico porque ainda não havia menstruado. Ela conta que a notícia mudou completamente seus planos de vida.
— Eu sempre achei que crianças fariam parte do meu futuro,e descobrir aos 15 anos que não tinha útero foi como uma bomba explodindo nos meus planos — afirmou.

Com gravidez considerada de alto risco,Lauren precisa fazer exames a cada duas semanas — Foto: Reprodução | Instagram
Anos depois,em 2010,Lauren tomou conhecimento de pesquisas sobre transplante de útero e entrou em contato com a organização britânica Womb Transplant UK. Inicialmente,os estudos envolviam apenas órgãos de doadoras mortas. Quando o programa passou a avaliar doadoras vivas,ela procurou Kelly,sua única irmã.
Na época,Kelly já era mãe de três filhos e afirmou que doaria o útero quando terminasse de aumentar a família. O transplante foi realizado em 11 de maio de 2025 e durou cerca de 11 horas.
A cirurgia foi bem-sucedida,mas a recuperação de Lauren teve uma complicação grave. Semanas depois,ela desenvolveu uma obstrução intestinal provocada por tecido cicatricial que havia unido cerca de 50 centímetros do intestino. Foram necessárias duas cirurgias,incluindo uma intervenção de emergência que durou oito horas. Lauren permaneceu internada por mais de dois meses,recebeu transfusões de sangue e perdeu cerca de 10 quilos em poucas semanas.
— Eu poderia passar pelo transplante novamente várias vezes,mas aquela obstrução intestinal quase acabou comigo — contou.
Apesar da complicação,o útero transplantado não foi rejeitado pelo organismo. Lauren também passou a menstruar depois da cirurgia,algo que nunca havia acontecido antes. Os primeiros ciclos foram muito intensos. Em uma ocasião,ela chegou a desmaiar devido ao sangramento.

Lauren,à esquerda,com a irmã Kelly dois dias após o transplante,no ano passado — Foto: Reprodução | Instagram
Após se recuperar,Lauren e David iniciaram o processo de fertilização in vitro. Os embriões haviam sido criados antes do transplante,já que a paciente precisava receber medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição do órgão.
A primeira tentativa de implantação terminou em aborto espontâneo,com cinco semanas de gestação. Lauren tentou novamente e engravidou em março deste ano. O início da nova gravidez também foi marcado por medo: ela teve um sangramento no Dia das Mães britânico e chegou a acreditar que perderia novamente o bebê.
A gestação,no entanto,evoluiu. Atualmente,Lauren consegue sentir os movimentos do filho,que começou a chutar com mais frequência desde o fim de junho.
— Eu quero muito isso,mas uma parte de mim ainda tem medo de que dê errado — disse.
A gravidez também representa um marco para os estudos britânicos sobre transplante de útero. Lauren deverá ser apenas a terceira mulher no Reino Unido a dar à luz após receber um útero transplantado. A primeira foi Grace Davidson,que recebeu o órgão da irmã e deu à luz uma menina em fevereiro de 2025. Meses depois,Grace Bell teve um filho após receber o útero de uma doadora morta,no primeiro caso britânico desse tipo.
Os transplantes fazem parte de um estudo que pretende avaliar a segurança do procedimento e,futuramente,ampliar o acesso à técnica pelo sistema público de saúde britânico. O programa prevê 15 transplantes. Até agora,cinco foram realizados,sendo dois com doadoras vivas e três com órgãos de doadoras mortas.
Segundo o professor Richard Smith,cirurgião ginecológico do Imperial College Healthcare NHS Trust e um dos responsáveis pelos procedimentos,mais de 500 mulheres já procuraram a organização britânica interessadas em receber um transplante.


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A influenciadora Bruna Biancardi anunciou a terceira gravidez com o jogador Neymar Jr. neste mês A novidade foi compartilhada por meio de um vídeo de chá revelação nas redes sociais: o casal está à espera de mais uma menina — Foto: Reprodução/Instagram
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O procedimento,porém,ainda é complexo e envolve riscos tanto para a doadora quanto para a receptora. Além disso,mulheres que recebem o órgão precisam tomar medicamentos imunossupressores para impedir a rejeição. O útero costuma ser retirado depois de alguns anos,após a conclusão do projeto reprodutivo da paciente.
Lauren e David ainda não decidiram se tentarão ter um segundo filho. Mulheres submetidas ao transplante podem ter até duas gestações antes da retirada do órgão.
— Vamos decidir quando finalmente tivermos esse bebê nos braços. Acho que é quando os instintos de pais vão aparecer — afirmou Lauren.
Kelly,que já tem três filhos,disse que as crianças estão ansiosas para conhecer o novo primo.
— Eles estão muito animados para conhecer o primo. E pelo fato de eles terem esse vínculo especial por causa do útero que compartilhariam — afirmou.
Para Lauren,a experiência também aproximou ainda mais as duas irmãs,e revelou que decidiu tornar pública sua história para oferecer esperança a meninas e mulheres que receberam o mesmo diagnóstico que ela.
— Sempre fomos muito próximas,mas não acho que poderíamos passar por algo assim sem que isso fizesse diferença e nos aproximasse ainda mais — disse Kelly.
O bebê deverá nascer por cesariana por volta de 32 semanas de gestação,antecipadamente em relação a uma gravidez convencional,para reduzir a sobrecarga sobre o útero transplantado. Depois do parto,Lauren e David planejam se casar no próximo ano.