
Escolhas. Lula discursa no STF na volta do Judiciário após o recesso: ministros da Corte se envolveram nas articulações pelas vagas — Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF
GERADO EM: 05/05/2026 - 22:03
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem considerado a possibilidade de mudar o principal critério de escolha que adotou para indicar ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) em seu terceiro mandato. De acordo com aliados,Lula está disposto a escolher um nome que não tenha rótulo de amigo pessoal e de relação próxima. Diante da maior derrota sofrida no Congresso no seu governo,com a rejeição de Jorge Messias no plenário do Senado na última quarta-feira,Lula deve examinar um leque maior de opções para sua indicação,sem necessariamente optar por um nome da sua cozinha.
As três escolhas anteriores de Lula foram guiadas pelo critério de proximidade e confiança estrita: Cristiano Zanin,seu advogado durante os processos da Lava-Jato; Flavio Dino,ministro da Justiça; e depois Jorge Messias,advogado-geral da União. Todos eram nomes com os quais Lula tinha convivência e considerados leais ao presidente.
Diferente dos dois primeiros mandatos,quando recebia um cardápio de sugestões levado por auxiliares e conselheiros jurídicos,Lula passou a tratar a escolha de integrantes da Corte como um assunto pessoal e intransferível.
Mais de uma vez,o petista deixou claro que não se deixaria influenciar e nem cederia a pressões,preservando a prerrogativa de ter a palavra final sobre a indicação. Agora,não deve ser diferente,mas o rol de nomes a serem considerados será ampliado para que não haja tanta dificuldade de aprovação entre os senadores,como ocorreu com Messias.
Na visão de pessoas próximas,Lula deve considerar nomes que não necessariamente tenha uma relação próxima com ele,mas que o presidente conheça a trajetória,tenha boas referências e ligação com o campo progressista.
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Nas palavras de um interlocutor,Lula está disposto a mudar seu método para chegar ao mesmo objetivo: ter um nome de sua escolha no STF. Defendida pela esquerda,a escolha de uma mulher é um cenário considerado,mas não existe um nome que tenha caído nas graças de Lula até agora.
Lula não se privará de enviar um novo nome ao Congresso para não passar o recibo de que a palavra final sobre a escolha do indicado ficou nas mãos do Senado,que rejeitou Messias,com apenas 34 votos favoráveis,enquanto eram necessários um mínimo de 41. Nesta segunda-feira,o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou em São Paulo que Lula escolherá um novo indicado:
— Eu acho que o presidente Lula está definindo a sua nova indicação — Alckmin.
Segundo aliados,ainda não há nomes favoritos à mesa. Nesta semana,Lula está focado na preparação para a viagem aos Estados Unidos,onde encontrará o presidente Donald Trump na quinta-feira na Casa Branca.
Após a volta,deve intensificar conversas sobre o assunto. Auxiliares afirmam que Jorge Messias não deve ser reapresentado como indicado,o que,na visão do seu entorno,representaria uma declaração de guerra ao Congresso. Lula não quer escalar a tensão com o presidente do Senado,Davi Alcolumbre (União-AP),mas não abrirá mão da nova escolha.