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O cálculo de Lula ao não pedir uma reunião com Donald Trump na França

Jun 16, 2026 IDOPRESS

O presidente da República,Luiz Inácio Lula da Silva,durante encontro com Donald Trump na Casa Branca. — Foto: Ricardo Stuckert/PR

A decisão do presidente Lula de embarcar para a França para a reunião de cúpula dos países do G7 sem pedir oficialmente nenhum encontro com Donald Trump,dos Estados Unidos,obedeceu a um cálculo de “redução de danos”.

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A aliados próximos,Lula explicou os motivos pelos quais ele concluiu que não seria uma boa pedir uma reunião com Trump a esta altura do campeonato,apesar da apreensão do Brasil com o tarifaço imposto a produtos brasileiros no início de junho.

Além da taxa de 25%,os Estados Unidos avaliam impor uma tarifa de 12,5% por supostas falhas relacionadas ao “trabalho forçado” a 60 países,incluindo o Brasil. Houve ainda a decisão de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em outro episódio que desagradou ao governo Lula,Trump recebeu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Casa Branca.

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O primeiro motivo para Lula não insistir com Trump é que ele não teria nada de novo a dizer para o americano,uma vez que os dois já tiveram uma reunião conjunta com ministros brasileiros e auxiliares de Trump há apenas cinco semanas,e acertaram um calendário de conversas bilaterais entre integrantes do segundo escalão de ambos,que ainda está em curso.

Outra razão é que,para o presidente brasileiro,o governo americano é uma “bagunça’,dividido entre facções com opiniões diferentes sobre como agir em relação à América Latina e ao Brasil,que fazem com que Trump mude de opinião conforme o momento e o tema. Nesse cenário,seria perda de tempo se esforçar para agendar uma reunião formal,se expor e depois sofrer novo desgaste caso o presidente do EUA combine uma coisa e faça outra,como já aconteceu.

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Para Lula,o que é possível fazer está sendo feito pelo ministro do Desenvolvimento,Indústria e Comércio Exterior,Márcio Elias Rosa,que vem negociando diretamente com o representante comercial dos EUA,Jamieson Greer,e o secretário de Comércio,Howard Lutnick. Os dois já tiveram uma reunião virtual no sábado e devem ter outra reunião técnica nos próximos dias.

A estratégia de Lula obedece ainda a uma constatação bastante pragmática do ponto de vista doméstico e eleitoral: a de que o anúncio do tarifaço por Trump beneficiou sua candidatura à reeleição e prejudicou a de Flávio Bolsonaro (PL). Foi o que indicou a pesquisa Genial/Quaest divulgada na semana passada. Segundo o levantamento,47% dos entrevistados responderam que Lula representa melhor o patriotismo e o discurso de defesa do Brasil,enquanto 37% atribuíram a Flávio.

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Na mesma pesquisa,questionados sobre o tarifaço dos Estados Unidos,47% responderam concordar mais com o petista,que acusa o filho 01 de Jair Bolsonaro de ter articulado as tarifas junto a Trump,enquanto 35% se alinharam ao pré-candidato do PL,que afirma ter pedido ao presidente americano que não impusesse novas sanções à economia brasileira.

Isso não quer dizer que Lula não gostaria de ter uma palavrinha com Trump durante o encontro,se surgir a oportunidade. Mas aí seria uma reunião rápida e eventual,sem criar expectativas que podem ser frustradas e nem riscos à imagem do brasileiro.