
À esquerda da foto,prédio de sete andares que será transformado em depósito público em Ipanema — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
GERADO EM: 08/07/2026 - 21:10
O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO
Entre as ações que farão parte do Programa Tolerância Zero,que promete o ordenamento de trecho da orla da Zona Sul do Rio entre o Leme e o Leblon por parte do município,está o combate a depósitos clandestinos no entorno das praias. Pelo menos 22 já foram mapeados pela prefeitura na região. Como alternativa,o município decretou nesta semana a desapropriação de dois imóveis — um em Copacabana e outro em Ipanema — para serem transformados em depósitos públicos.
Orla sitiada: Facções exigem taxa de até R$ 300 por dia de ambulantes nas praias do Rio e faturam R$ 100 milhões por anoTolerância Zero: Prefeitura diz que ambulantes autorizados têm identificação,mas moradores contestam e cobram coletes
Atualmente,Maria dos Camelôs,coordenadora-geral do Movimento Unido dos Camelôs (MUCA),explica que atualmente todos os depósitos são clandestinos. Neles,são guardados carrocinhas usadas por ambulantes que trabalham na orla,assim como cadeiras e guarda-sois de barraqueiros,por exemplo.
O valor cobrado de cada trabalhador varia,segundo ela: um carrinho guardado pode custar R$ 50 por semana,enquanto um triciclo pode chegar aos R$ 100 semanais. Conforme o tamanho do produto guardado,a cobrança aumenta,tudo na informalidade.

Carrocinhas instaladas no calçadão de Copacabana: prefeitura anunciou programa Tolerância Zero — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Continuar Lendo
Audiência na próxima segunda-feira: Rodoviários rejeitam proposta de aumento de 4,5% oferecida por empresas de ônibus e decidem manter estado de greve
Um decreto publicado na última terça-feira declarou a utilidade pública — para fins de desapropriação — de dois imóveis. Um deles fica no número 95 da Rua Teixeira de Melo,em Ipanema,próximo a um dos acessos da estação General Osório do metrô e ao lado do Pavão-Pavãozinho. Com sete andares,o prédio tem paredes pichadas (inclusive com iniciais de uma facção criminosa) e tapumes cercando a sua entrada.

Prédio em Ipanema será transformado em depósito público — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Já em Copacabana,o espaço fica na Rua Miguel Lemos 76. Também com algumas pichações na fachada,o prédio de 15 andares é um antigo edifício-garagem,conforme detalhado pelo prefeito Eduardo Cavaliere durante coletiva na última terça-feira. Segundo ele,são dois "edifícios vazios".

Prédio na Rua Miguel Lemos,em Copacabana: desapropriação decretatada para transformá-lo em depósito público — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Operação Unha e Carne: Ex-prefeito Márcio Canella é preso pela PF após apreensão de fuzil em seu carro
— São duas estruturas muito robustas,em áreas estratégicas,para a gente poder servir,aí,sim,como um depósito legalizado,público,para atender,servir,dar uma melhor qualidade de trabalho,um melhor apoio logístico e um controle daquele que é um trabalhador legalizado,diferenciando ele da atividade ilegal no espaço público — disse Cavaliere na ocasião.
O GLOBO procurou a Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop) para detalhar como serão esses depósitos públicos,como o valor que será cobrado para guardar equipamentos dos ambulantes e se quem fará a gestão do espaço será o município. A resposta,no entanto,apenas mencionou que o município "já publicou o decreto para a desapropriação de dois imóveis destinados à implantação de depósitos legalizados na região".
Na Avenida Brasil: Procurado por morte de policial rodoviário em 2022,na Transolímpica,é preso em ação da PRF
Ainda de acordo com a Seop,a prefeitura contabiliza 1.030 ambulantes legalizados no trecho da orla alvo do novo programa: Copacabana concentra a maioria deles (598),bairro seguido de Ipanema (228),Leblon (141) e Leme,que tem 63. Além deles,há ainda os barraqueiros credenciados junto à prefeitura,que não estão incluídos nessa conta.
Por outro lado,o município calcula,a partir de relatórios de inteligência,mil pontos de venda ilegais na orla. Desde o último domingo,O GLOBO publicou uma série de reportagens mostrando justamente a desordem nas praias do Rio.
Sobre custos e convites: Show de Roberto Carlos na inauguração da Arena Niterói é alvo de questionamentos
Caixas de som nas alturas de madrugada,ocupação irregular do calçadão e comércio ilegal foram retratadas nas matérias,assim como a disputa de facções — o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Comando Vermelho (CV) — na faixa de areia entre Leme e Copacabana.
Com o fim do “pacto de não agressão”,brigas,perseguições,revistas em celulares e até homens armados passaram a disputar a areia. Além da venda de drogas,O GLOBO mostrou que os grupos criminosos disputam também justamente a exploração do comércio ambulante.
O poder público identificou ainda a cobrança diária de até R$ 300 por parte das facções criminosas a ambulantes,para poderem usar o espaço público. Anualmente,a chamada "logística criminosa" — como definiu Marcus Belchior,titular da Seop — movimenta cerca de R$ 100 milhões.
Greve dos ônibus: Nova rodada de negociação está marcada para segunda-feira; rodoviários rejeitam proposta das empresas
No ano passado,a prefeitura também já havia criado outros decretos para tentar colocar ordem nas praias. Inicialmente,a comercialização de garrafas de vidro foi proibida em toda a orla,assim como as músicas em quiosques. As regras,depois,foram afrouxadas.
Em novembro,passou a vigorar a regra que estipulou uma faixa horária (de 12h às 22h) para as apresentações musicais nos quiosques. A venda de garrafas de vidro também foi permitida nos quiosques,enquanto as barracas poderiam usá-las para preparar caipirinhas.
Barraqueiros não puderam mais fincar bandeiras na areia,além de serem obrigados a usar faixas padronizadas com o nome e número das barracas. Essas mudanças mudaram a rotina nas praias e foi percebida pelos frequentadores.
Retomada de fôlego: Niterói volta ao mapa da indústria naval com construção de quatro navios e até 1.500 empregos
Por outro lado,a prefeitura foi reforçou ainda,por meio dos decretos do ano passado,a proibição da comercialização de alimentos em palitos,como churrasquinho,camarão e queijo coalho,assim como de outros que necessitem de gás (como o milho-cozido) ou carvão para o preparo. O uso de estruturas móveis de comércio ambulante,como carrocinhas de alimentos,sem autorização expressa do município,também foi proibido. Essas práticas,seguem comuns.
Agora,a partir do próximo dia 16,a promessa do município é controlar a chegada dos vendedores ambulantes às praias. A principal missão das equipes da Seop será impedir a instalação de carrinhos,estruturas improvisadas e o abastecimento de mercadorias destinadas ao comércio clandestino.
Ação repercute nas redes: Pintura que homenageava o influenciador digital Tettrem é apagada em São Gonçalo
Haverá,para esse trabalho,69 "pontos de interesse" nos acessos à praia entre o Leme e o Leblon. De acordo com a Seop,haverá pelo menos uma dupla de agentes atuando em turnos de 12 horas,"abordando todos os ambulantes que tentarem acessar a praia e impedindo a entrada daqueles que não são regularizados".
A medida é válida para a faixa de areia,calçadões,ciclovias,praças,canteiros,além de todas as áreas públicas compreendidas entre os prédios e a faixa do mar nesse trecho de 8,5 quilômetros entre o Leme e o Leblon.