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Como a aposta na China se voltou contra a Volkswagen? Entenda

Jul 12, 2026 IDOPRESS

A expansão da Volkswagen na China impulsionou a empresa por décadas,mas agora a gigante automotiva alemã enfrenta forte concorrência das montadoras chinesas em mercados ao redor do mundo. Na foto,um estande da Volkswagen no Salão do Automóvel de Xangai — Foto: Qilai Shen/The New York Times

RESUMO

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GERADO EM: 10/07/2026 - 21:10

Volkswagen Enfrenta Desafios na China e Planeja Reduzir Portfólio

A Volkswagen enfrenta sérios desafios após décadas de sucesso na China,seu maior mercado. A transição lenta para veículos elétricos deixou a empresa atrás de concorrentes chineses,resultando em queda significativa nas vendas. Com o avanço agressivo das montadoras chinesas globalmente,a Volkswagen planeja reduzir pela metade seu portfólio de modelos e pode fechar fábricas na Europa. A empresa alemã agora busca recuperar terreno com novos modelos elétricos,mas enfrenta um mercado em rápida transformação.

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A Volkswagen enfrenta problemas em várias partes do mundo,o que a levou a anunciar,na quinta-feira,que reduzirá em até metade o número de modelos que oferece. No entanto,muitos de seus desafios têm origem na China.

Crise: Volks registra forte queda em suas vendas globais,prejudicadas por seu maior mercado,a ChinaImpasse: Volkswagen cortará até metade dos modelos e pode fechar fábricas para enfrentar avanço das montadoras chinesas

A montadora alemã,segunda maior do mundo,atrás apenas da Toyota,liderou o mercado chinês — o maior mercado automobilístico do planeta — durante quatro décadas. Por muitos anos,as joint ventures e fábricas da empresa na China responderam por metade ou mais dos lucros globais da companhia,ajudando a Volkswagen a manter altos salários e benefícios generosos para sua enorme força de trabalho na Alemanha.

Mas as vendas da Volkswagen na China no ano passado caíram um terço em comparação com 2019,à medida que a empresa ficou para trás de seus concorrentes chineses na transição para os carros elétricos.

A base de produção da joint venture SAIC-Volkswagen em Xangai — Foto: Qilai Shen/The New York Times

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E o desempenho continua piorando: entre abril e junho,as vendas na China recuaram mais um terço em relação ao mesmo período do ano anterior,um resultado fraco até mesmo para os padrões da economia chinesa,que enfrenta desaceleração e um mercado automobilístico em retração.

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A Volkswagen agora também enfrenta uma concorrência cada vez mais forte de fabricantes chineses em mercados fora da China. Os carros chineses estão invadindo a América Latina e a África,regiões onde a Volkswagen tradicionalmente figurava entre as líderes de mercado. E,na União Europeia — o mercado doméstico da VW —,as montadoras chinesas ultrapassaram as japonesas em participação de mercado em maio.

A rápida expansão dessas fabricantes chinesas de baixo custo na Europa está pressionando fortemente a Volkswagen e outras montadoras europeias a reduzir preços,diminuindo suas margens de lucro.

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A Volkswagen não forneceu detalhes na quinta-feira sobre como pretende enxugar suas operações em linha com uma gama mais limitada de modelos. A empresa afirmou que pretende produzir 9 milhões de veículos por ano,abaixo da meta de 12 milhões antes da pandemia de Covid-19 e da meta mais recente de 10 milhões.

O ID. Unyx 07,modelo totalmente elétrico da Volkswagen desenvolvido na China,no Salão do Automóvel de Pequim — Foto: Gilles Sabrié/The New York Times

Reportagens da imprensa alemã sugeriam que a Volkswagen se preparava para demitir até 100 mil trabalhadores até o fim da década e fechar quatro fábricas na Europa.

Os problemas da Volkswagen relacionados à China remontam,em parte,a decisões tomadas muitos anos atrás. Quase duas décadas atrás,os dirigentes da empresa na Europa mostraram ceticismo enquanto o governo chinês incentivava a indústria automobilística do país a migrar para os veículos elétricos.

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Assim como outras multinacionais,a Volkswagen relutou em desenvolver do zero uma linha completa de carros elétricos antes que o público chinês demonstrasse uma preferência clara por esses modelos. Já as montadoras chinesas,em geral,confiaram nas intenções de Pequim e planejaram seus investimentos de acordo.

Os bancos estatais chineses também concederam empréstimos bilionários às montadoras locais com juros baixos,enquanto governos regionais ofereceram apoio financeiro que ajudou essas empresas a arcar com os pagamentos de juros e as sustentou caso enfrentassem dificuldades financeiras.

Um carro BYD Atto 3 nas ruas de Frankfurt,na Alemanha. A montadora chinesa vem ganhando espaço no próprio território da Volkswagen — Foto: Felix Schmitt/The New York Times

Neste ano,a Volkswagen lançou o primeiro de vários modelos desenvolvidos na China para serem totalmente elétricos e oferecerem ampla conectividade à internet: o ID. Unyx 07. Segundo a Volkswagen e analistas,sua arquitetura eletrônica abrangente proporciona uma redução significativa de custos.

"Nos últimos três anos renovamos completamente nosso portfólio de produtos",afirmou Ralf Brandstätter,presidente e CEO do Grupo Volkswagen China,em resposta por e-mail a perguntas. "Neste ano estamos lançando nossa maior ofensiva de produtos de todos os tempos,com 20 modelos inteligentes e eletrificados chegando ao mercado."

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Mas os novos modelos da Volkswagen na China chegaram tarde. Em 2024 e 2025,o governo chinês ofereceu subsídios generosos para famílias trocarem carros movidos a gasolina por veículos elétricos. Como resultado,muitos consumidores chineses que desejavam um carro elétrico já fizeram essa compra.

A fábrica da Volkswagen nos arredores de Hefei,na China — Foto: Qilai Shen/The New York Times

Para piorar,Pequim reduziu significativamente esses subsídios no início deste ano,depois que eles passaram a representar um peso para o orçamento público. As vendas totais do setor de veículos totalmente elétricos e híbridos plug-in na China caíram 14% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado.

"As montadoras estrangeiras na China perderam o bonde dos veículos elétricos",afirmou Stephen Dyer,chefe da divisão automotiva e industrial da Ásia da AlixPartners,empresa global de consultoria.

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Inicialmente,a Volkswagen tentou adaptar alguns modelos existentes movidos a gasolina para versões elétricas. Isso deixou a empresa despreparada quando a Tesla acelerou sua produção e vendas na China em 2020,impulsionando uma rápida e quase generalizada adoção dos carros elétricos no país.

O ID.Hub da Volkswagen,um showroom dedicado exclusivamente a veículos elétricos,em um shopping center em Xangai — Foto: Qilai Shen/The New York Times

Desde então,um padrão ficou evidente. Algumas fabricantes,como Tesla e Xiaomi,vendem apenas veículos elétricos. A BYD,empresa chinesa que disputa com a Tesla a liderança mundial nas vendas de veículos elétricos,também comercializa híbridos equipados com baterias grandes e pequenos motores a gasolina.

Algumas montadoras chinesas que antes produziam principalmente veículos a combustão passaram a concentrar metade ou mais de suas vendas em modelos elétricos,especialmente a Geely,que hoje rivaliza com a BYD pela liderança do mercado chinês. Já multinacionais como Volkswagen,General Motors e Ford continuam oferecendo principalmente carros movidos a gasolina.

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Entretanto,as vendas de carros a gasolina na China despencaram neste ano em um ritmo quase duas vezes maior que a queda nas vendas de veículos totalmente elétricos e híbridos plug-in.

A participação da Volkswagen no mercado chinês de carros movidos a gasolina até aumentou ligeiramente. Mas,como mais de três em cada cinco carros novos vendidos na China hoje são totalmente elétricos ou híbridos plug-in,sua força nesse segmento em rápida contração não foi suficiente para impedir a queda nas vendas totais da empresa.

"As dificuldades da Volkswagen na China decorrem principalmente da lentidão de sua própria transformação",afirmou Cui Dongshu,secretário-geral da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros.

O colapso do mercado imobiliário tornou cada vez mais difícil para milhões de famílias chinesas comprar um carro novo,fazendo com que o excesso de produção das fábricas chinesas fosse direcionado para exportação. Além disso,a China manteve sua moeda desvalorizada,permitindo que suas montadoras vendessem carros a preços mais competitivos nos mercados internacionais.

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As exportações chinesas de automóveis dispararam de 1 milhão de unidades em 2020 para 8 milhões no ano passado,e devem alcançar 12 milhões neste ano. Como comparação,todo o mercado automobilístico da União Europeia movimentou cerca de 11 milhões de veículos no ano passado.

Além de correr atrás do atraso em sistemas de transmissão em relação às concorrentes chinesas,a Volkswagen também demorou mais para dominar softwares automotivos e outras tecnologias eletrônicas. A empresa alemã seguiu os padrões da indústria europeia,testando por mais tempo os recursos de direção autônoma antes de introduzi-los em veículos produzidos em massa.

O painel eletrônico principal dentro de um Xiaomi SU7 no Salão do Automóvel de Pequim — Foto: Gilles Sabrié/The New York Times

Enquanto a Volkswagen realizava testes de forma meticulosa,as montadoras chinesas passaram a oferecer amplamente essas tecnologias,apesar de acidentes ocasionais.

A Volkswagen também demorou mais do que seus concorrentes chineses para adotar painéis digitais chamativos com grandes telas,que funcionam como uma extensão do smartphone do motorista. Em comparação,os carros da Volkswagen começaram a parecer antiquados.

A empresa começou a exportar veículos produzidos na China para a Ásia Central e o Oriente Médio. Também passou a buscar maneiras de utilizar as tecnologias desenvolvidas por seus engenheiros chineses na América do Sul e na África.

"A Volkswagen China tem potencial para se tornar tanto um polo exportador quanto uma fornecedora de tecnologia para o Sul Global",afirmou Brandstätter,principal executivo da empresa na China.