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Israel avança com barreira que divide Gaza enquanto ONU denuncia intensificação dos ataques

Jul 22, 2026 IDOPRESS

Familiares carregam os corpos de palestinos mortos em um ataque israelense no bairro de Sabra,durante funeral na Cidade de Gaza — Foto: Omar al-Qattaa/AFP

RESUMO

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GERADO EM: 21/07/2026 - 18:17

Israel avança em barreira na Faixa de Gaza; ONU critica ataques

Israel avança na construção de uma barreira de terra na Faixa de Gaza,separando metade do território sob controle israelense. Segundo imagens de satélite,mais de 23 km foram concluídos,intensificando tensões enquanto a ONU denuncia ataques israelenses que mataram 57 palestinos. A linha,parte do cessar-fogo com o Hamas,afeta a população local em meio à destruição e condições precárias.

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Imagens de satélite indicam que Israel está construindo rapidamente uma extensa barreira de terra na Faixa de Gaza,separando mais de metade do território sob controle israelense do restante do enclave. Até o momento,segundo as imagens do Planet Labs PBC,mais de 23 quilômetros já foram construídos nos últimos meses,atravessando áreas devastadas pela guerra. Os avanços ocorrem nove meses após o anúncio do cessar-fogo na Faixa de Gaza,e em meio à intensificação dos ataques israelenses no enclave,denunciados pela ONU nesta terça-feira,que deixaram ao menos 57 palestinos mortos na última semana.

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O Exército israelense confirmou à agência americana Associated Press a construção da barreira ao longo da chamada "Linha Amarela",limite estabelecido no acordo de cessar-fogo de outubro passado com o grupo militante Hamas como uma divisão temporária até uma retirada mais ampla das tropas de Israel do território. Na época,a zona demarcada pela linha equivalia a 53% de Gaza,mas recentemente,o premier israelense,Benjamin Netanyahu,disse ter ordenado a ampliação da ocupação para 70% do enclave.

As imagens mostram que,somente entre 1º e 15 de julho,um trecho no sul do enclave cresceu de cerca de 500 metros para 2,4 quilômetros,ligando as ruínas de Rafah à região de Muwasi,onde estão grandes acampamentos de deslocados pelo conflito entre Israel e Hamas,iniciado em 7 de outubro de 2023 com um ataque do grupo a Israel,deixando cerca de 1.200 mortos. Outro segmento,iniciado em fevereiro,já se estende por cerca de 17 quilômetros entre Khan Younis,no sul,e a Cidade de Gaza,na região central. Também há trechos isolados no norte do território,nas proximidades de Beit Lahia.

Israel constrói barreira de extensão quilométrica em Gaza — Foto: Editoria de Arte / O Globo

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Além da barreira,Israel afirmou à AP ter criado uma "zona de segurança" equipada com sistemas de inteligência e tecnologia sob a alegação de impedir infiltrações e proteger tropas e comunidades israelenses próximas ao enclave palestino. Os militares,no entanto,não detalharam a extensão da obra.

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Segundo a análise da AP,a maior parte da população de Gaza está concentrada nessa estreita faixa costeira a oeste desta Linha Amarela,vivendo em acampamentos precários e dependente de ajuda humanitária. Do outro lado dessa fronteira,imagens de satélite mostram cidades como Rafah praticamente destruídas,além da construção de novas estradas e bases militares israelenses sobre áreas antes habitadas.

Israel afirma que as demolições têm como objetivo eliminar infraestrutura usada pelo Hamas,e que a Linha Amarela está sendo demarcada para reduzir confrontos e evitar danos a civis,embora o traçado nunca tenha sido claramente definido no acordo de cessar-fogo nem por autoridades israelenses ou americanas. Em termos de prazos,o futuro de Gaza — sua reconstrução e administração — segue sem uma definição,apenas com acenos sobre intenções. A primeira fase do acordo — cessação imediata das hostilidades junto com libertação dos últimos reféns israelenses e entrega de corpos em troca de presos palestinos — foi implementada na ocasião,mas as etapas seguintes não avançaram: Israel exige o desarmamento completo do Hamas,que resiste a entregar suas armas,apesar de ter declarado recentemente o fim de seu órgão de governo do enclave.

Enquanto isso,os cerca de 2,1 milhões de habitantes de Gaza seguem vivendo entre ruínas deixadas pelos ataques de Israel,que,segundo a ONU,destruíram ou danificaram cerca de 80% dos prédios do enclave,criando um cenário de terra arrasada.

Embora o Conselho de Paz — a controversa iniciativa internacional liderada pelo presidente dos Estados Unidos,Donald Trump,com o intuito de supervisionar o cessar-fogo —,afirme ter recebido promessas de aproximadamente US$ 17 bilhões (cerca de R$ 86,9 bilhões) para a reconstrução do enclave (grande parte oriunda de países do Golfo),apenas uma fração desses recursos foi efetivamente arrecadada até agora.

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Intensificação dos ataques

Com o impasse nas negociações,palestinos temem que a linha israelense se torne uma fronteira permanente,enquanto a falta de avanços concretos tem aumentado a preocupação de organizações humanitárias que atuam no território.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos denunciou nesta terça-feira a recente "intensificação" dos ataques do Exército israelense em Gaza,que causaram pelo menos 57 mortes entre 13 e 20 de julho,incluindo seis crianças e oito mulheres. Desde o começo do cessar-fogo,o Ministério da Saúde de Gaza já registrou a morte de mais de 1.100 palestinos — ao todo,mais de 73 mil palestinos já morreram,entre eles cerca de 20 mil crianças e adolescentes.

Nove meses após o anúncio do cessar-fogo,"ainda não há lugar seguro para os palestinos em Gaza",disse o porta-voz do alto comissário,Thameen al-Kheetan,a repórteres em Genebra,lamentando que o Exército israelense tenha "intensificado seus ataques no território nos últimos dias",matando e ferindo dezenas de palestinos. Segundo ele,esses bombardeios afetaram prédios residenciais,pelo menos uma tenda que abrigava pessoas deslocadas e outras áreas densamente povoadas.

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Segundo a Defesa Civil de Gaza,que atua sob a autoridade do Hamas,um bombardeio atingiu durante a madrugada a casa da família al-Masri,na Cidade de Gaza. O hospital al-Shifa confirmou ter recebido os corpos das vítimas e vários feridos. No local,equipes da AFP constataram danos significativos na residência,cujo telhado ficou praticamente destruído e parcialmente carbonizado.

No hospital,o corpo de uma menina pequena foi colocado em um saco mortuário branco e alinhado ao lado de outros cadáveres envoltos em grossos cobertores,diante de familiares,alguns dos quais choravam em silêncio. Uma fonte militar israelense declarou à AFP que um dos ataques "tinha como alvo um terrorista do Hamas",sem fornecer detalhes.

— Fomos pegos de surpresa — disse à AFP Ahmed al-Masri,que se identificou como sobrevivente do bombardeio. — Toda a família do meu irmão foi eliminada: ele,sua esposa e seus quatro filhos.

Familiares carregam os corpos de palestinos mortos em um ataque israelense no bairro de Sabra,durante funeral na Cidade de Gaza — Foto: Omar Al-Qattaa/AFP

O Exército israelense anunciou nos últimos dias que realizou uma série de ataques na Faixa de Gaza contra vários membros do Hamas e da Jihad Islâmica,supostamente envolvidos no ataque de 7 de outubro de 2023 ou na tomada de reféns.

Pelo menos 1.168 palestinos morreram desde que o cessar-fogo entrou em vigor em outubro de 2025,de acordo com o Ministério da Saúde do território,cujos números são considerados confiáveis ​​pela ONU. Do lado israelense,as autoridades relataram a morte de cinco soldados e de um prestador de serviços que trabalhava para o Ministério da Defesa desde o início do cessar-fogo. As restrições impostas à imprensa e o acesso limitado a Gaza impedem a verificação independente do balanço de vítimas,ou a cobertura livre da violência no território.

Crise de saúde

Enquanto os ataques prosseguem,médicos e famílias deslocadas afirmam que um surto de catapora surgiu nos últimos meses em acampamentos no enclave. A doença,que é altamente contagiosa,tem obrigado centenas de milhares de palestinos a permanecerem em barracas superlotadas,em condições precárias de higiene e com acesso limitado à água potável. De acordo com o Unicef,mais de 9,3 mil casos suspeitos da doença foram registrados no início do mês,especialmente na região de Khan Younis,hoje a área mais povoada do território.

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— As famílias vivem praticamente umas sobre as outras — disse a porta-voz da agência,Louise Wateridge.

Ruba Saadeh,de 8 anos,passa os dias confinada na barraca onde vive com a família,coberta por bolhas vermelhas e inflamadas provocadas pela doença. Sua irmã,Alaa,de 19 anos,afirmou que um médico recomendou isolamento por 20 dias e higiene diária,mas disse que a medida é inviável. Ela atribui a propagação da catapora à "superlotação das barracas e ao fato" de que palestinos recebem água "apenas uma vez por semana,e ainda por cima salgada,não limpa".

— O médico nos disse que ela precisa de higiene diária e deve permanecer isolada por 20 dias. Mas como vamos isolá-la? Todos vivemos em uma barraca — disse,acrescentando que a família também enfrenta dificuldade para conseguir produtos básicos de limpeza. — Vivemos três anos de guerra. Meu pai está desempregado e não temos dinheiro para comprar produtos de limpeza.

Com AFP.