
Estudo encontra cocaína em todos os 'camarões' analisados em rios do Reino Unido — Foto: Reprodução
Pesquisadores da King's College London,em parceria com a Universidade de Suffolk,identificaram vestígios de cocaína em 100% dos pequenos crustáceos de água doce analisados em rios da região de Suffolk,no leste da Inglaterra. O estudo também encontrou cetamina,medicamentos e pesticidas nos animais,reforçando preocupações sobre a chamada "poluição química invisível" nos ecossistemas aquáticos.
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A pesquisa foi realizada com exemplares de Gammarus pulex,um pequeno crustáceo frequentemente comparado a um camarão. A espécie vive no fundo dos rios e é considerada um importante indicador da qualidade ambiental,já que absorve substâncias presentes na água ao longo do tempo.
Os cientistas coletaram amostras em 15 locais distribuídos por cinco bacias hidrográficas e analisaram a presença de 107 compostos químicos,entre medicamentos,pesticidas e drogas ilícitas. Ao todo,56 substâncias diferentes foram detectadas nos organismos. A cocaína apareceu em todas as amostras,enquanto a cetamina foi encontrada em 76% delas.
Além das drogas ilícitas,os pesquisadores identificaram pesticidas que já foram proibidos na União Europeia,como o fenuron,indicando que esses compostos ainda persistem no meio ambiente ou podem continuar sendo utilizados de forma irregular. Medicamentos,especialmente antipsicóticos,também chamaram a atenção dos pesquisadores por apresentarem potencial de causar efeitos nocivos aos organismos aquáticos.
Segundo os autores,a presença dessas substâncias não significa necessariamente que os animais apresentem intoxicação imediata,já que as concentrações detectadas eram baixas. No entanto,elas podem representar riscos ambientais quando consideradas em conjunto e após longos períodos de exposição.
Os pesquisadores defendem que avaliações ambientais passem a considerar não apenas a concentração de contaminantes na água,mas também a quantidade efetivamente acumulada nos organismos. Para a equipe,esse método permite estimar com maior precisão a chamada "pressão de efeito",isto é,o potencial de essas substâncias alterarem o comportamento,a saúde e a sobrevivência da fauna aquática.
O estudo foi publicado na revista científica Environment International e é apontado pelos autores como uma evidência de que a contaminação dos rios vai além dos poluentes visíveis,envolvendo uma mistura complexa de medicamentos,pesticidas e drogas ilícitas que circulam continuamente pelo ambiente.