Educação física

Disputa para governos e Senado tem baixa representatividade feminina e cenário repete pleitos anteriores

Apr 12, 2026 IDOPRESS

Michelle Bolsonaro (E),Simone Tebet e Raquel Lyra (D) — Foto: Agência O Globo

RESUMO

Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você

GERADO EM: 11/04/2026 - 21:51

Baixa Representação Feminina em Governos Estaduais e Senado em 2022

A representação feminina nas disputas eleitorais para governos estaduais e Senado no Brasil permanece baixa,refletindo pleitos anteriores. A legislação eleitoral estabelece cotas de gênero apenas para eleições proporcionais,não exigindo o mesmo para cargos majoritários. Em 2022,apenas duas mulheres foram eleitas governadoras. Partidos priorizam mulheres como vices ou candidatas ao Senado,onde mulheres têm mais presença.

O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.

CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO

O desenho das pré-candidaturas aos governos dos estados este ano repete,até o momento,a pouca representatividade feminina dos pleitos anteriores. A eleição de 2026 à Presidência pode não ter sequer uma mulher e,para os executivos locais,o número é mínimo. O cenário muda um pouco quando a briga é por vaga no Senado.

No discurso,da direita à esquerda,os partidos têm dado destaque ao eleitorado feminino. Pré-candidatos ao Palácio do Planalto,o presidente Lula (PT),o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-governador de Goiás,Ronaldo Caiado (PSD),têm mencionado os altos índices de feminicídio e a violência de gênero,além de anunciar propostas específicas para o estrato,entre elas,transferência de renda e creches. Os dois últimos,inclusive,manifestaram o desejo de terem uma vice em suas chapas.

Há mais eleitoras do que eleitores no país: em 2024,elas representavam 52,47% do total,de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao definir quem deve se candidatar para os cargos majoritários,no entanto,os partidos optam por homens em sua vasta maioria. Apenas 11 estados devem ter mulheres concorrendo ao governo,se consideradas as pré-candidaturas anunciadas até o momento.

Na maioria dos casos,mulheres só devem ser representadas no pleito ao Senado; em alguns estados,nem isso. Na Bahia,por exemplo,são ao menos cinco cotados para disputar o governo,todos homens. E nenhuma pré-candidata ao Senado.

Continuar Lendo

Sem amparo na lei

A Lei Eleitoral exige que partidos assegurem 30% de candidaturas femininas,e o descumprimento pode levar à cassação do certificado de regularidade das siglas,à inelegibilidade e à nulidade dos votos obtidos pelos candidatos. A regra,contudo,vale apenas para eleições proporcionais (vereadores e deputados).

Em 2022,o país elegeu apenas duas governadoras: Raquel Lyra (PSD),em Pernambuco,e Fátima Bezerra (PT),no Rio Grande do Norte. A pernambucana tentará a reeleição. A potiguar,em segundo mandato,desistiu de disputar o Senado após romper com seu vice. Na mais recente eleição,38 mulheres tentaram se eleger governadoras no país.

Mayra Goulart,professora de Ciência Política da Universidade Federal do Rio (UFRJ),destaca que,sem obrigação legal,os partidos não investem em candidaturas femininas para a Presidência,o governo e o Senado. Há ainda fatores sociais e a própria estrutura dos partidos,quase sempre comandados por homens.

— Se as decisões estratégicas seguem sob o controle de elites partidárias masculinas,esse compadrio,que bloqueia a representação das mulheres,também continuará — diz.

Com poucas mulheres como cabeças de chapa,os partidos apostam mais nelas como vice ou ao Senado,em um ano em que duas vagas por unidade da federação na Casa estão em jogo. Em 2022,foram quatro senadoras eleitas no país,entre 27 na disputa. No pleito anterior,quando a oferta de vagas era o dobro,foram somente sete eleitas. O Amapá tem o marco de ser o único estado que jamais elegeu uma mulher para o Senado.

À direita,o PL tem buscado escalar mais mulheres para reverter o baixo desempenho do bolsonarismo nesse segmento. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro,presidente do PL Mulher,articula opções femininas ao Senado em Santa Catarina,São Paulo,Distrito Federal e Ceará.

O Distrito Federal deve ter o palanque feminino mais fortalecido da direita,que deve contar com três candidatas. A atual governadora,Celina Leão (PP),vai concorrer à reeleição,com o apoio do PL,que tem como pré-candidatas ao Senado a deputada Bia Kicis (PL) e a própria Michelle.

Em São Paulo,a ex-primeira-dama defendeu que a sigla testasse o nome da deputada Rosana Valle em pesquisas para o Senado. Uma das vagas deve ficar com o deputado Guilherme Derrite (PP),e a outra deve ser definida pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

A esquerda,por outro lado,pode ter chapa dupla de mulheres no estado,ambas ex-ministras. Uma das apostas é Simone Tebet (PSB),e a segunda vaga pode ir para Marina Silva (Rede). Há,entretanto,um impasse com o ex-ministro Márcio França (PSB). O ex-ministro da Fazenda,Fernando Haddad (PT),por sua vez,não descarta uma vice na disputa ao Palácio dos Bandeirantes.

No Rio,o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) apostou em uma mulher como vice,Jane Reis (MDB),em uma chapa que dever ter a deputada Benedita da Silva (PT) para o Senado. Em Minas,a prefeita de Contagem,Marília Campos (PT),deve concorrer ao Senado,enquanto o PSOL avalia a professora Maria da Consolação para disputar o governo e a deputada Áurea Carolina para o Senado. O estado não elege uma senadora há 30 anos.

Competitividade

Em Santa Catarina,a deputada Caroline de Toni (PL) vai disputar o Senado ao lado de Carlos Bolsonaro. No Paraná,duas mulheres devem disputar a Casa em lados opostos: a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT) e a jornalista Cristina Graeml (PSD),que foi ao segundo turno na disputa pela prefeitura de Curitiba em 2024 e declarou apoio este ano a Flávio Bolsonaro.

— Não adianta colocar (mulheres na disputa) só para marcar posição. É difícil estimular uma eleição de alguém pouco conhecida ou que não tenha potencial eleitoral. Onde o PT tem jogado pesado é nos cargos proporcionais,na construção de lideranças para uma disputa futura de cargos majoritários — diz Gleisi,que é ex-presidente nacional do PT.

No Rio Grande do Sul,Juliana Brizola (PDT) está consolidada como pré-candidata ao governo. Manuela D’Ávila (PSOL) deve se candidatar ao Senado. E a outra mulher na disputa no estado é a sindicalista Rejane Oliveira (PSTU).