
O ex-presidente do INSS,Gilberto Waller,e o ministro da Previdência,Wolney Queiroz — Foto: Cristiano Mariz e Brenno Carvalho/Agência O Globo
GERADO EM: 13/04/2026 - 22:05
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Apontada como pivô da demissão do presidente do INSS,a fila de requerimentos pendentes no órgão alcançou um número recorde em fevereiro: 3.127.690.
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Em março,o total de requerimentos pendentes caiu para 2.793.618,mas ainda longe de ser zerada — promessa de campanha do presidente.
A fila vem com tendência de alta desde meados de 2024.
O detalhamento dos dados de fevereiro ajudam a explicar esse número. Em março,a maior parte da fila,900 mil,aguardavam benefícios como aposentadoria. Outros 690 mil,benefícios assistenciais e mais 671 mil,a perícia médica. A maior parte aguarda a menos de 45 dias.
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Fila do INSS durante a gestão Lula — Foto: Editoria de Arte
Em março de 2026,a média de novos pedidos foi de 61 mil por dia,superando a média de 59 mil registrada no mês anterior.
Em nota,o INSS disse que alcançou,em março de 2026,a marca de 1,625 milhão de processos concluídos. O desempenho impacta diretamente quem aguarda uma resposta para os principais pedidos de benefícios,como aposentadorias,pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) — destinado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.


Esse grupo,classificado tecnicamente como Reconhecimento Inicial de Direitos (RID),registrou,em apenas um mês,uma redução acentuada de 334 mil processos. O número representa uma queda de quase 11% no estoque (pedidos aguardando resposta),aliviando a espera de cidadãos que dependem da concessão de direitos previdenciários e assistenciais geridos pela autarquia.
Para tentar reduzir a fila,o INSS adotou uma série de medidas,como a nacionalização da fila de análise,permitindo que servidores de qualquer região atuem nos processos de localidades com maior tempo de espera,garantindo mais equidade e eficiência. Além disso,a autarquia tem promovido mutirões de análise administrativa e perícia médica e criou grupos de trabalho especializados,focados em reduzir o represamento de requerimentos de maior complexidade.
O ministro da Previdência,Wolney Queiroz,afirma que o governo já superou a crise no INSS com os descontos indevidos dos aposentados e que agora é necessário melhorar a gestão para reduzir a fila de benefícios. Segundo o ministro,esse foi o motivo da demissão do presidente do instituto,Gilberto Waller.
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— Não teve uma gota d'água (para a demissão),teve só uma mudança de momento. Ele fez um bom trabalho,melhorou fluxos e processos no período atribulado. Só que ele não atacou o problema central da fila. A fila estava escalando,estava aumentando,sem controle — disse o ministro.
No lugar de Waller,assume Ana Cristina Viana Silveira,servidora de carreira que ingressou no Instituto em 2003 como Analista do Seguro Social. Ela ocupava o cargo de secretária executiva adjunta do Ministério da Previdência Social. Seu currículo inclui,ainda,a presidência do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) por quase três anos.
Waller assumiu o INSS em abril de 2025,após a deflagração da Operação Sem Desconto da Polícia Federal que apontou fraudes contra os aposentados.
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Waller assumiu o cargo a partir da crise gerada com a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagrada no fim de abril para combater descontos não autorizados em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. O chefe do órgão,Alessandro Stefanutto,foi afastado do cargo por decisão judicial e depois demitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Poucos dias depois,o ministro da Previdência,Carlos Lupi,pediu demissão.
A operação foi autorizada pela Justiça do Distrito Federal para combater um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. As investigações apontam que a soma dos valores descontados chega a R$ 6,3 bilhões,entre 2019 e 2024,mas ainda será apurado qual porcentagem foi feita de forma ilegal.