
Agência central do Rioprevidência fechada durante primeira fase da operação da PF sobre aportes do fundo de pensão no Banco Master,em 23 de janeiro — Foto: Márcia Foletto/O Globo
GERADO EM: 27/05/2026 - 20:12
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Alvo de operação da Polícia Federal (PF) que também atingiu o ex-governador Cláudio Castro (PL) na terça-feira,a advogada Fernanda Pereira da Silva Machado,ex-gerente de investimentos do Rioprevidência,foi responsável por alocar R$ 60 milhões de outro fundo de pensão,do município de Itaguaí (RJ),em papéis do Banco Master. Quando presidiu o fundo de Itaguaí,Fernanda nomeou como seu assessor um antigo companheiro de cela do empresário Ricardo Siqueira Rodrigues,apontado pela PF como "lobista" do Master.
A investigação afirma que os aportes de institutos de previdência no banco de Daniel Vorcaro foram intermediados por Rodrigues,que chegou a ser preso na Lava-Jato em 2018 e virou delator à época.
Fernanda atuou no credenciamento do Master pelo Rioprevidência,em 2023,o que tornou o banco apto a receber recursos do instituto estadual. Em junho de 2024,ela deixou o Rioprevidência para assumir o comando do fundo de previdência de Itaguaí e,cinco dias depois,nomeou como assessor da presidência o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho.

O empresário Ricardo Siqueira Rodrigues dividiu cela com outro alvo da Lava-Jato em 2018,posteriormente nomeado por Fernanda Pereira como assessor em fundo de previdência — Foto: Montagem com fotos de reprodução e redes sociais
Jayme foi alvo da Lava-Jato,em 2015,sob acusação de ser operador financeiro do doleiro Alberto Youssef. Ele foi condenado a 11 anos de prisão por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Em 2018,quando estava no presídio de Bangu 8,Jayme dividiu cela com Rodrigues,que anos depois se tornaria intermediário da relação entre Vorcaro e o ex-governador Cláudio Castro,de acordo com a PF.
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A relação com Jayme foi exposta pelo próprio Rodrigues em petição ao Superior Tribunal de Justiça. Na ocasião,Rodrigues relatou ter sido alvo de abordagem indevida do advogado Nythalmar Dias Ferreira Filho,e disse que "ao retornar à cela,seu desconforto" com a abordagem de Nythalmar "foi percebido pelo detento Jayme Alves de Oliveira Filho,de quem se tornara amigo". Rodrigues afirmou ainda que Jayme o aconselhou na ocasião sobre como proceder.
Antes da nomeação de Jayme no fundo de previdência de Itaguaí,Fernanda também havia atuado informalmente como advogada de Rodrigues em questões relativas à Lava-Jato.
No ano passado,quando foi questionada pela primeira vez pelo GLOBO sobre a nomeação de Jayme,Fernanda afirmou à reportagem que "não havia qualquer impedimento jurídico que o desqualificasse para o exercício do cargo",e que a "a nomeação observou estritamente a legalidade e também um compromisso ético e humano: não perpetuar a exclusão de quem está reconstruindo sua vida de forma honesta e responsável".
Nesta quarta-feira,procurada novamente pela reportagem,a defesa de Fernanda afirmou que ela "não teve qualquer ato decisório" na contratação de investimentos no banco Master,e que "não houve ingerência na decisão de fechar a aquisição de títulos" do banco.
A defesa afirmou ainda,no caso dos aportes do fundo de Itaguaí no Master,que houve "seis meses depois o resgate de valores com pagamento do juro combinado",e disse desconhecer a relação entre ela e o empresário Ricardo Rodrigues.
Antes do caso envolvendo o Rioprevidência,Rodrigues participou de uma fraude envolvendo o fundo de pensão de trabalhadores ferroviários (Refer),investigada pela CPI dos Correios em 2005. O Refer já teve em seu quadro de dirigentes o advogado Deivis Marcon Antunes,que depois se tornaria presidente do Rioprevidência.
Deivis,que também já foi alvo de investigações por supostos prejuízos ao Refer na contratação de escritórios de advocacia e de contabilidade,nomeou Fernanda como gerente de investimentos do Rioprevidência em 2023,logo após assumir o comando do órgão estadual. Ele está preso desde fevereiro deste ano,devido às suspeitas de irregularidades envolvendo a aplicação de recursos no Master.