
Renan Santos,presidente e fundador do partido Missão,ligado ao MBL — Foto: Reprodução/YouTube
GERADO EM: 15/06/2026 - 21:13
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A não ser que a propaganda eleitoral no rádio e na televisão provoque uma mudança substancial na campanha à Presidência da República — capaz de desmontar a desejada,pelos próprios,disputa entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro —,o segundo turno será definido pela união dos candidatos de direita em torno deste último,ou pela capacidade de Lula de alcançar os eleitores centristas independentes. As duas hipóteses são duvidosas,pois Lula parece disposto a radicalizar na campanha,para marcar sua história política,e a união da direita ainda não é uma certeza.
O único candidato de direita que ousa criticar o filho de Bolsonaro é Renan Santos,que vem surpreendendo pela atração dos eleitores jovens,mas não parece com fôlego para chegar ao segundo turno. Seus eleitores depois serão os de Flávio. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado é o único candidato da direita que tem condições de atrair os eleitores bolsonaristas num eventual segundo turno,por isso mesmo tem feito uma campanha apática,sem proporcionar aos que não querem nenhum dos dois uma expectativa de vitória.
Nenhum dos candidatos,na verdade,apresentou até agora um programa de governo que justifique a mobilização de eleitores. Todos parecem aguardar a delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro,ou de outro preso qualquer,para se posicionar. Estudiosos do comportamento eleitoral dos evangélicos veem Flávio sem tração nesse setor importante do eleitorado,que alavancou a candidatura de seu pai e que rejeita,na maioria,o petismo. Mesmo assim,parte deles já acena a Lula,motivada pelas benfeitorias realizadas pelo governo neste último ano — cavando a crise financeira que o próximo governo receberá como “herança maldita”. No caso de Lula,é um “abismo cavado” com os próprios pés.
Os independentes fazem agora cálculos delicados para decidir em quem votar. Há os que não queiram dar um quarto mandato a Lula e podem votar em Flávio por isso. Há os que consideram melhor votar em Lula porque seria seu último mandato,e o PT não tem substituto para continuar governando. Ou até os que jogam com a possibilidade de o vice-presidente Geraldo Alckmim assumir o governo em caso de alguma crise.
O mesmo raciocínio vale para Flávio. Há os que preferem votar em Lula para impedir a volta do clã ao poder. Também há quem tema que,no governo,o pai Jair e o irmão Eduardo tenham papel relevante,escancarando que Flávio não é “o Bolsonaro que tomou vacina”,mas o único que sobrou para representar a família. A tentativa de golpe por que o patriarca foi condenado é talvez a maior razão para que os independentes abandonem Flávio. Além do mais,há o temor justificado de que ele levará ao Palácio do Planalto toda a confusão que implica ser o herdeiro de um bolsonarismo que vive de crises,especialmente as familiares —Eduardo e o pai subindo a rampa com ele.
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Confusão que continua em vigor,pois a madrasta Michelle exige desculpas públicas dos enteados para entrar na campanha de Flávio. Além disso,as pesquisas mostram que,entre os bolsonaristas,a maioria acha que Michelle deveria ser a candidata,especialmente entre os evangélicos. A crise na campanha de Flávio é tamanha que,agora,a grande esperança é que surja algum fato novo afetando diretamente Lula — no caso,por meio do filho Lulinha — ou o PT — pela delação premiada de Vorcaro ou de seus parentes e amigos envolvidos nas fraudes. Essa esperança mostra como deverá ser baixo o nível da campanha,que será curta,pouco mais de dois meses depois do fim da Copa do Mundo. Até a camisa amarela da seleção de futebol é disputada pelos dois lados,como se não tivéssemos coisas mais importantes do que como Ancelotti escalará o time ou se Neymar terá condições de jogar.