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Brasil condenado injustamente

Jun 25, 2026 IDOPRESS

Lula e Trump se reúnem na Casa Branca — Foto: Ricardo Stuckert / PR

RESUMO

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GERADO EM: 24/06/2026 - 18:23

Brasil Luta para Reverter Tarifas dos EUA em Meio a Acusações Comerciais

O Brasil enfrenta dificuldades para reverter a decisão dos EUA de impor novas tarifas,consideradas injustas por negociadores brasileiros. O processo,descrito como um dos mais difíceis,enfrenta a resistência americana,que parece desinteressada em acordos. As tarifas,motivadas por acusações de comércio desleal e trabalho forçado,afetam 59 países. A política de Trump visa arrecadação e pressiona o governo brasileiro,que continua buscando soluções.

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Os negociadores brasileiros não têm muitas esperanças de reverter a decisão do governo americano de impor novas tarifas. A decisão final será no mês que vem e o país prepara as suas considerações finais. Um experimentado negociador me disse que este tem sido o mais difícil processo do qual já participou. Outro funcionário do governo brasileiro me explicou o seguinte: “É muito difícil evitar as tarifas porque há um claro desinteresse dos Estados Unidos em chegar a um acordo”. O presidente Donald Trump quer condenar o Brasil e não por motivos comerciais.

O que me explicaram é que no processo contra 59 países e a União Europeia,em que alegaram que essas nações não têm legislação eficiente contra importação de países que usem trabalho forçado,a decisão americana será cobrar as taxas. É muito difícil para os países se defenderem,e os Estados Unidos querem arrecadar.

—Eles não vão reverter para ninguém,porque querem substituir as tarifas de base,que foram derrubadas. Na cabeça de Donald Trump,é preciso arrecadar alguma coisa. Ele gosta do dinheiro entrando. E é curioso porque em países ricos o imposto de importação não deveria ter caráter arrecadatório. Trump mudou toda a lógica.

Há também pouca expectativa de que não seja aplicada a tarifa de 25%,da seção 301 da lei de comércio. O Brasil foi “investigado” com base neste item da lei por supostos erros no comércio com os Estados Unidos. Esse foi um processo específico contra nós.

— No caso da 301,temos perguntado a eles o que querem em certas áreas investigadas. Por exemplo,no desmatamento,querem mais dinheiro para o Ibama? Mais dinheiro do BNDES para o arco do reflorestamento? Eles não dizem,nem pedem nada. É como dizem,nem se o Brasil oferecer o céu,eles mudariam a atitude punitiva — me disse um dos negociadores brasileiros.

Outro integrante do governo diz que é difícil contrapor qualquer coisa. Contou que o lado americano pergunta o que o Brasil vai oferecer e não pede nada específico. Um dos itens das acusações trata dos acordos que temos com o México e a Índia.

– Eles dizem,‘esses acordos estão atrapalhando as exportações dos Estados Unidos’. Falam como se eles mesmos não tivessem acordos com vários países.

Por mais que o Brasil explique que o desmatamento tem caído,que há leis contra pirataria,que as vendas para a Índia e México são pequenas,e que o Pix não compete com serviços americanos,eles continuam nas suas posições.

Essa onda de tarifas altas começou porque os Estados Unidos acusavam os países de lucrar com superávits permanentes no comércio bilateral. Mostramos que não é o nosso caso porque temos déficit. Mas isso não melhorou a situação para o país. É como se fingissem não entender essa diferença. Em janeiro,contudo,o representante comercial da Casa Branca,Jamieson Greer,se vangloriou em rede social de ter superávit com o Brasil.

Apesar do ceticismo com que os integrantes das equipes negociadoras do Brasil avaliam a realidade,a decisão política é a de continuar tentando um acordo. Agora têm acontecido as audiências públicas,os hearings. O governo não participa. São ouvidos apenas os integrantes do setor privado. Os negociadores preparam essas alegações finais reapresentando todos os nossos pontos e argumentos.

Durante a negociação,por exemplo,foi perguntado quais produtos e linhas os Estados Unidos querem que as tarifas sejam reduzidas. Exceto do etanol,os americanos nada pediram.

- Falam de um modo geral,em setores industriais,o automotivo,o médico,mas eles sabem que,se abrirmos,os grandes vencedores serão os países asiáticos que são mais competitivos. Perguntamos isso desde o ano passado. Reiteramos nos últimos meses e semanas. Eles sempre respondem de forma genérica — explicou um integrante da missão negociadora brasileira.

A guerra tarifária de Donald Trump é para arrecadar mais e tentar impor sua vontade aos países parceiros. No caso do Brasil,o bombardeio tem sido uma tentativa de interferir no processo que condenou Jair Bolsonaro. Foi um pedido dos bolsonaristas,primeiro de Eduardo e depois de Flávio Bolsonaro. Agora eles tentam mudar a história,com pedidos para serem ouvidos nas audiências,nas quais,dizem,defenderão que não haja taxação. O Brasil será tributado com taxas punitivas,as empresas terão prejuízo,porque os Bolsonaro fizeram lobby contra o Brasil.