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Tarifaço: o que o governo Lula ofereceu e o que vetou nas negociações para evitar, em vão, as novas taxas de Trump

Jul 18, 2026 IDOPRESS

Ministros do governo falam sobre tarifaço de Trump — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

RESUMO

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GERADO EM: 16/07/2026 - 20:24

Lula tenta evitar tarifas de Trump sobre produtos brasileiros,mas mantém Pix e etanol como prioridades inegociáveis

O governo Lula tentou,sem sucesso,evitar as novas tarifas de 25% impostas por Trump sobre produtos brasileiros,mantendo o Pix e o etanol como temas inegociáveis. Desde junho,o Brasil buscou ampliar exceções à tarifa,que inclui mais de 2 mil produtos,enquanto os EUA criticam políticas brasileiras,acusando concorrência desleal. Lula defende o Pix como soberania nacional,e o etanol segue como ponto de tensão.

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Para tentar conter os impactos da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros,o governo Lula intensificou as negociações com o governo de Trump desde junho,em um processo em que o Brasil ofereceu abertura de mercados importantes para a economia americana,mas se recusou a fazer concessões em temas como o Pix e etanol.

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A proposta da nova tarifa foi feita em 1º de junho e confirmada na noite desta quarta-feira pelo governo Trump. Desde então,ao lado de representantes do setor produtivo,o governo brasileiro passou a tentar ampliar a lista de exceções da possível nova tarifa.

No entanto,as negociações com o governo americano acontecem desde o ano passado,após a confirmação da primeira tarifa,em agosto. Desde março de 2025 foram realizadas mais de 30 reuniões entre autoridades dos dois países,segundo o ministro das Relações Exteriores,Mauro Vieira.

Um dos encontros foi entre Lula e Trump,em outubro do ano passado,na Malásia,onde os dois conversaram pessoalmente pela primeira vez desde o anúncio da sobretaxa. Semanas depois,em meio a um aumento da inflação local,Trump retirou tarifas de 10% sobre produtos brasileiros como carne bovina,tomate,café e banana.

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Em novembro,o presidente americano retirou outra sobretaxa de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros,como café e carne.

Em meio às negociações,também surgiu a demanda por interlocutores do governo americano por maior espaço no setor de minerais críticos brasileiro. A Câmara dos Deputados chegou a aprovar uma proposta que cria regras e busca incentivar a indústria nacional na exploração desses recursos.

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Desde o anúncio da nova rodada do tarifaço em 1º de junho,no entanto,o governo brasileiro passou a definir pontos criticados pelos americanos que eram considerados inegociáveis.

Em nota,o Palácio do Planalto disse que o Brasil propôs tratar conjuntamente os mercados de etanol e açúcar. Neste último caso,as tarifas dos EUA,acima da cota de 150 mil toneladas,alcançam cerca de 100%. Mas os EUA nunca responderam a essa proposta,afirmou.

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A investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) da seção 301 elenca uma série de práticas que levariam a uma concorrência desleal. O relatório final do USTR distribui críticas ao Brasil em seis áreas principais: comércio digital,serviços de pagamento,acordos tarifários,desmatamento,etanol,propriedade intelectual e combate à corrupção.

Segundo relatório do USTR,o Banco Central do Brasil favorece o Pix em detrimento de empresas de serviços de pagamento americanas,como operadoras de cartão de crédito,por meio da limitação das tarifas.

Desde que o tema veio à público,a defesa do uso do Pix virou uma das grandes bandeiras do presidente Lula e seus auxiliares,sob o mote de defesa da soberania nacional

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Outro ponto de atrito é o mercado de etanol. O USTR ressalta que os Estados Unidos enfrentam tarifas mais altas sobre o etanol impostas pelo Brasil num comércio que classifica como "desequilibrado",resultante da decisão do Brasil de abandonar,em 2017,uma política de reciprocidade tarifária que "promovia o desenvolvimento de ambas as indústrias e um comércio próspero e mutuamente benéfico".

Após ter reunião no começo deste mês com o chefe do USTR,Jamieson Greer,o ministro da Indústria,Desenvolvimento e Comércio (Mdic),Márcio Elias Rosa afirmou que o etanol nunca este na mesa de negociações,por determinação do próprio presidente Lula,que vê o Brasil prejudicado com o açúcar brasileiro sobretaxado pelos americanos.