Educação física

Fóssil de árvore preserva 'arquivo' de 300 milhões de anos sobre a formação da Europa; entenda

Jul 21, 2026 IDOPRESS

Foto ilustrativa de uma árvore — Foto: Katia Pichelli - Embrapa

RESUMO

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GERADO EM: 20/07/2026 - 09:41

Tronco fóssil de 300 milhões de anos revela segredos geológicos da Europa

Cientistas descobriram que um tronco fóssil de 300 milhões de anos revela a história geológica da Europa. Encontrado na Alemanha,o tronco registra fases de soterramento,aquecimento e elevação das rochas. Através de técnicas avançadas,identificaram cinco fases de mineralização,oferecendo um raro registro geológico. A descoberta amplia o uso de fósseis vegetais para estudar a evolução tectônica.

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Um tronco de árvore que viveu quando a Terra ainda era dominada pelo supercontinente Pangeia permitiu que cientistas reconstruíssem cerca de 300 milhões de anos da história geológica da Europa. Em vez de revelar apenas como era uma floresta pré-histórica,a madeira fossilizada preservou,no interior de suas células,sucessivas gerações de minerais que registraram o soterramento,o aquecimento,a circulação de fluidos subterrâneos e a posterior elevação das rochas ao longo de centenas de milhões de anos. As conclusões foram publicadas na revista Scientific Reports.

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O estudo analisou troncos fossilizados encontrados no maciço de Kyffhäuser,na região central da Alemanha. Os fósseis pertencem a árvores que cresceram há cerca de 304 milhões de anos,no fim do período Carbonífero,quando a atual Europa Central ficava próxima à linha do Equador e integrava a Pangeia. Segundo os pesquisadores,enchentes rápidas derrubaram e soterraram troncos de até 20 metros de comprimento,criando as condições necessárias para que a estrutura celular da madeira fosse preservada antes da decomposição completa.

Árvores que contam a história do Rio

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Grandes árvores centenárias revelam momentos desconhecidos da história do Rio de Janeiro e da Mata Atlântica — Foto: Márcia Foletto

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Plantio na Floresta das Paineiras teve início na década de 1840 — Foto: Márcia Foletto

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Cedros foram escolhidos para o estudo por ter padrão de crescimento já conhecido pelos cientistas — Foto: Márcia Foletto

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As árvores preservam em seus troncos testemunhos do clima do Rio de Janeiro antes da industrialização e da poluição — Foto: Márcia Foletto

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Cedro mais antigo da Floresta das Paineiras tem 169 anos e cerca de 30 metros de altura — Foto: Márcia Foletto

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Amostra de cedro com os anéis que indicam sua idade — Foto: Márcia Foletto

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Semente de cedro — Foto: Márcia Foletto

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Cedro mais antigo encontrado pelos pesquisadores — Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

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Cedros centenários guardam informações do passado que podem ajudar a prever o futuro

Com o passar do tempo,águas subterrâneas ricas em sílica infiltraram-se nos tecidos vegetais,substituindo gradualmente a matéria orgânica e cristalizando no interior das células. Esse processo preservou detalhes microscópicos da madeira,mas não aconteceu apenas uma vez. A equipe identificou cinco grandes fases de mineralização,cada uma associada a diferentes condições de profundidade,temperatura e circulação de fluidos,transformando cada célula em uma espécie de cápsula do tempo capaz de registrar eventos separados por dezenas de milhões de anos.

A primeira etapa ocorreu entre aproximadamente 304 e 299 milhões de anos atrás,quando a madeira recém-enterrada foi impregnada por sílica em condições próximas à superfície. Entre 299 e 290 milhões de anos,esse material evoluiu para cristais de quartzo durante o soterramento inicial dos sedimentos. Uma nova fase,entre 257 e 260 milhões de anos atrás,registrou a formação de quartzo e hematita a cerca de um quilômetro de profundidade,sob temperaturas próximas de 100°C.

O episódio mais intenso veio durante o Jurássico,entre 180 e 150 milhões de anos atrás. Nesse período,os fósseis atingiram profundidades estimadas entre três e cinco quilômetros e meio,sendo submetidos a temperaturas entre 170°C e 240°C. Fluidos extremamente salinos atravessaram as rochas e depositaram novas gerações de quartzo nas cavidades celulares. Mais tarde,por volta de 100 milhões de anos atrás,durante o Cretáceo,novos fluidos ricos em quartzo e barita circularam pela região quando a bacia começou a ser soerguida,processo que antecedeu a erosão responsável por trazer novamente esses fósseis para perto da superfície.

Para reconstruir essa sequência,os pesquisadores combinaram diversas técnicas analíticas,entre elas microscopia eletrônica,catodoluminescência,análises isotópicas,termometria Raman,estudo de inclusões fluidas e datação radiométrica por urânio-chumbo. O conjunto de métodos permitiu determinar não apenas quando cada geração de minerais se formou,mas também estimar a temperatura,a profundidade e a composição química dos fluidos responsáveis por cada fase da mineralização.

Segundo os autores,a descoberta amplia significativamente o potencial científico da madeira fossilizada. Até agora,esses fósseis eram utilizados principalmente para reconstruir antigas florestas e ecossistemas. O novo estudo mostra que eles também podem funcionar como arquivos geológicos capazes de registrar a evolução tectônica de grandes bacias sedimentares,preservando evidências de processos que ocorreram muito depois da morte das árvores.

Os depósitos de Kyffhäuser pertencem às formações mais antigas da Bacia da Europa Central,cuja evolução geológica influenciou parte da configuração atual do continente. Ao atravessarem praticamente toda essa história preservando sucessivas gerações de minerais,os troncos oferecem um registro raro das transformações sofridas pela crosta terrestre ao longo de centenas de milhões de anos.

Para os pesquisadores,o trabalho abre caminho para que outros fósseis vegetais sejam analisados sob essa mesma perspectiva. Mais do que revelar como eram as plantas do passado,eles podem conservar um registro detalhado da dinâmica interna do planeta,funcionando como testemunhas naturais da formação e transformação dos continentes.