
Estudo destaca o impacto do consumo humano em ecossistemas desabitados a partir de lixo plástico encontrado na Ilha Arena,no Caribe colombiano — Foto: Nelson Rangel via El Tiempo
GERADO EM: 23/07/2026 - 20:04
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Na Ilha Arena,ninguém recolhe o lixo. Ninguém mora lá; não há lojas,hotéis ou turistas permanentes. No entanto,esta pequena ilha no Caribe colombiano tornou-se um depósito inesperado de resíduos plásticos. Em um único dia de trabalho de campo,os pesquisadores coletaram 830 resíduos de lixo em apenas 779 metros quadrados. Mais de 95% desse lixo era plástico e,desse total,quase 80% eram garrafas de bebidas.
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A descoberta faz parte de uma investigação liderada pela Universidad del Atlántico e publicada na revista científica Marine Pollution Bulletin,que conclui que a Ilha Arena funciona como um ponto de acumulação de lixo transportado por correntes oceânicas de diferentes setores do Caribe colombiano.
Localizada no departamento de Bolívar e a menos de um metro acima do nível do mar,a Ilha Arena não gera resíduos próprios. Precisamente por causa dessa condição,os pesquisadores a consideram um laboratório natural para entender como os resíduos produzidos em terra acabam afetando ecossistemas distantes dos centros urbanos.
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A densidade encontrada foi de 1,07 resíduo por metro quadrado,um valor comparável ao registrado em diversas ilhas habitadas ao redor do mundo.
— A Ilha Arena não gera um único resíduo,mas serve como um espelho do que consumimos no continente. O fato de quase 80% do que encontramos serem garrafas de bebidas mostra que a simplificação dos nossos hábitos de consumo está sendo escrita,literalmente,nas praias do Caribe — explicou Nelson Rangel-Buitrago,pesquisador da Universidad del Atlántico e principal autor do estudo.
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Cientistas alertam que a ilha funciona como uma zona de retenção onde convergem detritos transportados por ventos,correntes e ondas provenientes de áreas costeiras densamente povoadas.
Além da quantidade de lixo encontrada,o estudo introduziu uma ferramenta que pode mudar a forma como a poluição marinha é analisada. Os pesquisadores combinaram o sistema internacional de classificação de resíduos com uma metodologia desenvolvida pela própria equipe científica,que permite a identificação do fabricante,da marca e do país de origem.
Graças a esse procedimento,foi possível determinar que 28% dos plásticos ainda continham informações suficientes para rastrear sua origem.
Entre os resíduos identificáveis,a Colômbia apresentou o maior número de itens,com 225 dos 233 cuja origem pôde ser determinada. Embalagens do Panamá,Guatemala e Tailândia também foram encontradas.
— O grande avanço neste trabalho é que deixamos de contabilizar o lixo anonimamente e começamos a nos perguntar quem o produz. Isso abre caminho para conversas sobre responsabilidade compartilhada e prevenção que antes eram impossíveis com os métodos convencionais — destacou Rangel-Buitrago.
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Os autores esclarecem que o estudo corresponde a uma única campanha de amostragem e que seus resultados não podem ser automaticamente extrapolados para todas as ilhas do Caribe. No entanto,acreditam que a metodologia desenvolvida representa um avanço no fortalecimento das políticas de responsabilidade estendida do produtor e na melhoria do monitoramento da poluição plástica.
O estudo também destaca que ecossistemas sensíveis,como a Ilha Arena,onde existem recifes de coral,macroalgas e pradarias marinhas,acabam por receber o impacto dos resíduos gerados a quilômetros de distância.
Mais do que apenas uma ilhota desabitada,a Arena tornou-se um indicador silencioso de como os hábitos de consumo e as deficiências na gestão de resíduos acabam por deixar a sua marca mesmo em locais onde ninguém vive. E isso,concluem os investigadores,é talvez a prova mais clara de que a poluição por plástico já não reconhece fronteiras.


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Derretimento de gelo no Everest permite expedição em busca de vítimas da montanha — Foto: Prakash Mathema/AFP


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Campanha de limpeza,com um orçamento de mais de 600 mil dólares,empregou 171 guias e carregadores para trazer de volta 11 toneladas de lixo — Foto: Prakash Mathema/AFP
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Tendas fluorescentes,equipamento de escalada descartado,botijões de gás vazios e até excrementos humanos cobrem o caminho trilhado até o cume — Foto: Prakash Mathema/AFP

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Expedições estão sob pressão para remover os resíduos que criam,mas o lixo histórico permanece — Foto: Prakash Mathema/AFP
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Toneladas de lixo estão sendo recolhidas do Everest — Foto: Prakash Mathema/AFP

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Além do lixo,há o custo de milhares de dólares e até oito socorristas para resgatar cada corpo — Foto: Prakash Mathema/AFP
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Um corpo pode pesar mais de 100 kg e,em grandes altitudes,a capacidade de uma pessoa de transportar cargas pesadas é gravemente afetada — Foto: Prakash Mathema/AFP

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Grande quantidade de lixo é encontrada nas montanhas — Foto: Prakash Mathema/AFP
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Mais de 300 pessoas morreram na montanha desde o início das expedições na década de 1920,oito só nesta temporada — Foto: Prakash Mathema/AFP

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Devido aos efeitos do aquecimento global,corpos e lixo estão tornando-se mais visíveis à medida que a cobertura de neve diminui — Foto: Prakash Mathema/AFP
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Mais de 300 pessoas morreram desde o início das expedições,na década de 1920