Educação física

'Nuvem de fogo': entenda o fenômeno inédito encontrado por bombeiros na França e capaz de gerar novos incêndios

Jul 28, 2026 IDOPRESS

Fumaça de incêndios florestais ao norte da Bacia de Arcachon,no sudoeste da França,na semana passada — Foto: Romain Perrocheau/AFP

RESUMO

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GERADO EM: 27/07/2026 - 19:14

França enfrenta "nuvem de fogo" que agrava incêndios florestais

Bombeiros na França enfrentam um fenômeno inédito de pirocumulonimbus,ou "nuvem de fogo",nos incêndios florestais,agravando a situação com raios e brasas que iniciam novos focos. Este fenômeno,comum no Canadá e Austrália,desafia os esforços de combate. A França e a Espanha correm contra o tempo antes de uma nova onda de calor que ameaça intensificar os incêndios.

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Nos devastadores incêndios florestais na França,as autoridades disseram que os bombeiros se depararam com um fenômeno perigoso que muitos deles nunca tinham visto antes: um pirocumulonimbus,ou "nuvem de fogo",criada pelo calor intenso de grandes incêndios ou erupções vulcânicas. Elas produzem raios e brasas incandescentes que podem iniciar mais incêndios,além de gerarem ventos fortes e imprevisíveis que alimentam as chamas e espalham as brasas. Mas raramente trazem chuva.

Uma nuvem pirocumulonimbus gerou mais incêndios durante o fim de semana em uma das áreas mais atingidas da França,disse Marc Vermeulen,diretor dos serviços de bombeiros e emergência da região de Gironde,em uma coletiva de imprensa no domingo.

— Embora esse tipo de incêndio ocorra regularmente no Canadá e na Austrália,é inédito na França — disse o tenente-coronel Eric Brocardi,porta-voz da Federação Nacional de Bombeiros da França,à AFP.

Os incêndios florestais são tão intensos que,por vezes,conseguem criar os seus próprios sistemas meteorológicos. O fumo dos incêndios funciona como uma coluna de calor que sobe rapidamente para a atmosfera,de acordo com a Sociedade Real de Meteorologia do Reino Unido. Esse efeito chaminé suga o ar ao nível do solo,fornecendo oxigênio às chamas e impulsionando-as para novos terrenos.

"O incêndio tornou-se extremamente virulento e imprevisível,gerando novamente seu próprio vento e se espalhando erraticamente em direção à região metropolitana de Bordeaux",disse Laurent Nuñez,ministro do Interior da França,nas redes sociais.

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À medida que o ar quente sobe,ele se expande e esfria,fazendo com que sua umidade se condense. O vapor de água e as partículas de cinzas se combinam para formar uma nuvem cinza ou marrom que pode então se desenvolver em uma nuvem de tempestade pirocumulonimbus (piro significa "fogo" em grego).

Na região de Gironde,41 mil hectares foram queimados,de acordo com as autoridades,e 220 mil pessoas foram orientadas a evacuar Gironde e a região vizinha de Landes.

O fenômeno pirocumulonimbus apresenta desafios extremos para os bombeiros.

"Essas nuvens geradas pelo fogo estão ligadas a comportamentos extremos do fogo,que dificultam os esforços de combate a incêndios e podem devastar comunidades",segundo a agência espacial americana (Nasa),que enfatizou a necessidade de compreender melhor essas nuvens "dado o aumento contínuo e projetado na atividade e na gravidade dos incêndios".

Militares da Unidade Militar de Emergências combatem incêndio florestal perto de Navas del Rey,a sudoeste de Madri; Espanha e França tentam conter as chamas antes de nova onda de calor — Foto: UME/AFP

Nova onda de calor

Espanha e França enfrentam dias cruciais a partir desta segunda-feira para controlar os incêndios florestais antes de uma nova onda de calor,após o fogo ter devastado os arredores de Madri e o sudoeste da França.

Na Espanha,o avanço desses incêndios históricos diminuiu,disseram as autoridades na segunda-feira,enquanto buscavam estabilizar o perímetro antes de uma nova onda de calor que começa na quarta-feira e elevará o risco de incêndios a níveis extremos.

Além dos incêndios nos arredores de Madri,outro foco ocorreu no leste do país,em Castellón,cidade por onde o chefe do governo espanhol,Pedro Sánchez,passou nesta segunda-feira.

— Horas difíceis estão por vir,horas complexas,teremos um aumento nas temperaturas — declarou o líder socialista.

Floresta próxima à área residencial no sudoeste da França sofre incêndio em meio à onda de calor na Europa — Foto: Thibaud Moritz/AFP

Os incêndios se espalharam rapidamente devido à vegetação seca causada por sucessivas ondas de calor que começaram em maio e pela falta de chuva,e na região de Madri e arredores,o fogo avançou por dezenas de milhares de hectares e forçou a retirada de 75 mil pessoas de suas casas ou locais de férias.

Em Cebreros,a cerca de 100 quilômetros de Madri,o céu está coberto de fumaça branca e há um forte cheiro de queimado. A vegetação ainda está em chamas nos arredores da cidade.

O incêndio,que teve origem na província de Ávila,mas se alastrou até a região de Madri,é o "maior incêndio florestal da história recente" da Espanha,com quase 50 mil hectares afetados,informou o governo no domingo.

Além disso,a janela de oportunidade é curta,com a chegada,a partir de quarta-feira,de uma nova onda de calor que deverá durar "pelo menos" até domingo e que poderá elevar os termômetros até os 40ºC.

As florestas pegam fogo com mais facilidade porque a vegetação e os solos europeus estão muito secos há meses,uma seca agravada pelas mudanças climáticas e pelas recentes ondas de calor excepcionais.

Com AFP.