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Após investidas de Flávio, Republicanos chega à convenção com maioria contra aliança e deve declarar neutralidade

Aug 4, 2026 IDOPRESS

Flávio Bolsonaro e Marcos Pereira: a conversa sem acordos — Foto: Reprodução/Cristiano Zanin/O GLOBO

O Republicanos realiza nesta terça-feira,às 9h,em Brasília,sua convenção nacional com uma maioria dos diretórios estaduais contrária a uma aliança com Flávio Bolsonaro (PL). A tendência é que a legenda declare neutralidade na disputa presidencial,apesar das sucessivas investidas feitas pelo presidenciável nos últimos dias para tentar reverter a posição e atrair o partido para sua coligação.

A última tentativa ocorreu nesta segunda-feira. Flávio se reuniu com o presidente nacional do Republicanos,Marcos Pereira,ao lado do coordenador de sua campanha,senador Rogério Marinho (PL-RN),e do presidente nacional do PL,Valdemar Costa Neto. O encontro terminou sem acordo e não produziu a sinalização esperada pela campanha de que a legenda poderia rever sua posição.

Durante a conversa,Pereira informou que 17 diretórios estaduais já haviam se manifestado contra uma aliança nacional com Flávio,formando maioria entre as seções estaduais consultadas. O dirigente não deu uma negativa definitiva e afirmou que ainda concluiria as conversas internas,mas o placar tornou remota a possibilidade de uma reviravolta na convenção.

A campanha chegou ao encontro tentando apresentar como fato novo pesquisas divulgadas recentemente,que apontam para um cenário de empate técnico entre o senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A melhora animou a campanha,que decidiu usar os números na reta final das negociações para tentar convencer Republicanos,Podemos e a federação União Progressista,formada por PP e União Brasil,de que Flávio permanece competitivo. A avaliação era que a redução da distância poderia alterar o cálculo de dirigentes que vinham resistindo a embarcar na candidatura por dúvidas sobre suas chances de vitória.

No Republicanos,porém,a pesquisa não foi suficiente até agora para mudar o cenário interno.

Maioria pela neutralidade

A resistência a uma aliança nacional com Flávio vem sobretudo dos diretórios estaduais. A avaliação predominante é que a neutralidade dá maior liberdade para que o Republicanos preserve acordos regionais distintos e concentre esforços nas disputas para governos estaduais,Câmara e Senado.

Esse cálculo ajuda a explicar a cautela adotada por Marcos Pereira nas negociações. O presidente do partido manteve abertas as conversas com Flávio e evitou antecipar formalmente a decisão da convenção,mas enfrenta uma maioria interna contrária à entrada na coligação presidencial.

A provável neutralidade também interfere diretamente na escolha do candidato a vice. Flávio vinha insistindo no nome da ex-presidente da Caixa Daniella Marques,filiada ao Republicanos,como uma das principais alternativas para a chapa.

Daniella se filiou à legenda no limite do prazo eleitoral e já participava da campanha de Flávio,principalmente na formulação de propostas econômicas e de políticas voltadas às mulheres. A entrada no Republicanos,no entanto,provocou incômodo na cúpula por ter ocorrido sem uma articulação prévia com Pereira.

Flávio tentou desde então convencer o dirigente a liberar Daniella para a chapa. Sem o aval do Republicanos,a alternativa fica praticamente inviabilizada. Como o prazo para troca de partido terminou em abril,ela não poderia migrar agora para o PL ou outra legenda para concorrer à vice.

A resistência do Republicanos se soma a uma sequência de dificuldades enfrentadas por Flávio para construir uma aliança nacional. Na semana passada,o PP decidiu manter a neutralidade após consultar seus diretórios estaduais e barrou a possibilidade de a senadora Tereza Cristina (MS) integrar a chapa.

Tereza chegou a comunicar a integrantes do PP que estava disposta a aceitar o convite e tentou obter autorização para a composição. A maioria da legenda,optou por preservar a posição já comunicada ao PL e os acordos regionais construídos pelos diretórios.

O União Brasil,que integra com o PP a federação União Progressista,também resiste a uma adesão nacional. O Podemos é outra frente mantida aberta pela campanha,embora a legenda também tenha sinalizado preferência pela neutralidade. A presidente da sigla,Renata Abreu,passou a ser sondada como uma possível alternativa para a vice após o fracasso da articulação em torno de Tereza.

A sucessão de negativas aumentou dentro do PL a possibilidade de Flávio chegar ao fim das convenções sem conseguir atrair outro grande partido para sua coligação. Nesse cenário,uma chapa pura passou a ser admitida por integrantes da campanha.

O senador Marcos Pontes (PL-SP) ganhou força nos últimos dias entre dirigentes que defendem uma solução interna para a vice. Outros nomes femininos do próprio PL também passaram a circular,entre eles as deputadas Julia Zanatta (SC) e Bia Kicis (DF),além de Priscila Costa e Sonaira Fernandes.