Educação física

Peixes do ES apresentam anomalias após o desastre de Mariana, revela estudo

Aug 18, 2026 IDOPRESS

Peixe Stellifer — Foto: Domínio público

Pesquisadores identificaram no litoral do Espírito Santo a maior taxa de anomalias em peixes costeiros já registrada no Brasil. Das 38 estruturas analisadas em exemplares da espécie Stellifer naso,23 apresentaram deformidades — o equivalente a 60,5% da amostra. Os animais foram coletados em maio de 2022,na foz do Rio São Mateus,nas proximidades de Conceição da Barra e São Mateus,e a principal hipótese é de que tenham sido causadas pelos rejeitos levados ao rio após a tragédia de Mariana.

As anomalias foram encontradas nos otólitos,que são estruturas localizadas no ouvido interno dos peixes relacionadas ao equilíbrio e à percepção de sons e do ambiente. Como sua forma e composição química podem ser influenciadas pelas condições da água e pelo estado fisiológico dos animais,alterações nessas estruturas podem funcionar como indicadores de estresse ambiental.

O índice encontrado no Espírito Santo supera com folga o maior percentual de deformações em otólitos descrito anteriormente para peixes costeiros brasileiros. O recorde até então era de 27,11%,identificado em exemplares do bagre Cathorops spixii.

Publicado na revista científica "Ocean and Coastal Research" em 7 de agosto,o estudo descreveu diferentes tipos de alterações. Em alguns exemplares,os pesquisadores observaram projeções anormais,que podiam apresentar formato semelhante a um dedo.

Origem das anomalias

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A análise estatística mostrou que os otólitos com anomalias apresentavam maior variação morfológica do que os considerados normais. Os pesquisadores,no entanto,ressaltam que ainda não é possível determinar a origem exata das deformidades.

No entanto,há uma hipótese principal levantada pelos estudiosos: a influência dos rejeitos de mineração liberados pelo rompimento da barragem de Fundão,em Mariana (MG),em novembro de 2015. O desastre lançou toneladas de rejeitos de minério de ferro no Rio Doce,que foram transportados até o Oceano Atlântico.

— Comparando com outros trabalhos similares no Brasil e também expandindo para outras regiões,o nosso trabalho teve um resultado bem acima da média em quantidade de peixes com anomalias,o que possivelmente está relacionado às marcas do desastre — afirma o pesquisador Jonas Andrade-Santos,do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),um dos autores do estudo.

Segundo os pesquisadores,a hipótese é reforçada pelas características da espécie analisada. Além disso,estudos anteriores já identificaram sinais de contaminação por ferro e bioacumulação de metais em peixes da região afetada pelos rejeitos do Rio Doce. Segundo os autores,metais transportados pelo rio podem permanecer no ambiente por longos períodos.

Brumadinho: veja como está a cidade cinco anos após rompimento de barragem

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Vista aérea do local onde ficava a barragem da Vale e parte da área destruída pela lama e onde hoje ficam os postos de busca em Brumadinho — Foto: Douglas Magno / AFP

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Vista de casas e ruas abandonadas no Parque da Cachoeira,um dos bairros afetados pela lama do acidente da barragem da Vale em Brumadinho — Foto: Douglas Magno / AFP

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Restos de ponte ferroviária destruída em acidente na barragem da Vale,em Brumadinho — Foto: Douglas Magno / AFP

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Casas e ruas abandonadas no Parque da Cachoeira,um dos bairros afetados pela lama da barragem da Vale em Brumadinho,Minas Gerais,Brasil,em 19 de janeiro de 2024 — Foto: Douglas Magno/AFP

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Vista de casas e ruas abandonadas no Parque da Cachoeira,um dos bairros afetados pela lama do acidente da barragem da Vale em Brumadinho — Foto: Douglas Magno / AFP

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Vista dos postos de busca localizados onde ficava o terminal ferroviário de cargas da mina antes do rompimento da barragem da Vale,em Brumadinho — Foto: Douglas Magno / AFP

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Vista de uma ponte no Parque da Cachoeira,um dos bairros afetados pela lama do acidente da barragem da Vale em Brumadinho — Foto: Douglas Magno / AFP

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Bombeiro recolhe objeto encontrado entre rejeitos de minério em um dos postos de busca onde ficava o terminal ferroviário de cargas da mina,em Brumadinho — Foto: Douglas Magno / AFP

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Local onde funcionava a mina Córrego do Feijão da Vale do Rio Doce e estações de busca de vítimas do rompimento da barragem — Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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Vista aérea do local onde ficava a barragem da Vale e parte da área destruída pela lama e onde hoje ficam os postos de busca em Brumadinho — Foto: Douglas Magno / AFP

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Mar de lama destruiu casas e contaminou o principal rio da região

O intervalo entre o desastre e a coleta dos animais também chamou a atenção dos pesquisadores. Os peixes analisados foram capturados em 2022,quase sete anos depois do rompimento da barragem,e ainda apresentavam uma elevada frequência de anomalias.

Apesar das evidências,o estudo não estabelece uma relação de causa e efeito entre o desastre de Mariana e as deformidades,uma vez que diversos fatores podem interferir na formação dos otólitos. A principal limitação é a ausência de amostras de peixes coletadas na região antes de 2015,o que impede uma comparação direta entre as condições anteriores e posteriores ao desastre.

O próximo passo será realizar análises químicas dos otólitos para identificar sua composição e investigar quais minerais podem estar associados às deformidades. A equipe também pretende ampliar a pesquisa para verificar a existência de alterações externas nos peixes,como deformações nas nadadeiras.