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Carros-bomba e barricadas explosivas: entenda as técnicas utilizadas pelo tráfico no Complexo de Israel

Aug 22, 2026 IDOPRESS

Carros-bomba foram utilizados pela primeira vez,diz a PM; veículos estavam ao lado de barricadas explosivas — Foto: reprodução / TV GLOBO

A Polícia Militar identificou pela primeira vez,nesta sexta-feira,o uso de carros-bomba por traficantes de drogas durante uma operação realizada no Complexo de Israel,na Zona Norte do Rio de Janeiro. Também foram encontradas barricadas explosivas no local. Os artefatos seriam acionados à distância quando as forças de segurança se aproximassem,conforme a corporação. A área é controlada pelo Terceiro Comando Puro (TCP).

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Em um vídeo publicado nas redes sociais,um policial do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) mostrou o funcionamento do artefato. Os dispositivos não chegaram a ser utilizados.

— É um acionador remoto para dispositivo explosivo improvisado que permite detonar uma carga de explosivos à distância. Conectam-se (os polos) positivo e negativo nas terminações (do acionador),coloca-se (o equipamento) em um ponto específico e aciona-se (o explosivo) pelo controle remoto — explica o PM.

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Segundo a corporação,os artefatos estavam colocados em diversos pontos do complexo de Israel. Os dispositivos mostrados no vídeo,que permitem o acionamento remoto dos explosivos,estavam inseridos em barricadas feitas com pneus de carro.

— Achamos cinco explosivos. Eles são incendiários e também podem lançar estilhaços que podem machucar pessoas que estiverem próximas. Não tem como precisar o raio de ação deles. Não é uma dinamite,mas,em um raio de 10 metros,pode machucar as pessoas e causar algum tipo de dano à integridade física. Quanto mais próximo,maior o dano — relata o major da Polícia Militar Maicon Pereira,porta-voz da corporação.

Embora não tenha fornecido informações específicas sobre a composição dos explosivos encontrados na operação,oficial explica o funcionamento tradicional dos artefatos:

— Tem a parte detonante,com o cordel detonante que aciona o explosivo e o elemento explosivo. Normalmente,usa-se C4. Se for algo mais caseiro,utiliza-se pólvora. E,em volta da parte explosiva,colocam-se os estilhaços,como pregos,parafusos e materiais de metais,arremessados quando a carga detonante é explodida.

Para o escritor e especialista em segurança Alessandro Visacro,a adoção de novas táticas de combate demonstra uma expansão dos recursos do portfólio das organizações criminosas.

— Os grupos armados têm ampliado ao longo do tempo suas técnicas militares,e eles adquirem esse conhecimento,sobretudo,de forma empírica. O Rio de Janeiro vive um conflito urbano de baixa intensidade há muito tempo,e a gente se nega a admitir isso. E esses criminosos empregam técnicas que podem ser consideradas de terrorismo há longa data — avalia.

Dispositivo permitia o acionamento remoto de explosivos colocados em barricadas e carros-bomba — Foto: PMERJ

No caso do uso de barricadas,Visacro destaca que o principal objetivo é impedir,retardar ou dificultar o acesso de carros. Próximo a essas estruturas,a cerca de 100 metros de distância,são utilizadas as chamadas certeiras,espaços por onde os canos de armas,como fuzis,podem ser colocados para disparar contra as pessoas que forem atuar no desmonte das barricadas. Os pneus,como os usados nesse caso,costumam estar associados ao uso de fogo por gerarem uma fumaça espessa e escura que dificulta a visibilidade terrestre e aérea.

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— A técnica de botar explosivos é muito antiga e dificulta a retirada dos obstáculos. Ou seja,esses obstáculos estão armadilhados. Já o uso de carros-bomba,para entender o objetivo,é necessário saber qual era a carga destrutiva. Porque eles podem ter sido colocados para causar baixas em quem for retirar a barricada ou para prejudicar o veículo blindado — analisa o especialista.

O major Pereira informa que a Polícia Militar já havia recebido informações de que poderiam ser encontrados carros-bomba.

— É uma técnica de guerrilha,e já somos preparados para isso. Então,não temos nenhum policial ferido,não atingiu a integridade física — afirma.

Alguns dos artefatos foram desarmados pela própria PM. Outros precisaram da ação do Esquadrão Antibombas da Polícia Civil.

Em setembro do ano passado,dois policiais militares ficaram feridos por uma barricada com explosivos durante um patrulhamento na comunidade do Barbante,na Ilha do Governador,Zona Norte da capital. Os artefatos haviam sido colocados embaixo de cones de trânsito como armadilhas. Na ocasião,os agentes foram atingidos por estilhaços e uma viatura foi danificada.

Sobre a operação no Complexo de Israel

A Polícia Militar do Rio de Janeiro iniciou na madrugada desta sexta-feira uma operação nas comunidades Cidade Alta,Cinco Bocas e Pica-pau,em uma área dominada pelo Terceiro Comando Puro (TCP). Houve intenso tiroteio na chegada das equipes. Um motorista de ônibus foi atingido por uma bala perdida. Segundo a corporação,um suspeito foi morto.

Devido ao confronto,a Avenida Brasil e a Rodovia Washington Luiz foram fechadas ao trânsito momentaneamente por medida de segurança. O motorista baleado,Douglas Santos de Souza,foi atingido num dos ombros quando estava a caminho do trabalho. Ele foi socorrido por outro rodoviário e levado para o Hospital Getúlio Vargas. Segundo o Sindicato dos Rodoviários,o motorista já está em casa e passa bem.

Segundo a PM,a ação visa a reprimir a atuação de grupos criminosos armados na região. Cerca de 200 agentes foram mobilizados. Eles são dos batalhões de Operações Especiais (Bope),de Ações com Cães (BAC),Tático de Motociclistas (BTM),de Polícia de Choque (BPChq),de Vias Especiais (BPVE),do Grupamento Aeromóvel (GAM) e das Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom). A ação conta ainda com cinco veículos blindados,além de motocicletas,viaturas e apoio aéreo.

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*Reportagem de Ana Stobbe,aluna do curso Jornalismo do Futuro sob supervisão de Rafael Galdo.

* Amanda Rosa é estagiária sob supervisão de Giampaolo Morgado Braga.