
Messi ou Rodri: um dos dois levantará a taça da Copa do Mundo de 2026 — Foto: Paul ELLIS / AFP; Florencia Tan Jun / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
GERADO EM: 16/07/2026 - 22:47
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Qual capitão entrará para a história neste domingo,com o troféu mais cobiçado do futebol nas mãos? Espanha e Argentina chegaram à decisão opostas em quase tudo: estilo de jogo,entusiasmo e perfil dos principais líderes,Messi e Rodri. O desfecho da história será materializado com um registro que terá percorrido trajetórias distintas.

Melhores momentos de Inglaterra x Argentina
Se Rodrigo Hernández Cascante,o Rodri,levantar a taça da Copa do Mundo,não será possível vê-lo comemorando nas redes sociais,afinal,o volante de 30 anos não tem sequer perfis oficiais na internet. A discrição até exagerada é a marca de um jogador que pode não encher os olhos por conta de suas habilidades,mas que conduziu a Espanha à final do Mundial através da liderança silenciosa e da habilidade de ter destravado a si mesmo e as engrenagens da equipe de Luis de la Fuente.
Curiosamente,o treinador decidiu entregar a braçadeira de capitão a ele pouco antes do início do torneio. A novidade da função chegou pelo exemplo.
— Terminou sendo o capitão da seleção também por uma questão de que esta equipe é muito jovem. É um dos poucos veteranos no time titular,junto a Unai Simón e alguns outros. É verdade que é um jogador de um perfil bastante atípico. Não tem redes sociais,não tem tatuagens. Um perfil de pessoa que representa muito a seriedade — opina Manu de Juan,repórter do Diario AS. — Não significa que outros perfis,como o de Lamine Yamal,sejam ruins. Mas,digamos que o tipo de atitude que Luis de la Fuente quer está muito bem representado em Rodri.

Rodri,da Espanha,disputa bola com Olise,da França — Foto: Lars Baron/Getty Images/AFP
O início da campanha espanhola foi marcado por jogos poucos empolgantes,mas a equipe foi dando o clique em ritmo quase pausado,evoluindo assim como o seu capitão. As atuações de Rodri contra Bélgica e França,nas quartas de final e semifinal,respectivamente,apresentaram à Copa o jogador dominante já conhecido do Manchester City.
Vencedor da Bola de Ouro em 2024 após briga acirrada com Vini Jr,o volante se fez sentir falta quando teve grave lesão no joelho direito,em setembro daquele mesmo ano. O clube inglês caiu de produção e,em uma recuperação nada simples,ele custou a apresentar novamente uma qualidade similar. Porém,em outubro de 2025,Pep Guardiola "previu" que ele estaria em seu melhor nível agora.
"Disse ao Rodri que talvez ele tenha demorado um pouco para entender que não é só uma questão de seis ou sete meses. Não! O Rodri estará bem para a Copa do Mundo de 2026 com a Espanha. É normal. Ele está na mesa de massagem há um ano. Seu corpo muda,seu ritmo muda e tudo mais. É só uma questão de tempo. Ele vai voltar",garantiu Guardiola.

Rodri,do Manchester City,vence prêmio Bola de Ouro — Foto: FRANCK FIFE / AFP
Com o melhor Rodri em ação,a Fúria encontrou sustentação,com um capitão que personifica há anos o coração de um estilo de jogo coletivo.
— Rodri voltou ao tom e está se vendo o melhor jogo da Espanha. É quem dirige o time. Todos olham para ele quando estão jogando — pontua De Juan.
Caso o troféu fique nas mãos Lionel Andrés Messi Cuccittini,a cena será muito mais do que um repeteco do que se viu no Catar em dezembro de 2022. O atacante de 39 anos já conquistou tudo que era possível no futebol e pode ter a paz de se aposentar sentando à mesa dos maiores da História,mas ainda parece curtir cada segundo em que insiste em ser decisivo. Merecido para quem tentou muito até ter sucesso com a camisa do próprio país.
— Tanto na seleção quanto em outros âmbitos da sua carreira,Messi é uma caixa de surpresas que,nos últimos anos,superou qualquer expectativa. O que acho que mais se pode destacar é a constância — destaca Gonzalo Suli,repórter do Diario Ole. — É um exemplo evolutivo. É o melhor de todos,e foi construindo um caminho como se fosse um trabalhador,um jogador comum,porque teve constância,sempre estava presente,queria jogar até os amistosos,coisa que qualquer jovem que sonha faria. E não uma estrela como ele.

Lionel Messi of Argentina kisses the FIFA World Cup Qatar 2022 Winner's Trophy after the FIFA World Cup Qatar 2022 Final match between Argentina and France at Lusail Stadium on December 18,2022 in Lusail City,Qatar — Foto: Quality Sport Images / Getty Images
Faz 16 anos que o camisa 10 usou a braçadeira pela primeira vez. Treinador da Argentina no Mundial da África do Sul,Diego Maradona viu o potencial de líder em um jogador que já estava em sua segunda de seis participações no torneio,mas ainda era ofuscado por lideranças mais antigas. A partir daquele momento,Messi viveu uma trajetória que chegou a um adeus precoce após o vice da Copa América 2016,mas virou uma lua de mel a partir da conquista do continente em 2021.
O craque nunca precisou provar a qualidade que assombrou o mundo,sobretudo,com a camisa do Barcelona. Mas na seleção,era sempre visto como decepção. Foi o passar do tempo e o encaixe promovido pelo treinador Lionel Scaloni que transformaram sua trajetória,fazendo com que ele entre nas discussões sobre idolatria com o próprio Maradona. Uma segunda Copa lhe alçaria a um patamar ainda difícil de compreender.

Messi e companheiros celebram vaga na segunda final consecutiva em Copas do Mundo — Foto: Buda Mendes/Getty Images via AFP
Faz cinco anos que a equipe argentina flui em torno de Messi. Futebolística e espiritualmente. Mesmo atuando no futebol dos Estados Unidos,o camisa 10 está colocando esta Copa "no bolso",participando de gols em todas as partidas. Foram duas assistências na virada histórica sobre a Inglaterra na semifinal. A cada vitória,o povo argentino e os companheiros de seleção veneram o jogador que prorroga o "último tango".
— Hoje,o que poderia fazer para ser mais ídolo do que é? Ou quem pode discuti-lo como ídolo,havendo conseguido tudo o que conseguiu e da maneira que conseguiu? Para o Messi,me parece que só falta se aposentar do futebol para terminar de ser o grande ídolo de todos os argentinos. Enquanto é contemporâneo,talvez ainda tenha essa habitualidade,essa cotidianidade,que derruba um pouco essa aura de jogador único,de jogador do povo — analisa Suli.