
Uma ponte severamente danificada após ser atingida por um ataque dos Estados Unidos é vista na rodovia que liga as cidades de Roudan e Bandar Abbas,no sul do Irã,em 18 de julho de 2026 — Foto: Foto por AMIR HOSSEIN KHORGOOEI / ISNA / AFP
GERADO EM: 27/07/2026 - 18:08
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O Irã reconstruiu rapidamente parte da infraestrutura danificada pelos bombardeios dos Estados Unidos e de Israel nos últimos meses,segundo autoridades israelenses e ocidentais,além de imagens de satélite. De acordo com uma reportagem do jornal americano Wall Street Journal,bases de mísseis,pontes,portos e instalações industriais já apresentam sinais de recuperação,em um ritmo considerado mais rápido do que o esperado.
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As imagens do Planet Labs mostram,por exemplo,que o Irã reabriu acessos a bases de mísseis escavadas em montanhas perto de Kangavar poucas semanas após os ataques. Em outro caso citado pelo jornal,uma ponte atingida por três bombas israelenses foi reparada em poucos dias. Também há indícios de reconstrução parcial em um estaleiro ligado à Guarda Revolucionária no porto de Bandar Anzali,no Mar Cáspio,onde Israel disse ter atingido dezenas de alvos em março.
Segundo o ex-comandante israelense Ran Kochav,o Irã já havia demonstrado eficiência para reconstruir infraestrutura e recompor estoques de mísseis após o conflito de 12 dias entre os dois países em 2025,graças à sua capacidade industrial.
— Eles reabasteceram seus estoques — disse ele ao WSJ. — Eles possuem capacidades de industrialização e reconstrução muito impressionantes.
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Os avanços na reconstrução contrastam com declarações do presidente dos EUA,Donald Trump,e do primeiro-ministro de Israel,Benjamin Netanyahu,de que a campanha militar teria devastado as capacidades militares e nucleares iranianas. Enquanto a Casa Branca sustenta que a operação foi um sucesso,autoridades militares israelenses,reservadamente,admitem frustração com os resultados.
"As Forças Armadas do Irã são uma confusão total e absoluta",publicou Trump nas redes sociais no mês passado. "Grande parte delas,como a Marinha e a Força Aérea,nem sequer existe mais — elas foram completamente derrotadas."
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Netanyahu,por sua vez,afirmou em abril que as capacidades militares e os programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã sofreram um retrocesso de muitos anos.
— Destruímos a máquina de produção de mísseis do Irã. Os iranianos estão disparando o que resta de seu arsenal,e o arsenal está se esvaziando. Mas eles não estão produzindo novos mísseis.
Apesar disso,o Irã continuou realizando ataques precisos contra aliados regionais dos EUA no Golfo,como Kuwait,Bahrein e Jordânia,onde um ataque iraniano matou três soldados americanos recentemente.
Autoridades militares israelenses manifestaram frustração com os resultados da campanha. Segundo as fontes ouvidas pelo WSJ,o país tem reconstruído rapidamente instalações militares e industriais,e parte dos danos poderia ter sido maior se Israel tivesse mantido o foco em alvos militares,em vez de ampliar os ataques para forças de segurança internas e postos da milícia Basij,paramilitares ligados à Guarda Revolucionária.
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De acordo com esses oficiais,muitos ataques dos EUA e Israel conseguiram apenas bloquear as entradas de bases de mísseis escavadas em montanhas,sem destruir os arsenais armazenados no interior. Desde então,o Irã tem reaberto os túneis e recuperado o acesso às instalações.
Imagens de satélite mostram essa recuperação em bases de mísseis nas cidades de Dezful e Kermanshah,onde equipes reconstruíram estradas e desobstruíram entradas soterradas poucos meses após os ataques. Também há indícios,segundo os registros do Planet Labs,de reconstrução parcial na Raja Shimi Industries,perto de Teerã,fábrica considerada ligada à produção de componentes para mísseis.


— Acontece que os rumores sobre o fim ou a redução significativa dos mísseis estavam errados — disse ao jornal Tal Inbar,analista sênior da Missile Defense Advocacy Alliance,organização sediada nos Estados Unidos.
Especialistas afirmam,entretanto,que o Irã ainda pode levar meses ou anos para restabelecer a produção de componentes mais avançados,como fibra de carbono. No entanto,o país pode ter mantido estoques desses materiais em instalações subterrâneas,o que permitiria fabricar novos mísseis e drones no curto prazo.
— É uma questão de vontade,tempo e dinheiro — disse Inbar.