
Presidente Lula irá gravar vídeos com aliados — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Integrantes da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dizem que o presidente deverá reservar espaço em sua agenda após a convenção partidária oficializar a sua candidatura à reeleição para gravar vídeos para serem usados por aliados que serão candidatos a cargos majoritários neste ano. A expectativa,dizem duas pessoas do entorno petista,é que isso ocorra logo após a convenção,prevista para o próximo domingo,diante da demanda que existe dos candidatos aliados.
A ideia é que Lula grave vídeos para políticos que vão concorrer a governos estaduais e ao Senado,do PT e de outros partidos,para serem usados tanto nas propagandas eleitorais quanto nas redes sociais. A expectativa inicial era que isso pudesse ter ocorrido a tempo desses candidatos usarem vídeos do presidente para inserções partidárias no primeiro semestre,mas isso não ocorreu. Lula gravou somente para a campanha de Fernando Haddad,que disputa o Governo de São Paulo neste ano,em vídeo foi divulgado em abril nas redes do ex-ministro da Fazenda. No filme,são destacadas obras de infraestrutura e mobilidade no estado com recursos do governo federal.
O petista também apareceu declarando apoio a outros dois candidatos: o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB),que busca a reeleição na Paraíba,e o ex-prefeito João Campos (PSB),que disputa o Governo de Pernambuco. Nas duas ocasiões,Lula aparece sozinho destacando que apoiará esses aliados. Esses vídeos ocorreram em estados onde há mais de um candidato apoiando Lula. No primeiro caso,o presidente defende os nomes de Veneziano e do ex-governador João Azevêdo. Esse gesto do petista desagradou ao presidente da Câmara,Hugo Motta (Republicanos-PB),já que o pai dele,Nabor Wanderley (Republicanos) também é candidato a uma cadeira no Senado. Motta classificou a iniciativa como um gesto de “desespero” de Veneziano.
No segundo caso,Lula gravou o vídeo de apoio a João Campos após mal-estar provocado por declaração do ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social) de que o petista teria um palanque duplo em Pernambuco,apoiando Campos e a governadora,Raquel Lyra (PSD). Essa possibilidade é rechaçada pelo ex-prefeito,que cobrou satisfações junto à cúpula petista e fez o presidente do PT,Edinho Silva,desautorizar publicamente Dias.
Lula gravou ainda vídeo no começo do ano ao candidato do PT ao Governo do Maranhão,Felipe Camarão,após um racha na esquerda no estado dividir o apoio do partido. Uma ala dos petistas defende apoiar Eduardo Braide (PSD). O petista aparece ao lado de Camarão.
Um candidato do PT ao governo,afirma à reportagem,sob reserva,que há uma certa frustração com a demora para gravar esses vídeos. Ele diz que ouviu de Edinho Silva que isso deverá ocorrer logo após a oficialização da candidatura de Lula e que não ocorreu até o momento por falta de brechas na agenda do petista.
Um aliado do presidente diz que,agora,o roteiro traçado pela campanha é que isso possa ocorrer o quanto antes,já que se aproxima dos prazos para início da propaganda eleitoral. Apesar dessa expectativa,no entanto,ainda não há uma data marcada para que isso ocorra. A ideia é que o presidente grave esses vídeos na casa usada pela campanha no Lago Sul,onde funcionará a produtora da sua campanha. Até o momento,o petista ainda não visitou o local.
Neste ano,o PT deve ter 12 candidatos a governador,sendo que Jerônimo Rodrigues (Bahia),Elmano de Freitas (Ceará) e Rafael Fonteles (Piauí) buscam a reeleição. O partido também terá candidatura própria no Distrito Federal (Leandro Grass),no Espírito Santo (Helder Salomão),em Goiás (Luis Cesar Bueno),em Minas Gerais (Patrus Ananias),no Mato Grosso do Sul (Fábio Trad),no Rio Grande do Norte (Cadu Xavier) e em Rondônia (Expedito Neto),além de Haddad e Camarão. Nas outras unidades da federação,Lula apoiará nomes do PSD,do PSB,do PP,do PDT,do MDB e do União Brasil.
Para o Senado,o PT terá 18 candidaturas próprias. Tentarão a reeleição nomes como Randolfe Rodrigues (Amapá),Jaques Wagner (Bahia),Fabiano Contarato (Espírito Santo),Humberto Costa (Pernambuco) e Rogério Carvalho (Sergipe). Também disputam vagas os ex-ministros Rui Costa,na Bahia,Gleisi Hoffmann,no Paraná,e Paulo Pimenta,no Rio Grande do Sul.