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Pesquisa expõe ‘racha’ entre homens e mulheres no apoio a Lula e Flávio Bolsonaro

Apr 9, 2026 IDOPRESS

O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Montagem de fotos de Brenno Carvalho e Cristiano Mariz/Agência O Globo

As eleições de outubro devem repetir não apenas a polarização entre petistas e bolsonaristas registradas em 2018 e 2022,mas também reforçar as diferenças de escolha entre o eleitorado masculino e feminino. É o que sugerem dados da mais recente pesquisa Genial/Quaest obtidos pelo blog.

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O recorte de intenção de voto por gênero expõe uma espécie de racha entre homens e mulheres no apoio às pré-candidaturas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida pelo Palácio do Planalto.

Na simulação de um segundo turno entre Lula e Flávio – cenário considerado mais provável,pelos últimos levantamentos –,Lula leva a vantagem entre as mulheres e Flávio,entre os homens.

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De acordo com a pesquisa divulgada em 11 de março,embora no universo total de eleitores os dois apareçam empatados com 41% das intenções de voto em um eventual segundo turno,a disputa fica desequilibrada na divisão por gênero: Lula tem 44% do voto feminino e Flávio,36%. Entre os homens,o cenário se inverte: Flávio lidera com 46%,ante 38% de Lula.

A margem de erro do levantamento,que ouviu 2.004 pessoas entre os dias 6 e 9 de março,é de três pontos percentuais no recorte por gênero.

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A divisão entre homens e mulheres detectada agora é semelhante à registrada na última pesquisa Quaest antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. O levantamento apontava Lula com 49% das intenções de voto entre mulheres,ante 38% de Bolsonaro. Entre os homens,a situação era outra: Bolsonaro liderava com 48% e Lula aparecia com 42%.

Quatro anos antes,às vésperas do segundo turno das eleições de 2018,uma pesquisa do Datafolha apontava uma vantagem de 20 pontos percentuais de Jair Bolsonaro sobre Fernando Haddad (PT) no eleitorado masculino,enquanto entre as mulheres havia empate técnico.

Mulheres preocupam

Mas,apesar da vantagem petista no eleitorado feminino,a diferença entre Lula e Flávio nesse segmento tem diminuído nos últimos oito meses,acompanhando a deterioração dos indicadores de aprovação da administração petista.

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Isso preocupa o Palácio do Planalto,já que as mulheres são a maioria do eleitorado brasileiro - 81,8 milhões. o equivalente a 52% do total de pessoas aptas a votar,de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já os homens somam 74 milhões de eleitores (48%).

No início da série histórica,em agosto de 2025,antes de Flávio oficializar a pré-candidatura à Presidência da República,a vantagem de Lula sobre o filho “zero um” de Bolsonaro era de 22 pontos percentuais (50% a 28%) entre as mulheres. Agora,a diferença entre os dois desabou para apenas oito pontos (44% a 36%).

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No confronto Lula x Flávio,2% das mulheres se declararam indecisas e outras 18% informaram que não votariam em nenhum dos dois.

“A eleição vai passar pela decisão de voto das mulheres. Lula leva ampla vantagem nesse setor,desde 2022,mas essa vantagem vem diminuindo ao longo das pesquisas”,afirma o CEO da Quaest,o cientista político Felipe Nunes. “Manter esse segmento é fundamental para que Lula chegue competitivo na eleição. As mulheres carregam uma rejeição à família Bolsonaro que veio da pandemia. E isso persiste até hoje.”

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Para reduzir a rejeição no eleitorado feminino,Flávio tem sido aconselhado por aliados mais pragmáticos do Centrão a escolher uma mulher como companheira de chapa. Outro foco de preocupação entre aliados é a resistência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro de se engajar diretamente na campanha presidencial,conforme informou o blog.

Queda entre os homens

Para Lula,a situação também ficou mais difícil no eleitorado masculino. Em agosto de 2025,o presidente da República liderava entre os homens,com 45% dos votos,ante 37% de Flávio – uma vantagem de oito pontos percentuais para o petista. Na época,Lula surfava na defesa da soberania nacional. O presidente Donald Trump tinha acabado de anunciar um tarifaço de 50% para produtos brasileiros e aplicar sanções contra o ministro Alexandre de Moraes sob a alegação de violações contra direitos humanos por conta das investigações da trama golpista,que acabariam levando Bolsonaro à cadeia.

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Agora,a situação se inverteu: Flávio tem 46% e o petista,38%. A diferença de oito pontos percentuais passou a ser do senador do PL.

No confronto Lula x Flávio,15% dos homens entrevistados informaram que não votariam em nenhum dos dois – já o índice de indecisos foi de 1%.

‘Gap de gênero’

No Brasil,a divisão mais acentuada na preferência entre homens e mulheres – chamada por pesquisadores de “gap de gênero” – começou a despontar nas eleições presidenciais de 2018,se fortaleceu em 2022 e deve continuar em 2026,aponta a cientista política Nara Pavão,da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

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Para Nara,os dados da Quaest/Genial refletem não só as preferências ideológicas de homens e mulheres,mas também os papéis distintos que desempenham na sociedade – e indicam as políticas públicas prioritárias para cada gênero.

“O fato de Lula ser um político com imagem atrelada a políticas sociais,de proteção social,faz com que as mulheres valorizem mais ele e políticos de esquerda”,afirma Nara.

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“Os homens,por sua vez,não só não se importam tanto com essas pautas,mas se diferenciam porque têm preferência por políticas punitivistas de segurança pública,que é uma pauta que o bolsonarismo levanta bastante. Os bolsonaristas falam mais do tema de segurança pública do que a esquerda,que ainda é meio perdida nesse tema.”

Na opinião de Nara,o “gap de gênero” não aparecia antes,porque as divisões entre o discurso de esquerda e de direita teriam se aprofundado a partir das eleições de 2018,com a ascensão do bolsonarismo. “Uma das grandes contribuições de Jair Bolsonaro foi unir a direita e trazer o sentido que a direita tem”,analisa.