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Jovens da China, tons de vermelho

Apr 14, 2026 IDOPRESS

Pessoas caminham em rua de Xangai — Foto: Hector RETAMAL / AFP

RESUMO

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GERADO EM: 13/04/2026 - 21:56

Geração Z Chinesa: Entre o Nacionalismo e a Insegurança Econômica

A Geração Z na China enfrenta um paradoxo entre nacionalismo e insegurança,influenciada por avanços tecnológicos e a busca por estabilidade. O turismo vermelho,que celebra marcos históricos comunistas,atrai jovens como Caihong e Xingqiu,que buscam conexão com suas raízes. No entanto,desafios como alta taxa de desemprego juvenil e mudanças demográficas preocupam o governo chinês.

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Desânimo e autoconfiança convivem lado a lado na China. Muitas vezes,na mesma pessoa. Se persiste o ceticismo com a economia,como se vê pela dificuldade em estimular o consumo doméstico,uma onda de patriotismo se ergue na espuma dos avanços tecnológicos e na promessa de estabilidade,em contraste com os tropeços dos Estados Unidos.

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Um encontro bem peculiar entre patriotismo e consumo é o chamado “turismo vermelho”,a peregrinação pelos locais que marcaram a campanha até a vitória que levou à fundação da China comunista,em 1949. Estamos em Nanchang,um dos pontos altos desse roteiro. É o berço do Exército de Libertação Popular (ELP),que de um punhado de guerrilheiros maltrapilhos transformou-se na maior força militar do mundo.

Caihong e Xingqiu,ambas de 20 anos,despencaram de Changsha,a uns 350km,para ver de perto uma das poucas cidades que ainda não conheciam do roteiro vermelho. Foram em parte movidas pela culinária,afinal quase tudo na China tem a ver com comida. Mas o principal foi a chance de visitar os marcos revolucionários,garantem. “Cresci ouvindo falar da Revolta de Nanchang. Aqui nasceu nosso Exército. Queria me sentir perto dessa história”,disse Caihong.

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A juventude tem sido motivo de preocupação para a liderança chinesa. Primeiro,há a questão demográfica. Se as gerações anteriores sofreram com o controle de natalidade,na política de filho único,as mais jovens encolhem as famílias voluntariamente,para aflição do governo (e dos pais). Outra apreensão é com a escassez de empregos de qualidade.

O desemprego de jovens bateu 18,8% no ano passado,revelou a publicação financeira Caixin,driblando a censura que paira sobre o tema. Com um recorde de quase 13 milhões de formandos no ano passado em universidades,o problema é como integrá-los num mercado de trabalho achatado,forçado a se render às novas tecnologias.

A boa notícia para o governo é que a incerteza coexiste com uma sensação de segurança entre os jovens,gerada pelo progresso do país. Aí é que entra a atração pela história vermelha. Para a geração Z na China,governo é sinônimo de Partido Comunista,e se o país se desenvolveu é graças a ele. A propaganda tem o seu papel,mas os resultados são sentidos,na conveniência da vida digital à excelência da infraestrutura. Com a instabilidade mundial,o sonho de estudar no exterior,antes predominante,perdeu popularidade.

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Amy,15 anos,chegou ano passado,quando o pai foi transferido de uma estatal no norte do país. Sua escola faz parte de um marco revolucionário,onde o general Ye Ting estabeleceu seu quartel-general em 1927. “Nanchang simboliza a capacidade de nos defendermos de nossos inimigos”,diz. Como muitos jovens chineses,o patriotismo não inclui hostilidade aos EUA,o grande rival do país hoje. Quando chegar sua hora de escolher uma profissão,ela se imagina cursando engenharia,“talvez numa universidade americana”.

Nanchang é o retrato de uma China onde várias épocas se sobrepõem umas às outras,sem desaparecer. Na arquitetura,parece meio parada no tempo,com monumentos de estilo soviético e prédios que foram modernos na década de 1990. Ao mesmo tempo,o cotidiano tem toques futuristas. No aeroporto,basta o passageiro olhar para o painel com reconhecimento facial para aparecer seu portão de embarque.