
Oswaldo Rodrigues Vieira Filho tinha empresas detentoras de precatórios milionários — Foto: Reprodução
GERADO EM: 02/06/2026 - 18:34
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Dono de um patrimônio estimado em mais de R$ 1 bilhão,incluindo,entre outros bens,três carros da marca BMW e um Porsche,o empresário Oswaldo Rodrigues Vieira Filho,de 78 anos,que assinou um testamento duas horas antes de morrer de câncer terminal em um hospital da Zona Oeste do Rio,vinha tendo os aluguéis de um de seus imóveis recebidos por um suspeito. O homem é uma das cinco pessoas já investigadas pela Delegacia de Defraudações (DDEF) por fraude,apropriação indébita,organização criminosa e por suspeita de ter se aproveitado da fragilidade do estado de saúde da vítima para assumir o controle de empresas e movimentar altos valores.
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Proprietário de dezenas de empresas e detentor de precatórios milionários,o empresário morreu no dia 19 de novembro de 2025,em um hospital da Barra da Tijuca,onde estava internado. Segundo investigação da Polícia Civil,duas horas antes,ele assinou,na própria unidade de saúde,um testamento na presença de um representante de cartório,nomeando uma advogada como inventariante e administradora de seus bens.

O empresário Oswaldo Rodrigues Vieira Filho morreu em novembro de 2025 — Foto: Reprodução
Ela,o suspeito e um policial militar estão entre os cinco investigados pela Polícia Civil pelos crimes acima citados,já que,supostamente,se beneficiariam de alguma forma do testamento. Os investigadores tentam apurar desde quando os aluguéis vinham sendo recebidos por um dos alvos da investigação. E se isto estaria acontecendo também com outros imóveis pertencentes ao empresário.
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— Já sabemos que um dos investigados vinha recebendo aluguéis de um dos imóveis que pertenciam ao empresário falecido. Vamos tentar saber desde quando isso vinha acontecendo e em que circunstâncias ocorria. A informação que temos é a de que ele recebia os valores por Pix — disse o delegado Marcos Buss,da Delegacia de Defraudações (DDEF),nesta terça-feira.
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O imóvel cujos aluguéis vinham sendo recebidos por um dos investigados fica em Jacarepaguá,na Zona Sudoeste do Rio. Segundo parentes,entre os bens de Oswaldo estariam dezenas de empresas,e ainda imóveis localizados na Zona Sul do Rio,na Região Serrana,em São Paulo e em Minas Gerais. Para a Polícia Civil,o empresário não estava em pleno gozo de suas capacidades mentais quando assinou o testamento pouco antes de morrer.
— Nós temos dois laudos afirmando que ele não tinha capacidade para celebrar negócios jurídicos nem para manifestar sua própria vontade. O empresário tinha duas pessoas jurídicas e era administrador dessas empresas,que possuíam créditos oriundos de precatórios judiciais,créditos milionários. Para se ter uma ideia,apenas um crédito que foi efetivamente repassado aos investigados totalizava R$ 38,5 milhões. Houve outras transferências. O que estamos tentando verificar com as buscas é em que circunstâncias essas pessoas se aproximaram do falecido; em que contexto esses documentos,procurações e alterações contratuais foram realizados,tendo em vista que a informação que temos,inclusive com base em pareceres médicos,é a de que o falecido,pouco antes de sua morte,não tinha capacidade de compreensão nem de manifestação de vontade — afirmou o delegado Marcos Buss,da DDEF,ainda na segunda-feira,quando deflagrou a Operação Último Suspiro.
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A ação foi executada para cumprir 22 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. Entre o material apreendido estão telefones celulares. Os aparelhos serão periciados e terão seus conteúdos analisados pelos policiais.
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As investigações revelaram indícios de um sofisticado esquema por meio do qual o grupo atuava para assumir,de forma indevida,o controle de empresas. As alterações societárias consideradas suspeitas começaram a ocorrer três meses antes da morte do empresário. Uma delas diz respeito a uma pessoa jurídica que pertencia ao empresário e era detentora de precatórios milionários. Na época,Oswaldo já estava internado em um centro de tratamento intensivo.
A mudança teria possibilitado a criação de uma terceira empresa,da qual o empresário e seus herdeiros ficaram excluídos. Para essa nova pessoa jurídica teria sido transferido o controle de recursos financeiros originalmente pertencentes a Oswaldo.
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Outro elemento que chamou a atenção da polícia foi a cessão de parte de um precatório avaliado em aproximadamente R$ 38,5 milhões para escritórios de advocacia poucos dias antes da morte do empresário. Além disso,os agentes identificaram que,apenas sete dias após a morte da vítima,mais de R$ 1,1 milhão foram depositados na conta da investigada,valor que teria origem em créditos relacionados aos precatórios.
Segundo a polícia,dos cinco suspeitos investigados,quatro prestaram depoimento,enquanto o quinto se reservou ao direito de falar apenas em juízo. Em suas declarações,de acordo com o delegado,a advogada alegou que o testamento foi elaborado de forma legal e que o documento apenas expressava a vontade do empresário em vida.
Ainda de acordo com a investigação,ela e Oswaldo teriam se conhecido há alguns anos,quando ele a contratou para tratar de assuntos jurídicos.
Como o caso tramita em sigilo,O GLOBO não conseguiu contato com a defesa dos suspeitos.