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Descaso educacional no Rio não é improviso

Jun 8, 2026 IDOPRESS

Alunos chegam à Escola Estadual Visconde de Cairu,no Méier — Foto: Gabriel de Paiva/25-11-2025

RESUMO

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GERADO EM: 07/06/2026 - 19:15

Rio de Janeiro tem segundo pior Ideb do país e maior gasto por aluno

O Rio de Janeiro ostenta o segundo pior Ideb do Brasil no ensino médio,apesar de ter o maior gasto por aluno. O estado enfrenta altas taxas de reprovação e baixos níveis de aprendizagem. Além disso,há um baixo percentual de matrículas em tempo integral e profissionalizante. A má gestão educacional afeta também a alfabetização e o ensino fundamental,especialmente em municípios populosos. A aprovação tardia de legislação local agravou a situação,resultando em perdas financeiras significativas para a educação.

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Não é novidade o fato de o Rio de Janeiro ostentar o segundo pior Ideb do Brasil no ensino médio. Mas essa incompetência fica ainda mais exposta quando descobrimos que essa mesma unidade da federação apresenta o maior gasto por aluno no país,conforme revelaram na semana passada os repórteres Thayná Rodrigues e Danilo Perelló,aqui no GLOBO,a partir de um levantamento do Movimento EducAçãoRio.

Entenda: O impacto social das escolasLeia mais: Muito a avançar na carreira docente

Nelson Rodrigues,numa de suas mais famosas frases,já dizia que “o subdesenvolvimento não se improvisa; é obra de séculos”. Pois a tragédia educacional do Rio é também uma construção longeva,de vários atores. Mas o governo estadual,por óbvio,é o maior responsável. A péssima colocação do Rio no Ideb do ensino médio é explicada pela pior combinação possível: altas taxas de reprovação e baixos níveis de aprendizagem.

O atraso é visível também em outros indicadores,como o pequeno percentual de matrículas em tempo integral (14%,ante a média nacional de 21%) e no ensino profissionalizante (10%,ante 20%),ou na elevada proporção de jovens no ensino médio com dois ou mais anos de atraso escolar (27% a 18%).

A má gestão da educação no Rio deságua ao final do ensino médio,mas não começa ali. Indicadores de alfabetização e dos primeiros anos do ensino fundamental também estão muito abaixo da média nacional. O que puxa para baixo esses números é o péssimo resultado de municípios populosos no entorno da capital,caso de Nova Iguaçu,Duque de Caxias,São Gonçalo,Belford Roxo e São João de Meriti.

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Essas etapas são de responsabilidade principal das redes municipais,mas vale destacar que o governo estadual também tem sua parcela de responsabilidade,pois deveria partir dele a articulação com os demais entes federativos para a melhoria desses indicadores. No Ceará,por exemplo,o avanço foi puxado pelo governo estadual,através de um regime de colaboração que a União vem tentando induzir em todos os estados.

Os sinais de descaso com a educação,porém,também apareceram no Poder Legislativo fluminense. Quando a Alerj precisou dar mostras de que educação era prioridade,também falhou — com honrosas exceções de parlamentares que se movimentaram para evitar tragédia maior.

Com três anos de atraso,o Rio de Janeiro foi o último estado a aprovar uma legislação local regulamentando os repasses do ICMS para a educação. Essa era uma exigência legal para aumento de repasses do Fundeb ao estado. Somente neste ano,a perda foi estimada em quase R$ 120 milhões. Finalmente,no mês passado,a legislação foi aprovada.

Seria cômodo jogar toda a responsabilidade para os políticos. Mas todos chegaram lá pelo voto popular. Num estado onde o crime organizado demonstra estar cada vez mais infiltrado na política e com uma sequência incrível de governadores acusados e presos por corrupção,talvez seja ingenuidade sugerir que a educação tenha espaço relevante nos debates eleitorais. Mas precisamos falar com mais profundidade desse tema,pois é uma área com péssimos resultados até mesmo para os já insuficientes padrões nacionais no ensino médio.