
A biodança aquática é uma extensão do sistema de biodança,que se baseia na imersão em água — Foto: Reprodução/ Magnific
GERADO EM: 09/06/2026 - 17:39
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A busca por alternativas para mitigar o impacto do estresse nas sociedades modernas levou a uma renovada valorização de técnicas holísticas que combinam os aspectos físicos,emocionais e relacionais do bem-estar. Entre elas,destaca-se a biodanza aquática,uma extensão do sistema de biodança,que se baseia na imersão em água à temperatura corporal para promover estados de renovação e conexão profunda.
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Para compreender essa modalidade,é necessário primeiro entender suas origens. A biodança foi desenvolvida pelo psicólogo,antropólogo e poeta chileno Rolando Toro Araneda na década de 1960. Ele a definiu como um “sistema pedagógico para reaprender as funções originais da vida”. O objetivo é potencializar o melhor da humanidade para que cada indivíduo possa viver de forma criativa,responsável e em conexão com a vida.
A variante aquática começou a ser sistematizada de forma mais rigorosa a partir da década de 1990. Eliane Matuk,facilitadora brasileira e co-diretora da Escola Modelo de Biodança em Milão,desempenhou um papel fundamental nesse processo. As primeiras experiências ocorreram em águas mornas e calmas do mar,mas posteriormente foram adaptadas para piscinas cobertas,permitindo sua prática em qualquer lugar do mundo.
Na Argentina,a biodança chegou entre as décadas de 1980 e 1990,consolidando-se por meio de uma rede de escolas que hoje inclui vinte e cinco instituições em todo o país. Entre seus pioneiros está Norberto López Boeme,diretor da Escuela del Abasto,em Buenos Aires. “Hoje existem mais de cem instrutores de biodança aquática na Argentina”,afirmam Carlos Silva e Cristina Peralta,instrutores do sistema na cidade de Moreno,o que demonstra o crescimento e a aceitação dessa disciplina no país.
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Diferentemente de uma aula de estúdio convencional,essa modalidade aquática aproveita as propriedades físicas da água para aprofundar a experiência. É realizada em piscinas onde se pode permanecer em pé durante toda a prática,com a água a uma temperatura entre 35 e 36 graus Celsius,semelhante à do corpo humano. Karina Gabriela Martínez,facilitadora e terapeuta,enfatiza que essa temperatura é fundamental porque auxilia na entrega e no relaxamento,proporcionando uma “experiência oceânica que também nos convida a retornar às nossas origens,quando nadávamos no líquido amniótico de nossa mãe”.
A metodologia não exige habilidades de natação e geralmente é desenvolvida em sessões com duração entre três e cinco horas. O processo inclui uma integração inicial em grupo,frequentemente fora da água,seguida de imersão,onde os participantes se envolvem em círculos,caminhadas e danças individuais ou em pares,sempre acompanhadas por música cuidadosamente selecionada. O principal objetivo,explicam Silva e Peralta,é “estimular experiências de regressão às nossas origens,induzindo estados de transe na água”,o que permite o acesso a uma expansão da consciência e a uma profunda vitalidade.
Para os especialistas,o grupo funciona como uma “matriz” ou campo de ressonância. Não se trata de um exercício isolado,mas sim de uma prática de conexão humana. Ao final da atividade na piscina,realiza-se uma breve discussão em grupo para integrar a experiência. Segundo Martínez,o efeito é imediato: “Nossos sistemas nervoso e imunológico são fortalecidos e harmonizados. Flutuar na água nos permite liberar cargas emocionais e nos conectar com a beleza da vida.”
O impacto da biodança aquática no corpo é multifacetado. Em um contexto social marcado pela urgência e pelo desempenho individualista,os facilitadores concordam que a técnica oferece um verdadeiro refúgio. Entre os efeitos mais notáveis estão a redução dos níveis de cortisol (o hormônio do estresse),a liberação da tensão motora crônica e a melhora da qualidade do sono.
Do ponto de vista clínico,pesquisas acadêmicas comprovam sua eficácia na redução da ansiedade e no fortalecimento da autoestima. A técnica foi inclusive adaptada para grupos específicos,como cegos,idosos e pacientes com doenças crônicas. "É muito bom para pessoas com fibromialgia,pois ajuda a conectar-se com o potencial vital que existe em cada indivíduo,gerando estímulos em um contexto afetivo",afirmam os facilitadores de Moreno.
A prática também atua como um antidepressivo natural,elevando o humor endógeno e ativando a espontaneidade. Segundo Martínez,a tranquilidade proporcionada pelo ambiente aquático impacta inclusive a tomada de decisões cotidianas,pois "reduz a agitação e o estresse que muitas vezes nos afligem",permitindo que as pessoas se sintam mais leves e conectadas à sua essência. A biodança aquática é apresentada como um processo de aprendizado e redescoberta da alegria de viver. Silva e Peralta são diretos a esse respeito: "Considerando que nos encontramos imersos,como sociedade,em um sistema vertiginoso de exigências,que produz altos níveis de insatisfação e solidão,podemos afirmar que esta atividade é para todos."
Essa técnica busca romper com o isolamento e recuperar a confiança por meio de um ambiente que é,por definição,acolhedor. Como afirma sua filosofia,a vida no planeta e a vida de cada ser humano começaram na água. Assim,oferece um refúgio do ruído externo,como um convite para recuperar o movimento vital e a conexão com os outros em um ambiente de cuidado.