
64,8% das vítimas da letalidade policial,em 2025,eram jovens negros de até 29 anos — Foto: Divulgação/PMERJ
GERADO EM: 30/06/2026 - 16:07
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Dados fornecidos pelas secretarias de segurança de nove estados brasileiros — Amazonas,Bahia,Ceará,Maranhão,Pará,Pernambuco,Piauí,Rio de Janeiro e São Paulo — mostram que 4.330 pessoas foram vítimas da letalidade policial em 2025,um aumento de 6,4% na comparação com o ano anterior. A informação foi divulgada pela Rede de Observatórios da Segurança,que lança nesta quarta-feira a sétima edição do estudo anual “Pele Alvo: entre racismo e letalidade,o amanhã”.
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O relatório aponta que jovens negros de até 29 anos representam 64,8% dos mortos (2.804). São majoritariamente homens,moradores de periferias ou favelas. Dentro deste total,as crianças e os adolescentes somaram 312 vítimas.
A Rede de Observatórios é uma iniciativa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) dedicada a acompanhar políticas públicas de segurança,fenômenos de violência e criminalidade em nove estados.
Os pesquisadores concluíram que,na média dos estados monitorados,pessoas negras sofrem quatro vezes mais risco de serem mortas pela polícia do que pessoas brancas. O cálculo foi feito com base nas taxas de mortes decorrentes de intervenção policial por 100 mil habitantes,calculadas separadamente para a população negra e branca.
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Veja a média por estado na taxa por 100 mil habitantes:
Vítimas de mortes decorrentes da intervenção policial em 2025
Estado Negros Brancos Amazonas 0,8 0,1 Bahia 11 2,9 Ceará 1,2 0,4 Maranhão 1,1 0,4 Pará 8 2,4 Pernambuco 1,4 0,1 Piauí 0,7 0,4 Rio de Janeiro 6,3 1,1 São Paulo 2,7 1,1
Fonte: Elaborado pela Rede de Observatórios com base nas informações enviadas pelas secretarias de segurança
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O relatório também destaca a "opacidade e a qualidade" dos dados fornecidos pelas secretarias de segurança pública. Os pesquisadores apontam que estados como Maranhão e Ceará utilizam a categoria "não informado" para ocultar o perfil racial de,respectivamente,54,9% e 57,5% de suas vítimas.
"A pesquisa comprova que,à medida que o governo estadual qualifica a coleta e preenche os dados corretamente,o recorte racial fica ainda mais nítido,sendo a falta destas informações não apenas uma falha burocrática,mas uma omissão que insiste em invisibilizar o recorte racial da letalidade estatal",diz o instituto.
Outro ponto destacado é a forma como a dinâmica da letalidade policial tem se reconfigurado com a expansão e articulação de facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) em direção às regiões Norte e Nordeste. Segundo o relatório,o cenário desencadeia "respostas governamentais baseadas exclusivamente na lógica da militarização e do confronto".
Como resultado,quatro estados registraram o maior número de mortes de suas séries históricas desde 2019: Ceará (200),Maranhão (142),Pará (632) e São Paulo (834).
Veja os principais destaques do estudo em cada estado:
Repetiu o número de mortes decorrentes de intervenção policial do ano anterior (43).Pessoas negras representam 96% das vítimas,a maior proporção entre todos os estados monitorados. Há a ausência de reconhecimento oficial de vítimas indígenas,justamente em um estado onde 12,5% da população se autodeclara indígena.As mortes se espalharam de 10 para 16 municípios,e o interior passou a concentrar 62,8% dos casos,enquanto a capital Manaus respondeu por 37,2% das vítimas.
Houve queda na comparação ao recorde de mortes do ano anterior (1.702). Em 2025,foram 1.570 vítimas.População negra compõe 79,7% dos habitantes da Bahia,mas representa 93,9% das vítimas da letalidade policial,com 1.243 mortes.Entre os 417 municípios,12 acumulam metade das vítimas e,dos 365 dias do ano,346 registram mortes.
Atingiu o maior número de mortes de sua série histórica desde 2019: 200 vítimas em 2025.Jovens negros têm três vezes mais risco de morrer por intervenção policial no estado do que jovens brancos. Pessoas negras representaram 87,1% dos mortos.Pesquisadores destacam que o cenário está sendo agravado,em 2026,pela aprovação de um decreto do governador Elmano de Freitas,que alterou a classificação técnica das ocorrências. "A nomenclatura mudou de 'mortes por intervenção policial' para 'lesão corporal/homicídio decorrente de oposição à intervenção'. A medida enquadra legalmente a vítima como 'opositor'e o policial como 'interventor' (e não mais 'autor'),chegando ao ponto de a morte ser autorizada pelo Estado",destaca o relatório.
Registrou 142 mortes em 2025,maior número de sua série histórica,consolidando uma escalada de longo prazo — em 2015 o estado anotou 53 casos,quase triplicando o número de letalidade em uma década.Mais da metade dos casos (50,7%) concentrou-se em apenas 11 municípios,e um perfil de vítimas que reforça a seletividade da letalidade,pois 67,6% do total de mortos tinham 29 anos ou menos. Mais da metade dos registros de letalidade policial (54,9%) não informa a raça ou cor das vítimas,ocultando o impacto racial da violência estatal.Dos 217 municípios do estado,40% das letalidades ocorreram em 35 deles,muitos com menos de 15 mil habitantes,evidenciando também a interiorização dessa violência. A Polícia Militar foi responsável por 83,1% dos óbitos registrados.
No ano em que sediou a COP30,a letalidade policial cresceu. Foram 632 mortes em 2025,35 a mais do que no ano anterior,e o maior número da série histórica As mortes foram concentradas especialmente na Região Metropolitana: Belém,Ananindeua e Marituba somaram 193 vítimas,quase um terço do total do estado. O perfil dos mortos mostra que 418 estavam na faixa de 12 a 29 anos,e a Polícia Militar foi responsável por 89,7% das mortes registradas oficialmente.Estado apresentou a segunda maior taxa de letalidade policial contra pessoas negras entre os estados monitorados,sendo 8 por 100 mil habitantes.
Mortes decorrentes de intervenção policial cresceram 30,9% em relação ao ano anterior,com 89 vítimas.Pessoas negras (65,3% da população) foram quase todos os mortos pela polícia: 94,percentual respaldado por registros com preenchimento integral de raça ou cor. Negros correm 11 vezes mais risco de serem mortos pela polícia do que outros. A letalidade também atingiu principalmente a juventude: 71,9% das vítimas tinham até 29 anos.
Registrou 20 mortes decorrentes de intervenção policial no ano passado e foi o único estado monitorado a apresentar redução da letalidade policial,com queda de 16,7% em relação ao ano anterior.Relatório associa a queda dos índices de 2025 a iniciativas como a criação da Superintendência de Promoção da Igualdade Racial e a adoção de protocolos antirracistas na Polícia Militar do estado. No entanto,alerta para o crescimento de mortes ocultas no Piauí por causas indeterminadas que "revelam tendência crescente e paralela à diminuição estatística dos homicídios". Mais da metade das vítimas tinha entre 18 e 29 anos (55%),e 65% delas morreram em confronto com a Polícia Militar.Pessoas negras representam 77,1% da população do estado,mas correspondem a 85% das vítimas.
Enquanto a narrativa dos “narcoterroristas” legitima a lógica do confronto,o estado contabilizou 800 mortes provocadas por agentes públicos de segurança em 2025,incluindo duas vítimas com idade entre 0 e 11 anos. Houve um aumento de 13,8% em relação ao ano anterior.Mais da metade das mortes por intervenção policial (56,3%) ocorreu na capital.Pessoas negras representam 57,8% da população,mas correspondem a 89,5% das vítimas.A taxa de letalidade policial foi de 6,3 mortes por 100 mil habitantes negros,contra 1,1 entre brancos,o que significa que o risco de uma pessoa negra ser morta pela polícia do Estado é seis vezes maior do que o de uma pessoa branca.
Atingiu o recorde de 834 mortes registradas em 2025,uma alta de 2,7% em relação ao ano anterior.Aumento ocorreu mesmo em um contexto de queda de crimes relevantes,como furtos,roubos e latrocínios,sugerindo que a elevação da letalidade não acompanha necessariamente a dinâmica criminal,mas reflete escolhas na condução da política de guerra de segurança pública. Capital concentrou 30,5% das ocorrências.Pessoas negras representam 40,9% da população paulista,mas correspondem a 64,6% das vítimas fatais da ação policial.