
O goleiro norueguês nº 01,Orjan Nyland,comemora após defender um pênalti cobrado pelo meio-campista brasileiro nº 08,Bruno Guimarães — Foto: Jewel SAMAD / AFP
GERADO EM: 06/07/2026 - 05:52
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Antes do cabeceio de Erling Haaland decretar a vitória da Noruega sobre o Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo,outro jogador já havia colocado a classificação nórdica nos trilhos. O goleiro Ørjan Nyland,de 35 anos,foi o principal responsável por manter o placar zerado durante boa parte da partida ao defender um pênalti de Bruno Guimarães e realizar uma sequência de intervenções decisivas contra o ataque brasileiro.
A atuação no MetLife Stadium coroou uma trajetória improvável. Nyland chegou ao Mundial em uma situação rara para um jogador de elite: estava sem clube.
Após o encerramento do contrato com o Sevilla,ao fim da temporada europeia,o goleiro embarcou para a Copa do Mundo desempregado. A condição alimentou dúvidas na Noruega sobre sua permanência como titular. Parte da imprensa local chegou a defender que a federação acelerasse a naturalização de Nikita Haikin,goleiro do Bodø/Glimt nascido em Israel e com cidadania russa,para assumir a posição.
O técnico Ståle Solbakken,porém,manteve confiança no veterano durante todo o processo.
A defesa pública mais marcante veio ainda em março,quando Alexander Sørloth minimizou o fato de Nyland ter perdido espaço no Sevilla.
— Nyland é um excelente goleiro e muito forte mentalmente. O fato de não estar jogando não será um problema para ele — afirmou o atacante do Atlético de Madrid na ocasião.
As dúvidas aumentaram após a chegada do técnico Matías Almeyda ao Sevilla. O treinador argentino escolheu o ex-Benfica Odysseas Vlachodimos como titular,reduzindo ainda mais o espaço de Nyland.
O norueguês encerrou sua passagem pela Andaluzia após três temporadas e apenas 56 partidas disputadas. Sem renovar contrato,entrou na Copa do Mundo livre no mercado. Longe de demonstrar falta de ritmo,respondeu da melhor maneira possível.
Contra a Costa do Marfim,nas oitavas de final,já havia sido decisivo ao evitar um gol de Amad Diallo em cobrança de falta. Diante do Brasil,elevou ainda mais o nível.
Primeiro,defendeu a cobrança de Bruno Guimarães ainda no primeiro tempo,impedindo que a seleção brasileira abrisse vantagem. Depois,realizou outras defesas importantes antes dos dois gols marcados por Haaland.
Nos acréscimos,voltou a protagonizar outro momento marcante ao tentar desconcentrar Neymar antes da segunda penalidade brasileira. O camisa 10 converteu a cobrança,mas Nyland preferiu destacar o resultado coletivo.
— Foi um grande momento defender aquele primeiro pênalti quando o jogo ainda estava 0 a 0. No segundo,tentei entrar na cabeça do Neymar para manter o gol sem sofrer. Não importa o que ele me disse. Ele venceu aquele duelo individual. Cobrou muito bem. Mas o mais importante é que nós vencemos — afirmou na zona mista.
Antes de se dedicar exclusivamente ao futebol,Nyland também praticou handebol e esqui,esportes bastante populares na Noruega. A envergadura adquirida nessas modalidades sempre foi apontada como uma das explicações para sua capacidade de reação debaixo das traves.
Aos 35 anos,soma nove defesas em quatro partidas nesta Copa do Mundo,um pênalti defendido e um jogo sem sofrer gols. Contra o Brasil,assinou aquela que muitos analistas consideram,até aqui,a melhor atuação individual de um goleiro no torneio.